Uma das filhas de Diego Maradona disse nesta terça-feira, no julgamento na Argentina pela morte do astro do futebol em 2020, que “a manipulação” de sua equipe médica “foi absoluta e horrível”.
Gianinna Maradona afirmou, em uma audiência em San Isidro, ao norte de Buenos Aires, que ela e seus irmãos foram induzidos a aceitar uma internação domiciliar apresentada como “séria” e bem equipada, mas que depois não se mostrou adequada para seu pai, que se recuperava de uma cirurgia cerebral quando faleceu.
“A manipulação foi absoluta e horrível”, disse. “Confiei nesses três indivíduos que a única coisa que fizeram foi nos manipular e deixar meu filho sem avô”, acrescentou, ao se referir ao neurocirurgião Leopoldo Luque, à psiquiatra Agustina Cosachov e ao psicólogo Carlos Díaz.
“Além do que diziam para nós, eles tinham em paralelo outra estratégia”, afirmou Gianinna, de 36 anos, após a reprodução de áudios de WhatsApp trocados entre integrantes da equipe médica de Maradona sobre como se proteger caso o ex-jogador sofresse uma fatalidade.
“Jamais imaginei que eles já estavam pensando que precisavam se resguardar, jogar a responsabilidade para o paciente; isso me gera bastante revolta ouvir”, disse a filha do campeão do mundo com a Argentina em 1986, em um depoimento que durou uma hora e meia antes do intervalo do meio-dia.
No início da audiência, a promotoria exibiu mensagens que envolviam Luque, que pediu para depor imediatamente em resposta às provas apresentadas pela acusação.
É a terceira vez que Luque depõe desde o início do julgamento na semana passada, e ele declarará “todas as vezes que for necessário”, ressaltou Julio Rivas, um de seus advogados de defesa.
Além de Luque, Cosachov e Díaz, outros quatro acusados podem pegar até 25 anos de prisão por homicídio com dolo eventual, figura jurídica que implica que eles tinham consciência de que suas ações poderiam causar a morte.
É a segunda vez que a Justiça tenta esclarecer as circunstâncias da morte do astro do futebol, depois de o primeiro julgamento ter sido anulado no ano passado ao se descobrir que uma das juízas participava de um documentário clandestino sobre o caso.
Com duas audiências semanais, prevê-se que o processo se estenda ao menos até a segunda quinzena de julho. Uma oitava enfermeira será julgada em outro processo.
*Por AFP.
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