Futebol

À beira da falência, clube inglês se ancora no Corinthians para sobreviver

Helder Júnior - São Paulo , SP - Brasil
28/01/2015 08:29:20

Em: Corinthians, Futebol

O Corinthian-Casuals nunca vendeu tantas camisas como na última semana. Em excursão pelo Brasil para fazer um amistoso festivo com o Corinthians, o clube amador da Inglaterra ganhou até patrocinadores no seu exótico uniforme rosa e marrom – uma rede de supermercados de Guarulhos comprou um lugar de destaque para estampar a sua marca no jogo de sábado passado, em Itaquera.

Chris vislumbra cinema em Itaquera

Para Chris Watney, diretor comercial do clube que inspirou o Corinthians (e atacante nas horas vagas), a vinculação com o time brasileiro é essencial para a sobrevivência do Corinthian-Casuals. “Estamos morrendo. É muito difícil que um clube amador consiga se manter vivo. Quase todos os times que enfrentamos pagam os seus jogadores. Nós, não. A situação é triste. Quase morremos três vezes nos últimos dez anos. Os nossos portões seriam fechados pela última vez, por falta de dinheiro, e 132 anos de história iriam embora”, lamentou.

Chris entrou em contato com a história gloriosa do Corinthian quando conheceu o Corinthians, em 2001. Integrante da delegação britânica que tirou dinheiro do próprio bolso (em 2015, o presidente Mário Gobbi aceitou arcar com as despesas) para disputar um amistoso no Parque São Jorge naquele ano, ele se encantou com a paixão que encontrou no Brasil. Abdicou do sonho de ser jogador profissional, passou a estudar o passado do time de Tolworth e achou por bem usar a sua formação em cinema para produzir um documentário.

Brian Vandervilt, presidente do Corinthian-Casuals, fez pessoalmente a aproximação da torcida brasileira
Brian Vandervilt, presidente do Corinthian-Casuals, fez pessoalmente a aproximação da torcida brasileira – Credito: Sergio Barzaghi/Gazeta Press
“O filme ‘Vai, Corinthians’ se propõe a contar a história inglesa do Corinthians brasileiro. Tivemos jogadores fantásticos no nosso clube e optamos pelo amadorismo. Inspiramos o Real Madrid a se vestir de branco, goleamos o Manchester United por 11 a 3… Tudo isso que quem é torcedor sabe. Então, queremos fazer os torcedores brasileiros do Corinthians sentirem orgulho de onde vêm”, bradou o corintiano Chris, apesar de ser torcedor do Liverpool em seu país. “No Mundial de Clubes de 2005, tive dois motivos para torcer contra o São Paulo”, brincou.

Muitos corintianos já sentiam orgulho de suas raízes antes mesmo de o Corinthian-Casuals retornar ao Brasil e esbanjar simpatia por onde passou – em aeroportos, na quadra de uma torcida organizada, em arquibancadas da Copa São Paulo, na Praça da Sé e até no Cristo Redentor. Nos últimos anos, as recorrentes visitas de torcedores brasileiros à King George’s Arena e os litros de cerveja comprados no bar do clube colaboraram bastante com as finanças do time inglês.

Segundo Chris, o Corinthians também tem a ganhar caso estreite ainda mais os seus laços com o Corinthian-Casuals. “Antes dessa viagem, o Corinthians Paulista só aparecia nos jornais ingleses por causa de brigas da Gaviões, pelos atrasos na construção da arena… Agora, com o nosso tour, as notícias são todas positivas. O Corinthians passou a ser o bom time que ajudou um clube amador”, disse.

Público corintiano abraçou o
Público corintiano abraçou o “pai” britânico, com direito até a produção de faixas – Credito: Sergio Barzaghi/Gazeta Press
O ex-presidente Andrés Sanchez já disse que planeja até mudar os rumos dos encontros com o Corinthian-Casuals, levando o seu clube à Inglaterra em um futuro próximo. “Vamos ajudar o Corinthians a invadir a Europa, porque eles querem construir algo grande lá também. Se forem enfrentar o Real Madrid, por exemplo, a história será que esses dois clubes foram inspirados no Corinthian. Estamos sendo ajudados, mas podemos ajudar também”, sorriu Chris Watney.




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