Na tarde desta quarta-feira, o técnico Carlo Ancelotti convocou a Seleção Brasileira para os dois amistosos contra a Austrália, nos dias 25 e 29 de setembro, e para o duelo contra a Índia, no dia 3 de outubro.
A lista marca o início do ciclo para a Copa do Mundo de 2030 e evidencia uma mudança de rumo na equipe nacional. Após a eliminação para a Noruega no Mundial de 2026, o treinador italiano optou por promover uma ampla renovação no grupo, convocando diversos atletas em idade olímpica e reduzindo o espaço de nomes mais experientes.
26 CONVOCADOS! 🇧🇷
A Seleção está pronta para novos desafios: dois jogos contra a Austrália e o primeiro confronto da história contra a Índia.
25/09 | Austrália
29/09 | Austrália
03/10 | ÍndiaISSO É BRASIL! 🇧🇷#BateNoPeito pic.twitter.com/Yht5SuOHjr
— brasil (@CBF_Futebol) September 9, 2026
Geração jovem
Durante a coletiva, Ancelotti deixou claro que o principal objetivo dos próximos amistosos será observar jovens jogadores e acelerar a construção da próxima geração da Seleção. Segundo o treinador, a convocação foi montada com equilíbrio entre atletas que participaram da última Copa do Mundo e promessas que podem assumir protagonismo nos próximos anos.
"Temos jogadores que estiveram na Copa, que serão importantes para a próxima geração. Temos jovens com qualidade para apresentar no futuro da Seleção. Nesse momento, precisamos priorizar os jovens para a próxima Copa do Mundo e Copa América", disse.
O italiano também ressaltou que a comissão técnica pretende acompanhar atletas jovens que inclusive não estão recebendo muitas oportunidades em seus clubes. "Tem jogadores que serão nosso futuro e não estão jogando. Temos que chamar e dar oportunidade para jogar".
Passagem de bastão
Outro ponto que chamou atenção foi a confirmação de uma transição geracional mais agressiva do que a imaginada após a Copa do Mundo. Foram 18 mudanças em relação ao grupo que esteve na disputa do Mundial nos Estados Unidos, México e Canadá.
O tema ganhou ainda mais repercussão porque, na véspera da convocação, Thiago Silva havia defendido uma reformulação mais gradual. Questionado sobre isso, Ancelotti afirmou que não trabalha com idade como critério absoluto, mas entende que o momento exige priorizar jogadores com potencial para chegar ao próximo Mundial.
"Agora, prefiro focar meu trabalho nos jovens e acompanhá-los na progressão. Não olho a idade dos jogadores como fator, mas agora é momento de priorizar os jovens. O jogador de 34 ou 35 anos não vai ter futuro. Se for um jogador preparado para estar na Seleção e jogar uma competição importante, vai estar", comentou.
Ao mesmo tempo, o treinador indicou que alguns líderes seguirão exercendo papel importante na transição, caso de nomes como Bruno Guimarães, Gabriel Magalhães, Raphinha e Vinicius Júnior.
"Escolhi esses jogadores para ajudar nesta mudança de geração. Eles são muito importantes para o futuro. Estamos certos de que eles são profissionais e compromissados para ajudar o grupo dos jovens a melhorar", disse.
"Decepção"
Apesar de o discurso estar focado no futuro, Ancelotti admitiu que a eliminação diante da Noruega foi dolorida. O treinador classificou a queda na Copa do Mundo como uma das principais decepções de sua carreira recente e revelou que o sentimento foi mais difícil de assimilar do que derrotas sofridas durante o período em clubes.
"A Copa do Mundo foi uma decepção para nós, para mim. A eliminação contra a Noruega nos decepcionou muito. No clube você pode reagir cedo, porque tem outro jogo, outra competição. Aqui é muito mais complicado. A tristeza da derrota dura mais no coração", indagou.
Ainda assim, o italiano demonstrou confiança de que o Brasil possui material humano suficiente para voltar a competir pelos principais títulos do futebol mundial. A Canarinho chega a 2030 com um jejum de 28 anos sem levantar o troféu da Copa do Mundo, o maior da Seleção desde a criação do torneio.
"Agora temos a motivação e o tempo para preparar um novo ciclo. A qualidade dos jogadores brasileiros pode nos permitir preparar um bom grupo para os próximos torneios."
Modelo para 2030
Questionado sobre a identidade que pretende dar à Seleção neste novo ciclo, Carlo explicou que a definição do modelo de jogo passa diretamente pelas características dos jogadores disponíveis e admitiu que a equipe vive uma carência no meio-campo. O treinador citou a Espanha como exemplo de equipe que consegue sustentar um estilo específico porque conta com uma geração muito forte no setor.
"Temos que escolher os meio-campistas; ainda temos um pouco de carência no setor. Isso pode determinar também o modelo de jogo para o futuro. O modelo depende muito das características dos jogadores que você tem. Todos falam da Espanha, que pode propor esse modelo porque tem muitos meio-campistas neste momento. Eles têm uma geração muito forte no setor", afirmou.
Com três amistosos programados nesta Data Fifa, Ancelotti vê o atual momento como o primeiro passo de um trabalho de longo prazo. O treinador lembrou que a Seleção terá 16 janelas internacionais até a próxima Copa do Mundo e afirmou que pretende utilizar esse período para encontrar a identidade do novo time brasileiro.
"A ideia é muito clara: criar uma nova geração de futebolistas. Podemos fazer um trabalho sem pressa, tomando as decisões mais corretas para o futuro", comentou.
Jogos do Brasil nesta Data Fifa
Jogo: Austrália x Brasil
Competição: Amistoso Internacional
Data: 25 de setembro de 2026
Local: Queensland Country Bank Stadium, em Townsville (AUS)
Jogo: Austrália x Brasil
Competição: Amistoso Internacional
Data: 29 de setembro de 2026
Local: Suncorp Stadium, em Brisbane (AUS)
Jogo: Índia x Brasil
Competição: Amistoso Internacional
Data: 03 de outubro de 2026
Local: Salt Lake Stadium, em Calcutá (IND)
Veja também:
Todas as notícias da Gazeta Esportiva
Canal da Gazeta Esportiva no YouTube
Siga a Gazeta Esportiva no Instagram
Participe do canal da Gazeta Esportiva no WhatsApp