Brasil abre Eliminatórias no Chile com feridas expostas como em 1954

Imagem ilustrativa para a matéria
Postado o time canarinho que venceu o Chile por 2 a 0 em 1954. Em pé: Djalma Santos, Brandãozinho, Pinheiro, Newton Santos, Veludo e Bauer. Agachados: Julinho Botelho, Humberto Baltazar, Didi e Rodrigues (Foto: Acervo/Gazeta Press)
Postado o time canarinho que venceu o Chile por 2 a 0 em 1954. Em pé: Djalma Santos, Brandãozinho, Pinheiro, Newton Santos, Veludo e Bauer. Agachados: Julinho Botelho, Humberto Baltazar, Didi e Rodrigues (Foto: Acervo/Gazeta Press)

Postada a Seleção que venceu o Chile por 2 a 0 em 1954. Em pé, a partir da esquerda: Djalma Santos, Brandãozinho, Pinheiro, Newton Santos, Veludo e Bauer. Agachados: Julinho Botelho, Humberto Baltazar, Didi e Rodrigues (Foto: Acervo/Gazeta Press)

A história é cíclica. No futebol, então, nem se fala. Concentrada em Santiago, no Chile, a Seleção Brasileira vai a campo nesta quinta-feira para reeditar um duelo de mais de 60 anos atrás. As coincidências entre os jogos chegam a ser estonteantes, desde o Estádio Nacional como palco até a desconfiança em torno do time canarinho por motivos idênticos.

Perdida a Copa do Mundo de 1950 em casa para o Uruguai, a Seleção foi torturada pelo Maracanazo por anos a fio. A suposta incapacidade em momentos decisivos acumulou críticas, e o insucesso mundial refletiu em certa inconsistência no âmbito continental.

É verdade que o Brasil foi campeão invicto do Campeonato Pan-Americano de 1952, mas voltou a perder uma decisão no Sul-Americano do ano seguinte, para o Paraguai. O desempenho inconstante criou certo receio quanto à classificação para Copa do Mundo de 1954, a ser jogada na Hungria.

Vitória no Estádio Nacional foi considerada "mais ou menos tranquila" pela Gazeta Esportiva (clique para ampliar) (Foto: Acervo/Gazeta Press)

Vitória em Santiago foi "mais ou menos tranquila" para a Gazeta Esportiva  (Foto: Acervo/Gazeta Press)

Desta vez a história não é muito diferente. Sete gols da Alemanha no Mineirão conceberam um pandemônio, que foi logo mascarado por uma série de vitórias em amistosos. Veio a Copa América, e novo fiasco, desta vez para o Paraguai. As Eliminatórias para a Copa de 2018 surgem como possível redenção, sarando as feridas que podem nunca cicatrizar. Mágoas doloridas como as de 1950, possivelmente mais profundas.

A qualidade da Seleção Brasileira em 1954 era inegável, concentrada principalmente em Didi, Julinho Botelho e Baltazar. Frente à má fase da seleção chilena, tinha o favoritismo ao seu lado. “Acham os andinos que o Brasil apresentará seu melhor time de todos os tempos. Aliás, ninguém acredita em uma chance para os chilenos”, escrevia Gazeta Esportiva dias antes do confronto.

A estreia contra o Chile, naquela ocasião, foi também o primeiro jogo do Brasil na história das Eliminatórias – a classificação foi automática em duas oportunidades anteriores por desistência dos concorrentes. Com dois gols de Baltazar, o time canarinho honrou o uniforme que usava pela primeira vez. A camisa amarela, na qual cinco estrelas seriam bordadas posteriormente, foi batizada pela vitória por 2 a 0 no Estádio Nacional.

Atualmente, o clima em Santiago é outro. Mesmo sem vencer o Brasil há 15 anos, os donos da casa não são azarões contra a pentacampeã do mundo. Trata-se dos atuais campeões do continente, afinal, e o otimismo chileno desta vez é quase obrigatório. No mesmo Estádio Nacional, a Roja deve dar muito mais trabalho do que em 1954.

Naquelas Eliminatórias a Seleção Brasileira comprovou sua força em um triangular no qual venceu Chile e Paraguai duas vezes cada. Em quatro jogos carimbou passaporte ao Mundial daquele ano, no qual viveria novo desastre. Mas esta é outra história. Desta vez um debute vitorioso seria mais do que bem-vindo, quem sabe cimentando o caminho que leva à Rússia, em 2018. Talvez do outro lado do planeta a Seleção se liberte de todo o sofrimento que causou em casa.

Gols de Baltazar garantiram vitória canarinho em seu primeiro jogo na história das Eliminatórias; clique para ampliar (Foto: Acervo/Gazeta Press)

Conteúdo Patrocinado