COPA DO MUNDO 2018 RÚSSIA

Harry Kane e Luka Modric irão comandar suas seleções na busca do que parecia impensável há 23 dias: uma vaga na final da Copa do Mundo. Destaques de Inglaterra e Croácia, ambos representam seus povos como poucos em campo e, apesar de opostos nesta quarta-feira, têm trajetórias similares, que já se cruzaram e podem voltar a se encontrar.

Quando Harry Kane tinha apenas um ano, Modric já sofria com a guerra de sua recém-criada Croácia. Em meio a um sistema comunista em ruínas, seu país anunciou a independência da Iugoslávia em 1991, dando início ao sangrento conflito que seria encerrado apenas em 14 de dezembro de 1995, com um saldo de 20 mil mortos e mais de 400 mil desabrigados.

Uma das vítimas do conflito armado foi o avô de Luka, que junto com o pai do atleta, Stipe, pegou em armas para defender sua pátria. Refugiado em um hotel na cidade de Zadar, o pequeno Modric passou os anos seguintes sonhando com sua mudança de vida, enquanto seus pais tentavam lhe dar uma infância o mais próximo possível do normal.

E como a maioria dos jovens do planeta, mas de maneira pouco usual, Modric conheceu o futebol. Aos 11 anos, com o recente final da guerra, passou a jogar na equipe local de Zadar, para apenas em 2002, aos 17 anos, seguir para o Dínamo Zagreb, o maior clube do país, em transferência que apesar de importante futebolisticamente, segue rendendo dor de cabeça ao craque.

O diretor do Dinamo na época era Zvadro Mamic, empresário que caçava talentos e foi condenado pela Justiça por fazer atletas assinarem contratos fraudulentos, em que parte dos salários e valor de transferências futuras desses jogadores acabavam em seus bolsos. Assim, foi sentenciado a seis anos de cadeia por desviar R$ 68 milhões do clube e sonegar R$ 7,4 milhões em impostos. Ele, no entanto, evadiu para a Bósnia-Herzegovina e segue em liberdade.

Anos mais tarde, em 2017, Modric, que foi agenciado por Mamic quando atuou na Croácia, foi chamado a depor sobre o caso. De início, o atleta confirmou o esquema, mas depois, voltou atrás ao dizer que “não se lembrava”. Assim, o meia se tornou alvo de ofensas de parte dos croatas, em especial, os torcedores do Hadjuk Split, maior rival do Dinamo Zagreb.

Polêmicas à parte, foi em 2003, porém, que sua carreira decolou. Emprestado para o Zrinjski Mostar, da Bósnia-Herzegovina, outra nação recente, ele foi eleito o melhor jogador do Campeonato nacional aos 18 anos. “Eu joguei na Bósnia. Quem joga na Bósnia, joga em qualquer lugar”. Era um passo importante para o garoto que ainda retornaria a seu país para conquistar o povo que viu seu pai defender.

Enquanto isso, em Londres, Harry Kane, ainda com nove anos, apesar da situação social e familiar incomparável, também enfrentava suas dificuldades para ingressar no futebol. Nascido próximo ao estádio White Hart Lane, o jovem inglês, cujo pai nasceu na Irlanda, começou a jogar no Ridgeway Rovers, que lançou David Beckham ao Manchester United. Com apenas nove anos foi chamado para testes no rival Arsenal, mas foi dispensado também por ser considerado “gordinho”.

“Eu não consigo realmente lembrar o que senti no momento. Para ser honesto, eu não acho nem que eu realmente sabia o que isso significava. Eu era muito jovem. Mas eu lembro como o meu pai reagiu e como isso fez me sentir. Ele não me criticou. Ele não criticou o Arsenal. Ele não pareceu especialmente incomodado de modo algum. Ele apenas disse: ‘Não se preocupe, Harry. Nós iremos trabalhar mais duro e nós iremos continuar e iremos encontrou outro clube, certo?’”, contou ao Players Tribune.

O primeiro clube, no entanto, foi o time do bairro em Walthamstow. Lá, o garoto loiro foi descoberto por um olheiro e convidado para um teste no Watford, onde enfrentou o Tottenham, impressionou os Spurs e, aos 16 anos, recebeu o convite para finalmente treinar por sua equipe do coração. “Harry Kane, he’s one of our own (Harry Kane, ele é um de nós)”. A música cantada hoje em White Hart Lane sempre foi verdadeira, mas ainda estava longe de ser entoada em 2009.

Quase junto com Harry Kane, chegava ao Tottenham o ainda pouco conhecido Luka Modric, que havia retornado ao Dínamo Zagreb após sucesso na Bósnia. Franzino, o croata de 1,74m venceu o prêmio de melhor jogador dos Spurs logo na temporada 2010/11, em que os londrinos chegaram às quartas de finais da Liga dos Campeões, terminando a fase de grupos na primeira colocação da chave que tinha Internazionale e Milan.

Kane e Modric nunca jogaram juntos, mas dividiram vestiário no Tottenham durante algum tempo, enquanto o centroavante, já grandalhão, alternava entre seguidos empréstimos para Bristol Rovers, Milwall, Norwich e Leicester. O inglês rodava tanto, que mesmo tendo ficado no banco de reservas do Tottenham com apenas 16 anos, já começava a ter dúvidas sobre sua carreira.

“O pior momento foi provavelmente quando eu estava no Leicester City e não conseguia ver como conseguiria entrar no time. Eles ainda estavam na Championship [segunda divisão] na época e eu lembro de estar no meu apartamento e ter essa terrível percepção de ‘Se eu não consigo jogar no Leicester na Championship… Como eu poderia jogar pelos Spurs na Premier League?’”, contou ao Players Tribune.

Enquanto Kane se questionava, Modric deixava o Tottenham na temporada 2012/13 pela porta dos fundos. Já com a idolatria tão sonhada por Kane, o croata tentou forçar uma transferência de 40 milhões de libras para o rival Chelsea, não aceita pelos Spurs, que o negociaram com o Real Madrid.

“Meu único arrependimento foi não ter ganho um título pelo Tottenham. Queria ter ido embora de uma maneira melhor, espero que os fãs entendam um dia que segui meus sonhos”, disse à revista Four Four Two.

Para curar o que consideraram uma traição, nada melhor do que ver um torcedor em campo. Com a demissão do técnico português André Villas-Boas, substituído por Tim Sherwood, e a má fase da primeira e segunda opção para o ataque, Adebayor e Soldado, Harry Kane finalmente ganhou espaço no Tottenham.

Foram três gols nos primeiros três jogos como titular e o início da ascensão do centroavante que não apenas não seria mais contestado, como bateria recordes de Neymar, Henry, Messi e Cristiano Ronaldo como o atleta que precisou de menos jogos para alcançar a marca de 100 tentos.

Já consolidado no Tottenham e fortemente especulado no Real Madrid, Kane pode novamente dividir vestiários com Modric após a Copa do Mundo, que já os premiou com três troféus de melhor em campo para cada um. Antes, o filho de irlandês e o Iugoslavo de nascença tentarão levar suas nações, Inglaterra e Croácia, ao último passo pela glória máxima do futebol mundial.

Modric e Kane são os destaques de Croácia e Inglaterra (Foto: AFP)


A Bélgica, de Roberto Martínez, caiu para a França (Foto: Giuseppe Cacace/AFP)

Com a eliminação da Bélgica, que perdeu para a França, nesta terça-feira, em São Petersburgo, a Copa do Mundo seguirá sem conhecer um técnico “estrangeiro” campeão, uma vez que todos os treinadores que conquistaram o título nasceram no país que comandaram.

O espanhol Roberto Martínez, técnico da Bélgica, tentava se igualar ao inglês George Raynor e ao austríaco Ernst Happel, que levaram Suécia e Holanda, respectivamente, à final de um Mundial.

Em 1958, Raynor comandou a anfitriã Suécia na melhor campanha do país até hoje, levando a seleção para final, onde perdeu para o Brasil por 5 a 2, com dois gols de Pelé, um deles uma pintura histórica, na qual o garoto de 17 anos, à época, é lançado, domina a bola no peito, chapela o marcador e bate de prima para o fundo das redes.

Happel, por sua vez, dirigiu a Holanda no Mundial de 1978. Depois de sofrer na primeira fase, a equipe se encontrou na segunda e garantiu vaga na decisão, partida em que foi derrotada pela Argentina, de Mario Kempes, por 3 a 1, na prorrogação.

O cumprimento de Deschamps e Martínez (Foto: Adrian Dennis/AFP)

Se Roberto Martínez perdeu a chance de igualar feitos marcantes, Didier Deschamps, treinador da França, pode entrar para história. Se vencer a Copa do Mundo da Rússia, o comandante francês se juntará ao brasileiro Zagallo e ao alemão Franz Beckenbauer, únicos a conquistar o torneio como jogador e técnico.



Com um gol marcado por Samuel Umtiti, a França venceu a Bélgica pelo placar mínimo durante a tarde desta terça-feira e garantiu presença na final da Copa do Mundo da Rússia. Protagonista da jogada que decidiu a partida disputada em São Petersburgo, o defensor preferiu dividir os méritos com seus companheiros.

Após um primeiro tempo sem gols, a França finalmente inaugurou o marcador logo no começo da etapa complementar. Griezmann cobrou escanteio pela direita e Samuel Umtiti se antecipou ao gigante Fellaini para cabecear na primeira trave e superar o goleiro Courtois.

“Os de 1998 fizeram seu trabalho e nós estamos escrevendo nossa própria história”, disse Umtiti, citando o único Mundial da França. “Eu marquei o gol, mas trabalhamos todos juntos. Fizemos o necessário para chegar na final e estamos esperando por ela”, completou.

Responsável pela assistência para o gol de cabeça marcado por Umtiti, Antoine Griezmann também celebrou a classificação à final da Copa do Mundo da Rússia. O atacante do Atlético de Madrid foi bem-humorado ao comentar a sonhada vaga na decisão.

“Eu sou mais acostumado a sofrer do que meus companheiros, então não foi para tanto. Estamos muito felizes e, agora, é desfrutar e descansar, que a final é em cinco dias. Não cheiramos a título, só a perfume. Temos que manter os pés no chão, porque a decisão será duríssima”, declarou.

A final da Copa do Mundo da Rússia está marcada para as 12 horas (de Brasília) deste domingo, no Estádio Luzhniki. Algoz do Brasil na edição de 1998 do torneio, a França acabou derrotada pela Itália em 2006, última vez em que participou da briga pelo título.



Classificada à decisão da Copa do Mundo da Rússia, a França apenas aguarda pelo vencedor do confronto entre Croácia e Inglaterra para decidir o título. Aos 49 anos, o técnico Didier Deschamps tem a chance de repetir um feito logrado por apenas dois homens na história do torneio.

Mario Jorge Lobo Zagallo (campeão como atleta em 1958 e 1962 e como técnico em 1970) e Franz Beckenbauer (campeão como atleta em 1974 e como técnico em 1990) são os únicos a ganhar nas duas funções. Com a chance de igualar os veteranos, Deschamps, capitão em 1998, exaltou seus pupilos após a classificação.

“Isso é excepcional. Estou muito contente com meus jogadores. Sinto muita felicidade, muito orgulho. Esse grupo está junto há 49 dias. Eles passaram muitas coisas difíceis, mas já estamos na final. É mérito de todos”, declarou o ex-companheiro de Zinedine Zidane.

Na Rússia, Deschamps dirige uma equipe essencialmente jovem, com titulares como Benjamin Pavard (22 anos), Samuel Umtiti (24 anos), Kylian Mbappe (19 anos) e Lucas Hernandez (22 anos). Experiente, o antigo capitão tratou de valorizar o potencial do elenco.

“O progresso deles é enorme. Esses jogadores vão estar ainda mais fortes em um período de dois ou quatro anos, mas hoje já são competitivos. Estou muito orgulhoso deles. Com essa mentalidade, podemos escalar montanhas e isso que temos feito até agora”, afirmou.

A decisão da Copa do Mundo da Rússia está marcada para as 12 horas (de Brasília) deste domingo, no Estádio Luzhniki. Algoz do Brasil na edição de 1998 do torneio, a França acabou derrotada pela Itália em 2006, última vez em que participou da briga pelo título.

 



Gols do Pelé, dribles do Garrincha, o nascimento do futebol-arte e a confirmação: o “Brasil é o país do futebol”. Esse é o mote da exposição “A Primeira Estrela: o Brasil na Copa de 1958”, que permanece no Museu do Futebol, até o dia 09 de setembro.

A exposição proporciona um mergulho na Copa de 1958, com direito a registros fotográficos da concentração da Seleção em Poços de Caldas-MG. Além disso, conta com cenas dos jogos mais icônicos e até da final entre Brasil e Suécia.

O filme da decisão, aliás, é o maior atrativo. Com uma montagem de vários trechos recolhidos por diferentes TVs europeias que transmitiram o torneio, misturados com trechos de locuções de rádio no Brasil.

Seleção de 58 é homenageada no Museu do Futebol (Futebol: Acervo/Gazeta Press)


Mbappe comemora classificação da França para a grande final da Copa do Mundo (Foto: Christophe Simon/AFP)

Aos 19 anos, Kylian Mbappé não foi protagonista na vitória da França diante da Bélgica nesta terça-feira, mas mais uma vez mostrou por que é um dos melhores jogadores da atualidade: foram sete dribles completados no duelo, além de uma assistência inacreditável de costas para Giroud ficar de frente para o gol de Courtois. Em suas redes sociais, o craque disse estar vivendo um sonho.

Depois da partida, ele conversou com a mídia francesa. “É o dia mais lindo da minha carreira, da minha existência, da minha vida futura! E espero que a final seja ainda mais bela”, disse o camisa 10, sem conseguir conter a empolgação. “Todos nós sonhamos com isso desde a infância. Não será fácil. Resta uma partida, e ainda não temos a taça. Temos o direito de acreditar… É o sonho de uma vida inteira!”.

A França eliminou a Bélgica por 1 a 0, com de Umtiti, na tarde desta terça-feira pela semifinal da Copa do Mundo da Rússia. Agora, os franceses esperam o vencedor do duelo entre Croácia e Inglaterra, que acontece na próxima quarta-feira, para, então, se preparar para a grande final, no domingo, às 12h (de Brasília).



O sonho da Bélgica na Copa do Mundo da Rússia acabou na tarde desta terça-feira. Derrotado por 1 a 0 pela França em São Petersburgo, o técnico espanhol Roberto Martinez lamentou o revés na semifinal, mas tratou de valorizar a postura de seus pupilos.

“Estou muito orgulhoso dos jogadores. Se você vai perder um jogo, que seja com muito esforço, dando tudo que tem, tentando até o último segundo. Você tem que aceitar isso, parabenizar a França e desejar sorte para a final”, declarou o treinador, diplomático.

Após um primeiro tempo sem gols, a França finalmente inaugurou o marcador logo no começo da etapa complementar. Griezmann cobrou escanteio pela direita e Samuel Umtiti se antecipou ao gigante Fellaini para cabecear na primeira trave e superar o goleiro Courtois.

“Foi um jogo muito apertado, não houve muitos grandes momentos que pudessem decidir a partida. A diferença entre a derrota e a vitória ficou reduzida a uma situação de bola parada”, declarou Martinez em alusão ao escanteio fatal cobrado pela França.

Após sair na frente, o time comandado pelo técnico Didier Deschamps soube como se defender até o final sem correr grandes riscos no campo de defesa. A Bélgica, na tentativa de evitar o revés, se lançou ao ataque e investiu principalmente em bolas levantadas na área, sem sucesso.

“Temos que dar muito crédito à maneira que a França se defendeu, até com alguns jogadores de ataque bem atrás, o que mostra respeito a nós. Não conseguimos encontrar o que era necessário diante do gol ou um pouco de sorte em algumas ocasiões”, afirmou Martinez, que no sábado decide o terceiro lugar com o derrotado de Croácia e Inglaterra.




“Controlar a bola não significa controlar a partida”. A frase, cada vez mais ouvida dentre os fãs de futebol, provou-se verdadeira nesta tarde de terça-feira, com a vitória da França para cima da Bélgica por 1 a 0, que classificou os franceses a final da Copa do Mundo, após 12 anos.

Isso porque a excelente geração belga, que tirou o Brasil de Tite do Mundial da Rússia, teve o controle da posse de bola durante toda a duração do confronto. Ao final do embate, a estatística via uma superioridade (60%/40%) em favor dos comandados de Roberto Martínez, derrotados nesta terça.

O domínio belga também se estendeu aos passes durante o jogo. A Bélgica deu praticamente o dobro de passes (630 a 342), foi melhor em sua completitude (595 a 294) – simbolizando uma porcentagem de 90% a 86% em relação aos franceses.

Entretanto, o que importa em uma partida de futebol é a bola na rede, ou ao menos as tentativas de completar o feito. Nisso, vantagem para a França: foram 19 finalizações ao longo do jogo, contra nove dos rivais. Destas, cinco foram ao gol, oito passaram longe das metas de Courtois e as outras seis foram bloqueadas.

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O cara do jogo: Umtiti

Confira o tempo real da partida!

Além disso, os comandados de Deschamps também foram superiores nos aspectos defensivos, importante para assegurar que a Bélgica não marcasse gols no duelo. Pelo lado da França, foram 44 bolas recuperadas, 16 desarmes e 30 cortes de bola. Os belgas só foram melhores no número de bloqueios: seis a um.