Seleção argentina encerra comemorações sobrevoando Buenos Aires
Gazeta Esportiva

Seleção argentina encerra comemorações sobrevoando Buenos Aires de helicóptero

AFP - São Paulo,SP

Publicação 20/12/22 | 21:28 - Atualização 20/12/22 | 21:33

Lionel Messi e a seleção argentina campeã do mundo deixaram o ônibus em que desfilaram em carreata por Buenos Aires nesta terça-feira para sobrevoar a cidade de helicóptero, já que a grande aglomeração de pessoas impediu que a comemoração dos jogadores continuasse por terra.

"Os campeões do mundo estão sobrevoando todo o percurso em helicópteros porque ficou impossível continuar por terra diante da explosão de alegria popular. Continuemos celebrando em paz e mostrando nosso amor e admiração", escreveu no Twitter Gabriela Cerruti, porta-voz da Presidência da Argentina.


A carreata partiu pouco antes do meio-dia da sede da Associação de Futebol Argentino (AFA), em Ezeiza, e tinha como destino o Obelisco, na Avenida 9 de Julio, ponto de encontro dos torcedores no centro da capital.

Mas depois de quase cinco horas de uma viagem muito lenta, os jogadores e a taça tiveram que subir em helicópteros para sobrevoar a cidade.


"Não nos deixam chegar para saudar todas as pessoas que estavam no Obelisco, os mesmos órgãos de segurança que nos escoltavam não nos permitiram continuar. Mil desculpas em nome de todos os jogadores campeões. Uma pena", escreveu no Twitter Claudio Tapia, presidente da AFA, que acompanhou a carreata com o elenco da seleção.

Embora as pessoas tivessem mostrado decepção pelo fato de os jogadores não terem entrado no centro de Buenos Aires, elas continuaram comemorando a vitória nas ruas.


"Gostaria que tivesse terminado de outra forma. O que poderia acontecer foi subestimado. Só uma pessoa que não sabe o que é o futebol para o povo argentino poderia pensar que isso não era possível. Se tivesse sido organizado, poderia ter sido feito de outra forma", disse Román García, funcionário público de 38 anos.

Para muitos, o tricampeonato mundial da 'Albiceleste' foi uma grande alegria em meio a ao complicado momento do país.

"Estou muito feliz que o time tenha vencido. É muito importante para o nosso país. Tirando os momentos ruins, é um ano que vamos começar com a vitória da Argentina e isso nos faz sentir bem", disse à AFP Marta Acosta, de 35 anos.

"Vivemos uma crise econômica há vários anos, isso é um fôlego e um ânimo também. Ver a Argentina vencer uma Copa do Mundo sendo tão jovem é uma bênção", disse à AFP Lautaro Rodríguez, 21 anos.

Festa de milhões

Mais de 5 milhões de pessoas se reuniram ao longo do trajeto da carreata, inicialmente programada para percorrer 70 quilômetros, segundo uma fonte da Prefeitura de Buenos Aires.


É a maior manifestação já vista na capital argentina, segundo a imprensa local.

Muitas pessoas de outras cidades, tão distantes como Bariloche (na Patagônia, ao sul), ou de Rosário, terra de Messi e Ángel Di María, e dos municípios da periferia de Buenos Aires foram à capital para participar das comemorações.

O governo argentino decretou feriado nacional para facilitar a participação do povo na festa.

"Vou ao Obelisco porque a Argentina ganhou. Faziam 36 anos que não ganhava. Eu tinha seis anos quando ganhou em 1986. Não posso explicar com palavras, só com emoção", disse Paola Zattera, uma funcionária pública de 43 anos.

"Sempre tive o sonho"

"Bom dia", escreveu o capitão Messi em uma publicação em suas redes sociais com uma foto na cama abraçado à Copa do Mundo, como uma criança e seu brinquedo favorito.


"Foram cerca de três décadas em que a bola me deu muitas alegrias e muitas tristezas", continuou o jogador.

"Sempre tive o sonho de ser campeão do mundo e não queria deixar de tentar, mesmo sabendo que talvez nunca acontecesse", publicou em seu Instagram o camisa 10, que aos 35 anos finalmente conseguiu o título que faltava em sua brilhante carreira.

Em sua postagem, Messi agradeceu a Maradona, "que nos apoiou do céu", e encerrou afirmando que "muitas vezes o fracasso é parte do caminho e do aprendizado, e sem as decepções é impossível chegar ao sucesso".

O terceiro título mundial chega depois de 36 anos de espera, nos quais a Argentina perdeu duas finais, em 1990 e 2014.

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