Endrick diz que "precisa estar" na Copa e não quer filho jogador: "Futebol não é agradável"

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Foto por JULIO AGUILAR / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP

Endrick segue sonhando com uma vaga na Seleção Brasileira para a Copa do Mundo. Em entrevista ao jornal The Guardian, o atacante não escondeu o seu desejo de ser convocado por Carlo Ancelotti.

"Meu primeiro desejo é jogar a Copa do Mundo. Preciso estar lá. Esse é o meu primeiro pensamento. Antes de pensar no título, preciso fazer bem o meu trabalho no Lyon. Estou focado aqui. Preciso jogar bem nessas partidas restantes para garantir minha vaga. Meu sonho é jogar a Copa do Mundo e ajudar meu país. Darei o meu melhor para ajudar o Brasil", disse.

O atacante de 19 anos voltou a ganhar oportunidade com a camisa amarela na última Data Fifa. Acionado nos 15 minutos finais da partida contra a Croácia, Endrick teve participação decisiva: deu uma assistência e ainda sofreu o pênalti convertido por Igor Thiago. Essa foi a primeira aparição do atacante pela Seleção desde que Ancelotti assumiu o comando.

"Foi uma noite de dúvidas e um senso de urgência, eu sabia que poderia ser minha última chance. Rezei muito. Sabia que aquele dia poderia ser um ponto de virada para mim. Joguei bem, uma das minhas melhores atuações. Consegui me livrar daqueles pensamentos negativos, daquele senso de urgência, daquela pressão para jogar bem, de que poderia ser minha última chance", afirmou.

"Isso me ajudou a tirar o peso dos meus ombros porque eu sabia que precisava jogar bem para chegar à Copa do Mundo. Mas consegui me livrar desse pensamento, não deixei que me afetasse e fiz uma ótima partida", acrescentou.

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A seca da Seleção Brasileira

Além da pressão por uma vaga na Copa do Mundo, a Seleção Brasileira como um todo carrega o peso de 24 anos sem conquistar o torneio. Endrick, no entanto, afirmou que esse tipo de cobrança não o afeta.

"Não dou mais atenção ao que os outros dizem. Quando você tira tudo isso da sua vida, as coisas ficam mais fáceis. Quando me afastei, concentrei-me apenas em jogar futebol e dar o meu melhor pela minha equipe. Quando você ignora o que acontece fora de campo, começa a ter um desempenho melhor dentro dele. Essa é a chave para os jogadores de futebol. Trabalhe duro pela equipe e não se preocupe com as críticas", disse.

Apesar disso, Endrick também comentou que nem sempre conseguiu ignorar as críticas. "Quando comecei, eu lidava muito mal com as redes sociais e as críticas. Saía do campo e ia direto para o Twitter (agora X), para as redes sociais, para ver o que as pessoas estavam dizendo sobre mim. Eu queria inflar meu ego. Mas isso não é bom. Graças a Deus, essa fase acabou. Quando a partida termina, eu me mantenho calmo e me concentro na minha recuperação. Não me importo mais com essas críticas", ampliou.

Expectativa do futuro pai

Além da expectativa pela Copa do Mundo, Endrick também vive um momento marcante fora de campo. O atacante e sua esposa, Gabriely Miranda, anunciaram que serão pais no fim do ano. Apesar da ligação direta com o futebol, Endrick deixou claro que não deseja que seu filho siga a carreira de jogador profissional.

"Espero que ele ou ela se torne uma grande pessoa, um grande ser humano. E que me veja fora de campo como uma pessoa normal, não como Endrick, o jogador de futebol. O futebol não é um lugar agradável. É um ambiente muito difícil. Espero que ele ou ela se torne um advogado, um médico ou qualquer outra coisa, e que possa ser feliz em seu próprio mundo", disse.

 

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Período conturbado durante a lesão

No fim da temporada passada e no início da atual, Endrick enfrentou problemas físicos que o afastaram de algumas partidas pelo Real Madrid. Ao falar sobre o assunto, o atacante brasileiro relatou como lidou com esse período turbulento e os desafios enfrentados em um momento delicado de sua carreira.

"Sofri uma lesão complicada e perdi muito tempo. Isso me afastou de muitas lutas, treinos e trabalho. Não pude competir. Quando você se lesiona, perde tudo. Perde a chance de lutar por uma vaga. São coisas que estão além do meu controle. Eu estava com muito medo. Chorei várias vezes. É algo que se faz em particular", comentou.

"Eu não sabia como lidar com a minha lesão, o que esperar. Você não sabe se vai ter uma recaída, se vai manter a força, se vai voltar mais fraco. Isso te afeta muito. Você fica com medo do futuro. Mas eu sabia que tinha que continuar. Se eu tivesse me machucado de novo, teria que passar por todo o processo novamente. Eu sabia que, quando voltasse, teria que dar o meu melhor", concluiu.

Chegada e adaptação em Madrid

Endrick chegou ao Real Madrid com apenas 18 anos. Apesar da pouca idade, o processo de adaptação foi facilitado pelo ambiente no elenco, formado em sua maioria por jovens atletas. Nesse início de trajetória na Europa, Bellingham se destacou como seu principal parceiro.

"Bellingham foi muito importante para mim. Ele me fez sentir bem-vindo ao clube. Eu não falava inglês muito bem, mas ele conversou comigo, tentou falar um pouco de espanhol, esteve ao meu lado e me deu conselhos. A amizade dele foi importante para mim no meu início no Real Madrid. Isso realmente teve um impacto em mim", começou Endrick.

"Eu tinha uma certa impressão dele antes de chegar, mas ele era completamente diferente. Ele é um jogador incrível e uma pessoa incrível também, especialmente quando se trata de amizade. Isso foi o que mais me impressionou nele", acrescentou;

Outra inspiração no clube para Endrick foi Luka Modric. "Foi o jogador que mais me impressionou no Real Madrid, 100%. Ele é um cara que me ensinou muito no meu primeiro ano. Não só nos treinos, mas também nos jogos. Foi uma verdadeira aula de futebol. Ele tinha 40 anos e era muito forte. Treinava todos os dias. Quando não estava jogando, ia para o clube treinar, fazendo seus próprios treinos extras. O jeito que ele joga é incrível. Ele sempre me dava dicas, me dizendo o que eu deveria fazer em campo. Isso me ajudou muito. Ele foi um dos caras mais incríveis que já conheci no futebol" disse o jogador.

 

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