A primeira vitória de Erick Schotten no TCR South America, conquistada em junho, no Autódromo Internacional do Mato Grosso, em Cuiabá, foi mais do que um resultado marcante. representou a rápida adaptação do piloto catarinesne de 19 anos a uma categoria muito diferente daquela em que construiu sua trajetória até então.
Competindo anteriormente pela W2 Racing ProGP, Schotten encarou em 2026 o desafio de trocar os carros de tração traseira, aos quais estava acostumado, pelo Cupra León VZ, de tração dianteira, utilizado no TCR. A mudança exigiu ajustes técnicos e mentais, mas os resultados apareceram rapidamente, culminando no triunfo que o tornou o brasileiro mais jovem a vencer na categoria.
Ao analisar seu desempenho de estreia na categoria, o piloto destacou que a abertura para aprender foi determinante no processo.
“Sempre andei em carros de tração traseira, então nada foi parecido com o TCR. Mas minha adaptação realmente foi rápida. Hoje eu tenho a manha do carro e consigo virar rápido. Foi um encaixe perfeito”, destacou Schotten.
Segundo Erick, a experiência da equipe foi fundamental para acelerar sua curva de aprendizado.
“Esse encaixe tem muito da nossa equipe, que conhece bastante o carro. Essa aprendizagem minha teve muita escuta e observação em relação ao trabalho da equipe. Deu muito certo e veio em um momento de maturidade bem maior em relação aos outros carros que tive de aprender. Vim de 18 para 19 anos quando entrei no TCR, em contexto diferente de quando comecei na Stock Light, por exemplo. Então, é uma fase em que escuto mais o que a equipe tem a dizer. ”, pontuou.
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Outro aspecto que chamou a atenção do catarinense foi o elevado nível técnico do grid. Acostumado a dividir a pista com jovens talentos na Stock Light, Schotten encontrou no TCR adversários altamente experientes e campeões em diferentes categorias do automobilismo.
“Nunca vi um grupo com tantos pilotos rápidos e com competência para vencer corridas. É praticamente todo mundo muito rápido. Claro que tem aqueles ‘feras’, como o Nelsinho, o Néstor Girolami e o Leonel Pernía, que é o campeão. Mas são todos muito rápidos, em um grid de nível altíssimo. E aí meu respeito por eles cresceu ainda mais. Quando você está fora, não dá para entender a fundo o quão alto é esse nível até você entrar. E aí você entende o esforço que todos nós temos de fazer para estar nessa posição. Isso valoriza seu resultado, como foi aquela minha vitória em Cuiabá.”, detalhou.
“Entrei no TCR com a mente muito aberta. Não tinha muita referência em termos de resultado. Claro que a gente sempre entra para buscar a pole, pódio, vitória. Sabia que seria muito difícil e que tinha de comemorar bastante cada resultado positivo. Mas vou ser sincero: não esperava uma vitória no meu primeiro ano. Fiquei bem surpreso com a minha performance e com os resultados, talvez mais até do que em relação à performance. ”, completou.
Apesar da temporada ter sido interrompida por uma lesão sofrida após um forte acidente no Velocitta, Schotten já projeta os próximos passos da carreira. Entre os objetivos, está a continuidade no TCR e a possibilidade de ampliar sua experiência internacional no futuro.
“Quero muito seguir fazendo o TCR. Gosto muito da organização do campeonato. São profissionais que me ajudam bastante, que querem me ver no grid. E também gostei muito de correr lá nessa temporada e confio que o TCR vai crescer ainda mais, ter cada vez mais pilotos que vão correr recebendo um bom salário. Claro que existe um caminho até chegar lá, para construir uma trajetória e fazer um World Tour”, explicou.
“No fim das contas, meu desejo é correr o máximo possível, onde tiver oportunidade para correr. Quero fazer a Stock Car, conciliar com o TCR e, quem sabe, com algum campeonato europeu. É o sonho da minha vida, poder ter essa trilha e viver do automobilismo. Vamos trabalhar muito para conseguir realizar”, finalizou Erick Schotten.