Mais maduro após 'pancada', Matheus Cunha se anima com Diniz na Seleção: "Me sinto confortável"

Imagem ilustrativa para a matéria
Foto: Vitor Silva/CBF

Depois de ficar de fora da Copa do Mundo de 2022, Matheus Cunha vive a expectativa de se firmar na Seleção Brasileira com Fernando Diniz. Neste domingo, o atacante concedeu entrevista coletiva e destacou a sua satisfação em poder trabalhar com o novo técnico.

“É longe, mas é perto (Copa de 2026). Para essa Copa de 2022, eu lembro que no começo do ciclo eu ia para a Seleção sub-20, depois veio as Olimpíadas e depois eu briguei por uma posição na Copa. Esses quatro anos que parecem distantes, passam que você nem percebe. O que resta é trabalhar e estar focado. Pegar o trabalho de início, te dá confiança, te faz entrar em uma experiência nova, aprender e crescer", disse.

"Sem dúvida, tudo isso, toda essa expectativa, essa forma de jogar, que eu identifico muito, te deixa cada vez mais feliz. É um esquema com um atacante que se movimenta, circula bastante, que joga e aparece. Me sinto confortável para fazer as coisas que ele pede e espero responder a altura”, ampliou.

O jogador de 24 anos ainda aproveitou para exaltar Diniz e destacar o seu importante papel de liderança. O atleta  lembrou da preleção do treinador antes da goleada sobre a Bolívia.

“Acredito que são palavras que muitos jogadores de futebol precisam escutá-las, Isso mexe muito com a gente. A gente parece estar em um pedestal, intocável, mas somos meros jovens, filhos, pais e amigos. Por toda força e capacidade para chegar onde chegamos, muitas vezes duvidamos de nós mesmos. Ter alguém levando o seu barco com esse pensamento é algo incrível e que nos motiva muito. A gente até brinca que a gente via vídeos dele e imaginava ele mais bravo e duro, mas quando ele fala de forma tão humana, ficamos muito motivados. Colocamos sentimentos em campo que não tínhamos. Nos motiva, sem dúvidas”, pontuou.

Campeão olímpico em Tóquio, Matheus Cunha brigou por uma vaga no elenco de Tite no Catar, mas acabou ficando de fora da lista final. Ele revelou que, na época, foi uma pancada, mas destacou que atualmente está mais maduro e pronto para os novos desafios.

“É muito difícil falar o que foi (ver a Copa de longe). A imprensa quer estar na Copa, jogador quer estar, os trabalhadores querem folga para assistir a Copa do Mundo. Nós, brasileiros, vivemos algo com a Copa do Mundo que é inexplicável. Imagina participar e dar orgulho ao seu país. É algo muito grande. Às vezes, muito novo, você sente uma pancada maior do que é. Às vezes isso te dá mais força, maturidade, experiência e cabeça para poder disputar, passar por todas situações", declarou.

"O Diniz resgata muito na gente que apesar da gente ser herói, passar por dificuldades muito grandes, conseguir realizar nosso sonho e de muitos brasileiros, somos seres-humanos. É um momento de crescimento muito grande. Mudar de clube, voltar à Seleção, sentir voltar a ser protagonista, é muito gratificante e motivante”, completou.

Apesar da pouca idade, Matheus Cunha já tem longa carreira na Europa. Ele passou por FC Sion, da Suíça, RB Leipzig, da Alemanha, Herta Berlim, da Alemanha, Atlético de Madrid, da Espanha, e Wolverhampton, da Inglaterra, onde está atualmente.

A mudança para o clube inglês, inclusive, agradou muito o atacante, que entende que a Premier League é o melhor campeonato do mundo.

“É um momento muito especial que eu estou vivendo. Sem dúvida nenhuma, todo jogador, ser humano, passa por um momento de dificuldade. Sem dúvidas toda aquela expectativa que gera uma Copa do Mundo é um peso muito grande. Essa mudança de ares, um clube novo, ser protagonista, uma liga maravilhosa, tudo isso te anima e te coloca lá em cima. O Diniz me deu, mais uma vez, a oportunidade de realizar um sonho de criança, estar convocado, disputar um jogo pela Seleção, é algo mágico e muito gratificante”, detalhou.

“Eu acredito que, com toda humildade, pelos campeonatos que eu passei, a Premier League é o melhor campeonato. Estar em um nível desse te faz crescer muito. Disputar contra os melhores tem que subir o sarrafo, te colocar lá em cima, fazer o melhor para ganhar deles. Sou muito feliz de estar lá e ter um protagonismo no clube em que estou. Ficar um tempo grande na Premier é motivante”, complementou.

Depois de golear a Bolívia por 5 a 1, a Seleção Brasileira se prepara para enfrentar o Peru, nesta terça-feira, pela segunda rodada das Eliminatórias Sul-Americanas. O embate está marcado para as 23 horas (de Brasília), no Estádio Nacional do Peru, em Lima.

Veja outros trechos da coletiva de Matheus Cunha:

Briga por posição com Richarlison
“A melhor forma de ganhar posição é os dois estarem no melhor estágio possível. É um momento que todos passam. Errar é completamente humano. O mais importante é a vitória da Seleção. Temos uma responsabilidade em algumas situações. Convivo com isso há muito tempo. Quero que todos os meus concorrentes estejam no melhor nível possível. Para eu ganhar deles, eu vou ter certeza que estou no meu melhor nível. São coisas do futebol. Ele (Richarlison) é um grande jogador. Quero estar no meu melhor nível. A disputa é com ele e comigo”

Já viu algum time como o do Diniz?
“É impossível ter visto algum time como o Diniz, ainda mais na Europa que temos uma cultura tão posicional. Está sendo animado para todo mundo que está participando. Temos um senso de aprendizado muito forte. Quando vem algo tão novo e inovador, desperta aquela curiosidade de criança de querer o mais rápido possível assimilar. No treino de hoje teve uma mudança que a linha de quatro passou para o meio e a saída de bola foi feita pelo Neymar e Richarlison. Temos que entender que às vezes vamos estar em situações que jamais imaginaríamos. Sem dúvida nenhuma é um aprendizado muito grande. Fazer algo de parte tão diferente é muito animador”

Conquistar o torcedor
“Reconquistar o torcedor é uma frase tão marcante para nós que estamos aqui dentro. Eu fiz minha carreira toda na Europa e quero conquistar antes de reconquistar. O sentimento de poder representar o seu povo fora do país é algo tão grandioso, é um sentimento que o seu sonho se torna realidade. É animador ver a identificação. O orgulho dos torcedores é muito parecido com o orgulho que temos de vestir a camisa da Seleção. Quanto mais a gente passa por dificuldades, maiores ficamos. Construímos coisas a partir de adversidades. Tudo isso que já vivi me faz mais forte. O legado dos 9 do Brasil é gigante. Espero que essa minha confiança passe para dentro de campo. É um processo que está sendo construído. Internamente achamos que é um processo muito bonito”

Conteúdo Patrocinado