Em sua segunda passagem pelo comando da Seleção Brasileira, Dunga segue invicto diante do Chile. Até o momento, foram sete partidas e sete vitórias do treinador sobre o primeiro adversário das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018. Porém, a equipe de Jorge Sampaoli vem embalada pela conquista da Copa América em casa e provoca cautela no discurso do técnico brasileiro.
“Enfrentei bastante o Chile. Foram sete jogos e não perdemos nenhum jogo, vencemos todos. Mas essa é outra fase, um momento diferente para a equipe do Chile. Não adianta falar, tem que jogar. São 90 minutos”, avisou o treinador em participação no Sportv. Válido pelas Eliminatórias, o confronto acontece no dia 8 de outubro, às 20h30 (de Brasília), no Estádio Nacional, em Santiago.
Dunga, no entanto, vê uma diferença no tratamento conferido ao Chile. Para o comandante, o Brasil nunca foi tão exaltado desta maneira por uma conquista da Copa América. “Nós temos no DNA a obrigação de ganhar sempre. O Chile ganhou a Copa América, mas quando nós ganhávamos parecia uma coisa normal, o Brasil era obrigado a ganhar”, analisou.
“Temos que assumir a nossa responsabilidade, não adianta criar álibi. Dos 11 atletas que jogaram a Copa como titulares, 10 jogavam na Europa”, destacou. O único jogador que não atuava no Velho Continente era o goleiro Júlio César, em ação pelo Toronto FC, do Canadá. “Não adianta apontar uma pessoa como culpada de tudo. Temos que repartir a responsabilidade na vitória e na derrota. Calma, calma. Temos jogadores importantes em clubes europeus e em bom nível no futebol brasileiro”, lembrou Dunga.
Para Dunga, as novas arenas brasileiras têm melhorado a condição técnica dos atletas (foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)
“Quando o jogador vem para a Seleção, ele tem dificuldade com o campo molhado. Os que conseguem jogar com um ou dois toques se adaptam rápido, mas alguns carregam mais a bola e demoram mais para se adaptar. Só agora as arenas novas estão ajudando nessa questão. Os nossos jogadores foram muito cedo para a Europa e lá não tem essa cobrança do Brasil. Quando chegam na Seleção, leva um pouquinho para se adaptar”, explicou.
Também nesta noite, o auxiliar Gilmar Rinaldi valorizou a experiência da delegação pentacampeã mundial. Embora concorde com a opinião do colega de comissão técnica, Dunga alertou para o momento de reconstrução vivido pela Seleção. “A experiência é valida, mas a gente não pode levar o jogador só pela experiência, ele tem que estar em um bom momento. A gente tem trabalhado bastante com os jogadores, não tivemos Eliminatórias antes da Copa passada, e teve essa troca de geração”, começou Dunga.
“Alguns jogadores que poderiam estar conosco não estão tão bem em seus clubes, foram se perdendo com o passar do tempo. Então temos que procurar jogadores jovens já com experiência de futebol europeu que possam agregar ao grupo”, explicou, fazendo referência a nomes como Neymar e Philippe Coutinho, que já atuam na Europa há mais tempo.
“(A Copa América) é uma competição totalmente diferente, onde o contato físico é diferente de qualquer outro campeonato. Graças a ela, agora os jogadores vão entender como é o jogo das Eliminatórias, e cada jogo é uma decisão. Cada bola, um campeonato. No contato um contra um, temos que vencer o duelo físico”, concluiu o treinador.