Gol histórico de Adriano: Luis Fabiano se orgulha por ser coadjuvante

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O árbitro paraguaio Carlos Amarilla levanta o braço sinalizando aos seus auxiliares mais três minutos de acréscimo. Era ele o responsável por apitar a 41ª final de Copa América, disputada, há onze anos, entre Brasil e Argentina, no estádio Nacional, em Lima, no Peru. A partida estava 2 a 1 para a Argentina, que tinha marcado seu segundo gol com Delgado, aos 42 minutos da etapa final.

Enquanto os torcedores argentinos já comemoravam o título, Diego Ribas, na época jogador do Santos, cruzou no último minuto de jogo a bola para a área. O fim da jogada com Adriano, provavelmente, está na memória daqueles que assistiram àquela final. Porém, poucos se lembram de que o cruzamento de Diego não chegou direto ao Imperador.

“Foi um jogo muito disputado, levamos o segundo gol no finalzinho e acreditamos no empate até o fim. Lutamos muito e fomos recompensados com o gol no tempo normal e a vitória nos pênaltis”, conta o coadjuvante decisivo da jogada, Luis Fabiano, jogador do São Paulo, o destinatário do cruzamento feito por Diego.

O atacante, na época com 24 anos, saltou e ganhou a dísputas de dois zagueiros argentinos conseguindo um toque com o calcanhar. No chão, viu seu companheiro de ataque emendar um chute certeiro no canto esquerdo do goleiro Abbondanzieri. “Eu lutei pela bola no alto, tentei dominá-la, mas felizmente ela sobrou para o Adriano fazer o gol”, conta o jogador, que terminou a competição com dois gols marcados e um passe histórico. “Está entre os jogos mais emocionantes da minha carreira pelas circunstâncias da partida e por ser uma final contra a Argentina, que é nosso grande rival”.

Adriano marcou o gol, no apagar das luzes, que iniciou a reviravolta brasileira pelo título de 2004

Adriano marcou o gol, no apagar das luzes, que iniciou a reviravolta brasileira pelo título de 2004 - Credito: AFP

Outra partida emblemática no confronto entre Brasil e Argentina aconteceu nas quartas de final da Copa América de 1997. O jogo ficou marcado pelo gol de mão de Túlio Maravilha, aos 36 minutos do segundo tempo, que deu o empate por 2 a 2 para a Seleção Brasileira. O resultado levou a decisão para os pênaltis.

Roberto Carlos e Túlio Maravilha converteram as duas primeiras cobranças, porém, André Cruz foi um coadjuvante que sentiu um gosto amargo ao errar seu arremate. “Cobrança de pênaltis não é loteria, é competência”, opina o ex-jogador André, que hoje administra uma escolinha de futebol em Campinas. “Nos treinos eu fiz todos os gols de pênalti, mas no jogo não fiz uma boa cobrança, porque a bola foi à meia altura”, recorda-se.

Apesar da má cobrança, o desfecho do embate foi positivo para a Seleção Brasileira. O goleiro Taffarel defendeu os outros dois pênaltis argentinos. Dunga e Edmundo converteram as cobranças e colocaram o Brasil na semifinal da competição. “Você acaba se preparando muito mais para esse tipo de jogo”, confessa André. “São duas seleções campeãs do mundo, que conquistaram diversos títulos e por serem vizinhas a rivalidade é ainda maior”, conclui o ex-zagueiro, hoje com 46 anos.

O Brasil terminou campeão do torneio, vencendo na semifinal, também nos pênaltis, a seleção uruguaia e na final, a Bolívia, anfitriã da competição naquele ano, por 3 a 1. Após a conquista do quinto título de Copa América, Zagallo, então técnico da equipe Canarinho, comemorou a vitória com a célebre frase: “Vocês vão ter que me engolir”.

"Eu lutei pelo alto, tentei dominá-la, mas felizmente ela sobrou para o Adriano fazer o gol”, disse o Fabuloso - Credito: AFP

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