O Barcelona "nunca realizou alguma ação que tivesse como objetivo final ou como intenção alterar a competição para conseguir algum tipo de vantagem esportiva", afirmou nesta segunda-feira o presidente do clube, Joan Laporta.
O dirigente rejeitou com a declaração as suspeitas geradas depois que a justiça abriu uma investigação sobre os pagamentos do Barça a um ex-árbitro. Ele atribuiu a medida a uma "campanha de difamação" contra a equipe.
Um tribunal de Barcelona investiga uma denúncia da Procuradoria, que aponta, entre outros, o clube da Catalunha e ex-dirigentes do clube, incluindo os ex-presidentes Sandro Rosell e Josep Maria Bartomeu, além de José María Enríquez Negreira, ex-vice-presidente do Comitê Técnico de Árbitros (CTA).
O Ministério Público acusa os denunciados de crime de "corrupção entre particulares no âmbito esportivo", assim como atribui um delito de "administração desleal" aos ex-dirigentes do Barcelona, que também são acusados, ao lado de Negreira, de "falsidade em documento comercial".
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— FC Barcelona (@fcbarcelona_br) April 16, 2023
Segundo a denúncia do MP, Negreira, que foi vice-presidente da CTA entre 1994 e 2018, recebeu do Barcelona por meio de suas empresas mais de 7,3 milhões de euros (7,7 milhões de dólares) entre 2001 e 2018 por relatórios sobre os árbitros. O Barça interrompeu os pagamentos em 2018, segundo o Ministério Público, após a saída de Negreira do CTA.
Acordo verbal
Para o MP, o Barcelona, por meio de Rosell e Bartomeu, "alcançou e manteve um acordo verbal estritamente confidencial" com Negreira "para que, na qualidade de vice-presidente do CTA e em troca de pagamentos, realizasse ações com a tendência de favorecer o FCB na tomada de decisões dos árbitros nas partidas disputadas pelo clube, e assim nos resultados das competições".
Laporta recordou que a Receita espanhola - cujas inspeções a Negreira acabaram por motivar a denúncia - enviou uma carta à Procuradoria na qual afirma que "não conseguiu demonstrar que os pagamentos efetuados às empresas de Negreira podem ter influenciado os árbitros ou o resultado de qualquer partida".
"Não conseguiram demonstrar porque não era possível", acrescentou o presidente do Barça em uma entrevista coletiva sobre o caso. Laporta disse que os serviços para os quais o clube efetuou os pagamentos estão documentados.
"Alguns serviços foram prestados, estavam documentados, havia notas fiscais, pagamentos que estão nos livros contábeis. Não havia crime de corrupção", insistiu o presidente do Barça.
Laporta insistiu que o Barça é vítima de "uma campanha orquestrada para poder destruir a reputação do FC Barcelona" e anunciou que o clube já tomou medidas "contra aqueles que atentaram contra a honra do clube".
O presidente do Barça mostrou sua insatisfação com a decisão do Real Madrid de envolver-se publicamente no caso, descrevendo esta medida como um "exercício de cinismo sem precedentes".
Vídeo do Real Madrid
"Principalmente vindo de um clube, como todos nós sabemos, que foi muito favorecido por decisões dos árbitros', acusou.
Horas depois, o canal do Real Madrid publicou um vídeo com o título: "Qual era a equipe do regime?", no qual recorda que o Barça "entregou a insígnia de ouro e diamante" ao ditador Francisco Franco, a quem também nomeou "sócio honorário em 1995", tudo isso ilustrado com imagens desses momentos.
No vídeo, o Real Madrid afirma que o Barcelona "foi salvo três vezes da falência com três reclassificações por Franco" e que, durante os 40 anos de ditadura o Barça "venceu 8 ligas e 9 copas", enquanto o clube madrilenho "demorou 15 anos para ganhar" o Campeonato Espanhol durante o regime franquista.
Laporta também criticou o presidente da Liga Nacional de Futebol Profissional espanhol (La Liga), Javier Tebas, que exigiu diversas vezes explicações pelo caso.
"Eu gostaria que o presidente da LaLiga contivesse essa incontinência verbal. Ele está validando uma hipótese que é falsa", concluiu Laporta.