Botafogo aciona Lyon na Justiça e cobra dívida superior a R$ 745 milhões

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Foto: Vitor Silva/Botafogo

O Botafogo informou que entrou com ações judiciais contra o Olympique Lyonnais para cobrar uma dívida superior a R$ 745 milhões. O movimento foi protocolado na última sexta-feira e acrescenta mais uma ruga à relação já tensionada entre os clubes dentro do Grupo Eagle, rede multiclubes liderada por John Textor.

Segundo o comunicado, a decisão tem como objetivo garantir o retorno dos valores emprestados e proteger o patrimônio do clube. “O objetivo é assegurar o retorno dos valores devidos, fundamentais para o fortalecimento do projeto esportivo Alvinegro, e resguardar o patrimônio do Clube”, destacou o Botafogo.

Desde a incorporação da SAF, em 2022, o Botafogo passou a integrar o Grupo Eagle, que adotou um modelo colaborativo de gestão financeira e de atletas entre seus clubes. De acordo com o clube carioca, essa estratégia foi determinante para conquistas recentes, como a Libertadores e o Campeonato Brasileiro de 2024.


O texto ressalta que o Olympique Lyonnais também se beneficiou desse modelo logo após a aquisição pela Eagle Football, no fim de 2022. À época, o clube francês vivia uma grave crise financeira.

“Eagle Football adquiriu o Olympique Lyonnais em situação de insolvência, com todos os bancos exigindo pagamento da dívida, e sob a ameaça de sanções pesadas do DNCG”, afirma o comunicado.

Diante desse cenário, o Botafogo realizou sucessivos aportes financeiros ao Lyon, na forma de empréstimos, totalizando mais de R$ 745 milhões. Segundo o clube brasileiro, os repasses ocorreram com “a clara expectativa de reembolso em condições previamente estabelecidas”.

O impasse teve início após conflitos internos entre sócios do Grupo Eagle. Conforme o Botafogo, a nova presidente do Olympique Lyonnais rompeu unilateralmente o acordo de colaboração. Mesmo após ter se beneficiado dos recursos recebidos, o clube francês teria se recusado a cumprir as obrigações assumidas. “O clube francês deixou de cumprir as obrigações assumidas, recusando-se a efetuar o pagamento da dívida”, diz a nota.

Além do montante devido ao Botafogo, o Lyon também teria uma pendência de €12 milhões com o RWDM Brussels, outro clube pertencente à rede multiclubes. A inadimplência, segundo o comunicado, causou impactos diretos no planejamento financeiro do clube carioca, afetando a renovação e a contratação de atletas.

O Botafogo afirma que a situação gerou consequências esportivas relevantes. “A inadimplência gerou impactos diretos na operação do Botafogo, comprometendo o planejamento financeiro”, informou o clube, acrescentando que chegou a sofrer um transferban imposto pela Fifa no fim de 2025.

Diante desse cenário, o clube garante que não há possibilidade de recuo. “A partir de agora, o Botafogo realiza esse movimento de forma irreversível”, afirma a nota. A SAF diz que adotará “todas as medidas legais cabíveis para recuperar integralmente os valores devidos pelo Olympique Lyonnais”.

O caso aprofunda a crise institucional dentro do Grupo Eagle e coloca em xeque o modelo de colaboração entre os clubes administrados por John Textor, além de abrir um novo e delicado capítulo na relação entre Botafogo e Olympique Lyonnais.

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Veja a nota do Botafogo na íntegra

"O Botafogo protocolou, na última sexta-feira (3), ações contra o Olympique Lyonnais na Justiça, em razão de dívidas que ultrapassam R$ 745 milhões. O objetivo é assegurar o retorno dos valores devidos, fundamentais para o fortalecimento do projeto esportivo Alvinegro, e resguardar o patrimônio do Clube.

Como é de conhecimento público desde a incorporação da SAF, em 2022, o Botafogo passou a integrar o Grupo Eagle, rede multiclubes liderada por John Textor. Como estratégia competitiva foi adotado por todos os clubes do grupo um modelo colaborativo de gestão financeira e de atletas. Esse modelo contribuiu para conquistas históricas do Botafogo, como a CONMEBOL Libertadores e o Campeonato Brasileiro de 2024. Para o Olympique Lyonnais, essa colaboração também teve um impacto histórico no primeiro ano sob o comando de John Textor, tirando o clube da zona de rebaixamento e queda iminente, e o classificando para a Liga Europa em apenas uma janela de transferência.

Eagle Football adquiriu o Olympique Lyonnais em situação de insolvência no final de 2022, com todos os bancos exigindo pagamento da dívida, e sob a ameaça de sanções pesadas do DNCG no primeiro dia de controle da Eagle.

Por esse contexto, o Botafogo realizou aportes financeiros sucessivos, totalizando mais de R$ 745 milhões, a título de empréstimos, com a clara expectativa de reembolso em condições previamente estabelecidas.

Posteriormente, em meio a conflitos internos entre sócios do Grupo Eagle, a nova presidente do Olympique Lyonnais rompeu unilateralmente o acordo de colaboração. Apesar de ter se beneficiado dos recursos recebidos, o clube francês deixou de cumprir as obrigações assumidas, recusando-se a efetuar o pagamento da dívida aos clubes do Grupo Eagle de R$745 milhões ao Botafogo, e outros €12 milhões ao RWDM Brussels. A inadimplência gerou impactos diretos na operação do Botafogo, comprometendo o planejamento financeiro e afetando a capacidade de renovação e contratação de atletas. Como consequência, o Clube foi, inclusive, alvo da aplicação de um Transferban pela FIFA no final de 2025.

A partir de agora, o Botafogo realiza esse movimento de forma irreversível: A SAF adotará todas as medidas legais cabíveis para recuperar integralmente os valores devidos pelo Olympique Lyonnais e assegurar a continuidade e a solidez de seu projeto esportivo."

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