Neymar Jr. vive um momento de apreensão às vésperas da Copa do Mundo. Após se apresentar à Seleção Brasileira, o jogador do Santos realizou exames médicos e foi diagnosticado com uma lesão de grau 2 na panturrilha direita, o que coloca em xeque sua participação no Mundial.
Em entrevista à Gazeta Esportiva, o fisioterapeuta João Barboza, especialista pela Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física (Sonafe Brasil), explicou a contusão sofrida pelo craque e analisou a possível recuperação visando o retorno aos gramados.
“Uma lesão grau dois na panturrilha exige uma recuperação em etapas. O atleta precisa passar por exercícios de fortalecimento, trabalhos de reatividade e, só depois, voltar gradualmente à corrida e aos movimentos de alta intensidade, como aceleração, desaceleração e mudança de direção. A panturrilha é muito exigida nessas ações, então o retorno precisa ser extremamente controlado”, justificou.
“O grande desafio no caso do Neymar é o tempo até a Copa do Mundo. O ideal seria um processo mais cauteloso, mas em um torneio de tiro curto muitas vezes algumas fases acabam sendo aceleradas. Essa decisão passa por uma análise de risco-benefício feita entre departamento médico, comissão técnica e o próprio atleta”, acrescentou.
(Foto: Nelson Almeida/AFP)
O que é uma lesão de grau dois?
Uma lesão muscular pode ser classificada entre graus um, dois ou três. Como no caso de Neymar, uma lesão de grau dois é definida pela ruptura parcial mais grave do músculo, que pode causar dor moderada, inchaço e perda parcial de força e função.
A lesão de grau um envolve a ruptura de apenas algumas fibras musculares ou tendinosas, causando dor leve e mínima perda de força. Já a lesão de grau três, mais grave, ocorre quando há ruptura total do músculo ou separação do tendão, com dor intensa e perda quase total de função.
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Risco de novas lesões
Ao falar sobre o processo de recuperação, o fisioterapeuta João Barboza alertou para o risco de novas lesões em caso de volta apressada aos campos.
“Retornos precoces após lesões musculares aumentam bastante o risco de recidiva. Nas lesões de panturrilha, a taxa de nova lesão gira em torno de 13% no futebol profissional. Quando esse processo é acelerado, cresce também a possibilidade de o atleta sofrer outra lesão muscular, seja na mesma região ou em outro local”, explicou.
“O controle de carga, minutagem e intensidade dos treinamentos será fundamental nesse processo. Muitas vezes o atleta não sente dor no dia a dia, mas os sintomas aparecem em ações de alta intensidade, como arrancadas e mudanças bruscas de direção. Por isso, toda a exposição ao treino e aos jogos precisa ser monitorada de forma muito criteriosa”, concluiu.
Qual o prazo de retorno?
Com a lesão, Neymar está fora dos últimos dois amistosos da Seleção Brasileira antes da Copa do Mundo, contra o Panamá, no dia 31 de maio, e diante do Egito, em 6 de junho.
Se a recuperação correr dentro do prazo mais otimista, o atacante pode ficar à disposição de Ancelotti para a estreia do Brasil no Mundial. O primeiro compromisso da equipe brasileira no torneio está marcado para o dia 13 de junho, contra o Marrocos.