COPA DO MUNDO 2018 RÚSSIA

Natural de Maceió, capital do Alagoas, Roberto Firmino, único nordestino da Seleção Brasileira era até pouco tempo atrás um dos jogadores brasileiros mais desconhecidos entre o grande público. O atacante iniciou sua trajetória como profissional no Figueirense em 2009. No ano seguinte, foi fundamental para o Figueira subir para a Série A, com o time sendo vice-campeão da Série B do Campeonato Brasileiro.

No dia 1º de janeiro de 2011, a vida do atacante mudaria. O Hoffenheim, da Alemanha pagou quatro milhões de euros (aproximadamente R$ 18 milhões na cotação atual) para tirá-lo de Santa Catarina. O mais curioso da negociação é que o olheiro do clube alemão descobriu Roberto Firmino pelo Football Manager, um jogo que permite a atuação de alguém como manager de uma equipe de futebol.

Nos gramados alemães, Firmino se destacou, com 153 jogos e 49 gols. No Campeonato Alemão da temporada 2013-14, anotou 16 tentou, e deu 12 assistências, e foi eleito a revelação do torneio naquela edição. O excelente desempenho na equipe chamou a atenção do técnico Dunga, que o convocou pela primeira vez para vestir a Amarelinha em 2014. Além disso, o Liverpool gastou 41 milhões de euros (cerca de R$ 142 milhões) para contratá-lo um ano depois.

Na terra dos Beatles, o alagoano se encaixou muito bem no esquema de Jurgen Klopp, virando titular incontestável logo de cara. Depois da saída de Philippe Coutinho do time inglês para o Barcelona, Firmino, junto com Salah e Mané formaram um trio de ataque poderoso. Na última temporada foram 54 jogos e 27 gols, sendo 10 deles na Liga dos Campeões, competição em que os Reds ficaram com o vice-campeonato, perdendo para o Real Madrid.

Entretanto, ainda não conseguiu ser um grande destaque na Seleção. 2015 foi o ano em que mais jogou, 9 partidas e três gols marcados, participando da campanha medíocre na Copa América, que resultou na eliminação precoce para o Paraguai, nos pênaltis, ainda nas quartas de final

No momento, Roberto Firmino é o reserva imediato de Gabriel Jesus. No entanto, os excelentes números fazem com que o atacante possa ser titular na vaga do atacante do Manchester City. Do anonimato, o atleta é uma das grandes estrelas e esperança para o Brasil de Tite vencer a Copa do Mundo na Rússia.



Nesta quinta-feira, será dado o pontapé inicial para a Copa do Mundo, na Rússia. O Brasil só entrará em campo no domingo, contra a Suíça. No clima da competição, a UnitFour, empresa fornecedora de dados realizou um levantamento que chegou ao resultado de que 6% da população brasileira viu a Seleção ser cinco vezes campeã do mundo.

Dentro desta porcentagem, as mulheres aparecem como a maioria: 50% do total. Os homens, por sua vez, representam 48%. Os outros 2% levantados pela pesquisa são de gêneros não identificados.

Gráfico aponta que as mulheres em maioria viram os cinco títulos do Brasil (Foto: Reprodução)

A estimativa feita considera apenas aqueles com idade superior a cinco anos, na data de cada um dos títulos erguidos pelo Brasil (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002). A população que continua viva desde a primeira conquista, está na faixa dos 65 e 85 anos.

Já nos outros títulos, 9% da população viu a Seleção campeã em 1962, 14% a partir de 1970, 33% em 1994, e finalmente, 38%, a grande maioria acompanharam o penta em 2002.

Porcentagem da população brasileira que acompanhou cada título (Foto: Reprodução)

O Brasil é o maior campeão da Copa do Mundo, com cinco taças. A Alemanha, empatada com a Itália, vem logo atrás com quatro conquistas. Entretanto, os italianos não estarão na Rússia. A equipe comandada pelo técnico Tite está no Grupo E do torneio com: Suíça, Costa Rica e Sérvia.




Conhecida por seu sólido sistema defensivo, a Suíça será o primeiro adversário da Seleção Brasileira na Copa do Mundo. Ciente do bloqueio a ser implementado pelos europeus, o volante Paulinho pede paciência para que o time canarinho estreie com vitória no Mundial da Rússia.

“Tive a experiência de enfrentar a Suíça uma vez e imagino que eles vão jogar com uma linha de marcação baixa, bem forte. Sabemos que vai ser uma partida muito difícil, de Copa do Mundo. No futebol de hoje, há uma competitividade muito grande, então precisamos colocar na cabeça que o jogo vai ser duríssimo. Com paciência, vamos conseguir criar chances de gol”, avaliou o meio-campista.

Para ir se acostumando a escolas que privilegiam a defesa, a equipe dirigida por Tite disputou amistosos contra Croácia e Áustria nas últimas semanas. Com vitórias por 2 a 0 e 3 a 0, respectivamente, o Brasil passou no teste e ganhou confiança para o primeiro compromisso na Copa.

“Enfrentamos seleções com linha baixa e cinco atrás. Os dois jogos serviram para observarmos o que vamos encontrar na Copa do Mundo. Alguns times jogam com linha baixa e defendem bem. É difícil de infiltrar, mas, se mantivermos paciência e tranquilidade, vamos conseguir criar oportunidades”, reiterou.

Na última quarta-feira, durante o treino da tarde, Tite fincou balizas estáticas no gramado para simular o posicionamento das linhas de defesa da Suíça. Para superá-las, os auxiliares Matheus Bachi e Cleber Xavier orientaram os atletas nas ações ofensivas.

“Sabemos das dificuldades que vamos enfrentar. No empate contra a Inglaterra (em 2017), tivemos dificuldade de entrar e, depois, nos adaptamos. É difícil? Sim, mas temos capacidade para superar esse tipo de adversidade”, concluiu Paulinho.

Integrantes do Grupo E, Brasil e Suíça se enfrentam no próximo domingo, a partir das 15 horas (de Brasília), em Rostov. Costa Rica e Sérvia completam a chave.



Presidente da AFA foi bastante duro ao comentar sobre Coronel Nunes (Foto: AFP)

O descumprimento do pacto firmado entre federações sul-americanas por parte do presidente da CBF, Coronel Nunes, na votação para eleger a sede da Copa do Mundo de 2026 não repercutiu bem entre os cartolas que estão na Rússia. Nesta quinta-feira, o presidente da AFA (Associação Argentina de Futebol) criticou duramente o sucessor de Marco Polo Del Nero, categorizando o ato como “traição”.

Na última quarta-feira, Coronel Nunes acabou votando no Marrocos para sediar o Mundial de 2026, no entanto, todas as federações que fazem parte da Conmebol já haviam acordado que votariam na candidatura tripla composta por México, EUA e Canadá.

“Não me pareceu bom o que fez o Brasil. Havíamos combinado de votar nos Estados Unidos e eles não honraram a sua palavra. A simpatia, às vezes, leva a traição. Quando os homens fazem um acordo, precisam cumprir”, disse Claudio Tapia, presidente da AFA.

Mesmo com o descumprimento da CBF, a candidatura tripla acabou vencendo a disputa com Marrocos, e, desta forma, a Copa do Mundo de 2026 será realizada nos EUA, México e Canadá. Nesta quinta-feira, em encontro com os demais cartolas de federações sul-americanas, Coronel Nunes não apareceu, sendo substituído por Rogério Caboclo, presidente eleito, mas que só tomará posse em abril de ano que vem.

O temor agora é que clubes brasileiros sejam prejudicados em competições sul-americanas pela Conmebol em decorrência da “traição” de Coronel Nunes. Complicações com a arbitragem e questões relacionadas à logística dos times na Libertadores e Sul-Americana são as principais dores de cabeça de quem acompanha os bastidores.



Iniciada no Corinthians, entre 2010 e 2013, a parceria entre Paulinho e Tite se transferiu para a Seleção Brasileira. O volante, prestes a disputar a sua segunda Copa do Mundo, revelou um pedido do treinador, que o incumbiu de deixar Philippe Coutinho mais solto no campo de ataque.

“Eu já trabalhei com o professor Tite e algumas vezes ele pedia que eu baixasse um pouquinho, fosse mais organizador e deixasse outro com mais liberdade no Corinthians. E, aqui na Seleção, foi o que aconteceu. Ele me pediu para organizar mais e liberar mais o Coutinho, que tem uma qualidade impressionante”, contou o camisa 15.

A orientação de Tite, contudo, não deve ser um impeditivo para que Paulinho continue aparecendo como elemento surpresa quando o time precisar furar o bloqueio adversário. Seja como for, ele se coloca à disposição de seu comandante de longa data.

“O que mais quero fazer é ajudar. Houve isso nessa partida (contra a Áustria). É uma característica dele estar mais próximo do gol. Eu não vejo problema algum, o que for para ajudar a Seleção eu vou fazer”, acrescentou.

Antes de atingir um novo patamar no Brasil, no entanto, Paulinho precisou lidar com críticas, sobretudo após a humilhante derrota por 7 a 1 para a Alemanha na semifinal da Copa de 2014, quando vivia má fase no Tottenham, da Inglaterra. O passado difícil, segundo o jogador, o prepara para o novo desafio de levar a Seleção ao hexacampeonato mundial.

“Na minha carreira sempre foi dessa forma, superando adversidades. Em vários lugares houve desconfiança, críticas, mas nunca deixei de ser profissional e respeitar a todos. É difícil chegar a uma Seleção Brasileira, mas agora também é difícil sair. Em todas as convocações eu aprendo de alguma forma, em treinamentos, fora de campo. Não me sinto pressionado, e sim privilegiado por disputar mais uma Copa do Mundo e chegar no melhor momento da minha carreira e da minha vida”, concluiu.

Integrante do Grupo E, o Brasil fará sua estreia diante da Suíça, no próximo domingo, às 15 horas (de Brasília), em Rostov. Costa Rica e Sérvia completam a chave.



Achilles é mais um animal vidente em Copas do Mundo (Foto: Olga MALTSEVA / AFP)

O gato Achilles já começou a fazer suas previsões para a Copa do Mundo na Rússia. E a notícia é boa para os anfitriões: de acordo com o animal vidente, a equipe irá derrotar a Arábia Saudita no primeiro duelo do Mundial, nesta quinta-feira, às 12h00 (horário de Brasília).

Escolhendo entre dois potes de comida, Achilles hesitou em um primeiro momento, mas acabou por escolher o recipiente com a bandeira russa, indicando o vencedor da partida de abertura da Copa.

O felino conta com um grande trunfo ao seu favor: é surdo. Com isso, possui uma habilidade natural de não se desconcentrar com barulhos externos. Aliado a isso, está a capacidade do gato de escolher e analisar.

Achilles vive no Hermitage, museu localizado em São Petersburgo, na Rússia. O gato deverá fazer previsões por toda a duração do Mundial. Resta saber se ele irá acertar os seus palpites.



Arte: AFP

A Copa do Mundo da Rússia começa nesta quinta-feira cercada de expectativa. Além do tradicional encontro entre grandes forças do futebol, na maior competição do planeta, várias seleções chegam fortes ao torneio. No caso específico do Brasil, a reação após a goleada de 7 a 1 para a Alemanha no último Mundial, passa pelo bom trabalho de Tite. A Seleção Brasileira é uma das principais favoritas, assim como o próprio escrete alemão.

Neste Mundial, não dá para descartar a força da Espanha, mesmo com a crise que culminou com a demissão do técnico Julen Lopetegui a dois dias da estreia da Fúria. Portugal e Argentina apostam nas suas estrelas.

Cristiano Ronaldo tenta repetir o feito da Eurocopa de 2016, quando levou a seleção lusa ao título. Lionel Messi quer apagar os péssimos históricos com a seleção platina. Já a França, com uma nova geração invejável, pode beliscar o caneco. A Inglaterra e Uruguai correm por fora, enquanto que a Bélgica é novamente a aposta para uma possível surpresa.

“Talvez tenhamos uma das Copas mais equilibradas, pois muitas seleções chegam em boas condições de lutar pelo título. A nossa expectativa é de bons jogos, uma esperança que se renova com a chegada de cada Mundial”, projetou o ex-jogador russo Salenko, um dos principais nomes da história do futebol do país da Copa. Ele foi artilheiro no Mundial de 1994 ao lado do búlgaro Stoichkov.

Arte: AFP

O jogo de abertura acontece nesta quinta-feira, às 12 horas (de Brasília), quando Rússia e Arábia Saudita duelam no Estádio Luzhniki, em Moscou. Antes acontece a festa de abertura, desta vez mais enxuta do que as edições anteriores, com apenas quarenta minutos de espetáculo. As atrações serão o cantor britânico Robbie Williams e a soprano russa Aida Garifullina. O apresentador será o ex-atacante Ronaldo Fenômeno.

“A nossa expectativa é a de um grande evento. A Rússia se preparou muito para isso e tenho certeza de que fará uma festa muito bonita”, disse Giovanni Infantino, presidente da Fifa.

Será, inclusive, o primeiro Mundial pós-escândalo da Fifa, que culminou com a prisão de vários dirigentes. Além disso, é a primeira vez que a tecnologia será adotada em um torneio de grandes proporções, com a utilização do árbitro de vídeo.

Abaixo, a relação de campeões da Copa do Mundo:

2014 – Alemanha
2010 – Espanha
2006 – Itália
2002 – Brasil
1998 – França
1994 – Brasil
1990 – Alemanha Ocidental
1986 – Argentina
1982 – Itália
1978 – Argentina
1974 – Alemanha
1970 – Brasil
1966 – Inglaterra
1962 – Brasil
1958 – Brasil
1954 – Alemanha Ocidental
1950 – Uruguai
1938 – Itália
1934 – Itália
1930 – Uruguai

Abaixo, a relação de artilheiros de cada Copa:

2014: James Rodríguez (Colômbia) – 6 gols
2010: Thomas Mueller (Alemanha), David Villa (Espanha), Wesley Sneijder (Holanda) e Diego Forlán (Uruguai) – 5 gols
2006: Klose (Alemanha) – 5 gols
2002: Ronaldo Fenômeno (Brasil) – 8 gols
1998: Sucker (Croácia) – 6 gols
1994: Stoichkov (Bulgaria) e Salenko (Russia) – 6 gols
1990: Schillaci (Italia) – 6 gols
1986: Lineker (Inglaterra) – 6 gols
1982: Paolo Rossi (Italia) – 6 gols
1978: Kempes (Argentina) – 6 gols
1974: Lato (Polonia) – 7 gols
1970: Gerard Muller (Alemanha Ocidental) – 10 gols
1966: Eusebio (Portugal) – 9 gols
1962: Jerkovic (Iugoslávia) – 5 gols
1958: Fontaine (França) – 13 gols
1954: Kocsis (Hungria) – 11 gols
1950: Ademir (Brasil) – 9 gols
1938: Leônidas (Brasil) – 8 gols
1934: Schiavo (Italia), Nejedly (Tchecoslovaquia) e Conen (Alemanha) – 4 gols
1930: Stabile (Argentina) – 8 gols



A história da Copa do Mundo é repleta de grandes zebras, que tornaram desconhecidos em celebridades e arruinaram os sonhos de grandes favoritos. Os históricos apontam que a primeira grande zebra em um Mundial aconteceu na França, em 1938.

A seleção de Cuba, país que até hoje não tem tradição no futebol, não conseguiu a sua classificação em campo. Mas acabou indo ao torneio graças a algo que parecia impossível: Colômbia, Costa Rica, México, El Salvador e Suriname desistiram, abrindo vaga aos cubanos.

Os cubanos iniciaram a disputa como grandes azarões. Numa época em que a Copa do Mundo já começava na fase de mata-mata, o time centro-americano encarou a Romênia, com mais tradição e habilidade. O primeiro jogo foi uma batalha e terminou empatado por 3 a 3, mesmo com uma prorrogação em Toulouse.

Na mesma cidade, quatro dias depois, as duas equipes se reencontraram para o confronto de desempate. Com um time com média de idade superior a 34 anos, os romenos não resistiram à correria cubana e caíram por 2 a 1. Passaram-se três dias e, nas quartas de final, Cuba encarou a Suécia e voltou ao seu normal. Placar final: 8 a 0 para os suecos.

Depois da paralisação por causa da Segunda Guerra Mundial, que teve a Europa como principal palco, o Mundial voltou a ser disputado 12 anos depois, e o Brasil foi o país escolhido para sediar o evento. O Estádio Independência, em Belo Horizonte (MG), guarda em suas galerias uma das maiores zebras da história dos Mundiais, talvez a maior.

No dia 29 de junho, pela segunda rodada do Grupo 2, se enfrentavam Inglaterra e Estados Unidos. Os ingleses eram francos favoritos e tinham vindo de tranquila vitória de 2 a 0 sobre o Chile. Já os norte-americanos foram derrotados por 3 a 1 pela Espanha. O goleiro Borghi, italiano naturalizado americano, teve grande atuação e só não fez com que o jogo terminasse empatado sem gols porque o inimaginável aconteceu.

Larry Gaetjens, com origens no Haiti, fez o único gol do jogo e garantiu o triunfo dos Estados Unidos. O então zagueiro Alf Ramsey jamais esqueceu a humilhação que passou em campo naquele dia, mesmo que, anos depois, como técnico, tenha levado, em 1996, a Inglaterra a seu único título mundial.

“Para nós foi humilhante pelo fato histórico, pela relação entre os dois países e, principalmente, porque foi a Inglaterra quem inventou o futebol. Aquela tarde em Belo Horizonte jamais sairá da minha cabeça. Toda vez que ouço falar no Brasil não me lembro de seu grande futebol e sim do que aconteceu em seus gramados em 1950”, disse Ramsey em certa ocasião.

A Copa do Mundo de 1966, disputada na Inglaterra, teve como grande surpresa a Coreia do Norte, que cruzou com a Seleção Brasileira na Copa de 2010 perdendo por 2 a 1. Os asiáticos eram os grandes azarões e sem nenhuma expressão. Até hoje nem sequer chegam perto de seus vizinhos do Sul, que sediaram a Copa de 2002 com o Japão e ficaram com a terceira posição. Mas voltemos a 1966. Na primeira fase, os norte-coreanos caíram no Grupo 4, ao lado de Itália, Chile e União Soviética.

Dificilmente avançariam à segunda fase, hipótese que parecia mais evidente após a derrota de 3 a 0 diante dos soviéticos. No jogo seguinte, a Coreia arrancou empate por 1 a 1 com o Chile, algo que parecia que se tornaria o maior feito do país. Pobre engano.

No dia 19 de julho, a Coreia do Norte, em Middlesbrough, entrou desacreditada para enfrentar a favorita Itália, que precisava de uma simples vitória para se classificar. Park Do-Ik fez o gol da vitória, que garantiu a classificação histórica dos asiáticos. Nas quartas de final, por muito pouco, os norte-coreanos não proporcionaram uma surpresa ainda maior. Chegaram a fazer 3 a 0 em Portugal, então liderado pelo craque Eusébio. Mas acabaram derrotados, de virada, por 5 a 3.

“Era impressionante a forma como aquele time jogava. Eram verdadeiros suicidas. Não tinham medo de atacar. Para virarmos aquele jogo precisamos jogar tudo o que sabíamos. E olha que comemoramos quando soubemos que teríamos o time deles como adversário. Pobre ilusão”, rememorou Eusébio.

Mas não foram apenas romenos, italianos e ingleses que sentiram o gosto amargo de um coice de zebra. A Alemanha foi vítima logo em sua estreia na Copa do Mundo de 1982, disputada na Espanha. No dia 16 de junho, em Gijon, os alemães enfrentaram os africanos da Argélia. Depois de um primeiro tempo sem gols, Madjer abriu o placar para os argelinos aos sete minutos. Os alemães empataram aos 22, com Rummenigge. Mas não tiveram muito tempo para comemorar. Um minuto depois, Belloumi fez o gol que assegurou o triunfo africano.

“Depois daquele jogo nos recuperamos e acabamos vice-campeões do mundo. Mas a importância daquele insucesso para a nossa vitoriosa campanha foi fundamental. Aprendemos a jogar com uma seriedade maior em qualquer confronto. No jogo seguinte goleamos o Chile (4 a 1)”, lembrou Rummenigge.

HONRA OU AZAR?

Mas em nenhuma situação as zebras se fizeram tão presentes na história das Copas do Mundo do que nos jogos de abertura, quando, desde o Mundial de 1974, na Alemanha, quando pelo regulamento da Fifa o campeão abria a competição. Naquele ano, o Brasil, que tinha sido tricampeão quatro anos antes, no México, mediu forças com a Iugoslávia e, num jogo muito fraco, ficou no empate sem gols.

O 0 a 0 também marcou o confronto inaugural na Copa do Mundo de 1978, entre a Polônia e a Alemanha, então atual campeã. Quatro anos mais tarde, Van de Bergh fez o único gol da partida que abriu o Mundial de 1982, na Espanha. Ele deu o triunfo à Bélgica sobre a Argentina. Um empate sem graça entre a campeã Itália e a Bulgária, por 1 a 1, marcou a abertura da Copa de 1986, no México.

A Argentina, comandada por Maradona, voltou a ser vítima da maldição do jogo de abertura em 1990, na Itália. Diante de um Estádio Giuseppe Meazza lotado, em Milão, os argentinos sentiram o peso dos Leões Indomáveis. Mesmo tendo dois jogadores expulsos, Camarões bateu a Argentina por 1 a 0, com gol de Omam Biyick. Os camaroneses só pararam diante da Inglaterra, nas quartas de final.

“Eles jogavam um futebol alegre e bonito e nós mesmo ficamos encantados. Não dava para ganhar aquele jogo de forma alguma”, admitiu Maradona, quatro anos depois, quando se preparava para o Mundial dos Estados Unidos. E foi justamente na Copa do Mundo de 1994, em território norte-americano, que a maldição do jogo de abertura foi quebrada. A Alemanha derrotou a Bolívia por 1 a 0.

Porém, aquele jogo teve a polêmica arbitragem do mexicano Arturo Brizio questionada. Além de prejudicar os bolivianos em inversões de faltas, ele expulsou o craque da Bolívia, Etcheverry, El Diablo. No lance do gol de Klinsmann, aos 16 minutos do segundo tempo, o goleiro Trucco escorregou e foi encoberto. Horas depois foi descoberto que os organizadores tinham molhado o gramado no intervalo, o que prejudicou o goleiro, com travas de chuteiras ideais para gramados secos.

O suficiente para que na noite do dia do jogo, 17 de junho, as embaixadas da Alemanha e do México, pátria do árbitro, fossem apedrejadas na Bolívia. Quatro anos depois, na França, tendo o Brasil no jogo de abertura, o Brasil bateu a Escócia por 2 a 1.

“Nos preparamos muito para aquele jogo e todos, apesar da vitória da Alemanha na Copa anterior, ainda falavam na maldição do jogo de abertura. Nossa vitória foi um alívio”, revelou o lateral direito Cafu, o melhor do Brasil naquele duelo.

Mas os que ainda falavam da maldição do jogo de abertura estavam certos. A campeão França, no jogo inaugural do Mundial de 2002, caiu diante de Senegal por 1 a 0.

Na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, a Itália foi eliminada na primeira fase graças a um empate por 1 a 1 com a Nova Zelândia e a uma derrota de 3 a 2 para a Eslováquia.

A última grande zebra foi na Copa do Mundo do Brasil, em 2014. Integrando um grupo com Uruguai, Itália e Inglaterra, “a chave da morte”, a Costa Rica era tratada como o saco de pancadas. Porém, surpreendeu e avançou em primeiro lugar. Na estreia bateu o Uruguai por 3 a 1. Depois, superou a Itália por 1 a 0. Por fim, segurou empate sem gols com a Inglaterra. Os costarriquenhos só foram superados pela Holanda, nas quartas de final, e mesmo assim nos pênaltis, após 0 a 0 no tempo regulamentar.