Incomodado com vaias, Levir desabafa contra política de resultados no Brasil

Imagem ilustrativa para a matéria
Levir: "Basta uma semana para ter desgaste com o técnico" (Bruno Cantini/CAM)
Levir: "Basta uma semana para ter desgaste com o técnico" (Bruno Cantini/CAM)

Levir: "Basta uma semana para ter desgaste com o técnico" (Bruno Cantini/CAM)

Bastaram a “perda” do título para Corinthians e uma sequência ruim – uma vitória nos últimos quatro jogos – no Brasileirão para que o Atlético-MG passasse a ser alvo de críticas, mesmo estando na segunda colocação da competição. Após o empate contra o Goiás por 2 a 2, no Independência, jogadores e comissão técnica do Galo saíram vaiados de campo, e o técnico Levir Culpi não deixou esta situação passar em branco em sua entrevista coletiva.

Visivelmente chateado, o treinador condenou tanto a torcida quanto a imprensa por aceitarem e fomentarem uma política de resultados no futebol brasileiro, que ignora todo um trabalho desenvolvido no Atlético-MG.

“Basta uma semana para ter desgaste com o técnico. Você acha que eles (torcedores) veem o tempo de trabalho, o que fizemos e o que foi feito. Se o cara tem qualidade técnica, moral para treinar o Atlético-MG, vocês acham que é isso o que eles veem? Todo mundo vê o resultado, inclusive vocês da imprensa. Acho que está havendo um extremismo em alguns lugares”, desabafou.

“Nós temos 18 times no campeonato querendo o lugar do Atlético. Só um está à frente, um só conseguiu fazer melhor que a gente. É difícil reconhecer isso? Não. É mais fácil você criticar. A gente tem que saber conviver com isso. Os jogadores e técnicos que não têm capacidade de viver este estresse não seguem na profissão”, completou.

Perguntado se faltou ao time atleticano, contra o Goiás, a mesma intensidade mostrada pelo Galo em outros jogos no Independência, Levir Culpi preferiu defender seus jogadores e afirmou não ter do que se queixar com seu elenco após o empate deste domingo.

“Faltou empenho para quem hoje? Todo mundo correu, demos mais de 500 passes. Pouquíssimos times fazem isso. Nosso número de oportunidades foi quase o dobro, fizemos dois e tomamos dois. O time jogou aberto, jogou para vencer. Não tenho muito do que me queixar dos jogadores. Este era o último jogo, praticamente, do Goiás. O que vocês esperavam do Goiás? Que a gente enfiasse 5 a 0 no Goiás? Não tem nenhum time morto no campeonato ainda. Não faltou vontade para nós, faltou o resultado”, comentou.

Treinador colocou renovação nas mãos da diretoria (Bruno Cantini/CAM)

Treinador colocou renovação nas mãos da diretoria (Bruno Cantini/CAM)

Renovação – Com seu contrato no Atlético-MG a se encerrar no final do ano, Levir Culpi tem acompanhado o surgimento de diversos especulações de possíveis candidatos para ocupar seu cargo no Galo – neste domingo, o nome de Muricy Ramalho ganhou força no clube. O treinador admitiu se sentir incomodado com as notícias e criticou a demora por uma definição de sua situação junto à diretoria.

“De todas as formas incomoda. Lá no Japão, um mês antes de terminar o ano já sabia se ficaria ou não. Aqui, não. Das outras vezes que renovei aconteceu no final do ano. A gente tem uma amizade no Atlético, mas profissionalmente é outra situação. Não depende só de mim a renovação. Sabe quantas pessoas estão interessadas no meu lugar? Muitas. Mas quem tem que definir isto, é o presidente e o diretor de futebol”, ressaltou o treinador, que coloca os dois últimos jogos do Atlético-MG no Brasileirão como fundamentais para sua permanência ou não no Galo.

“Acredito perfeitamente. A gente muda o rumo do time em um, dois jogos. A filosofia do clube, da diretoria, muda em dois jogos. É exatamente isto que acontece”, completou.

Conteúdo Patrocinado