A Ucrânia considerou, na quarta-feira, "um absurdo" que o Comitê Paralímpico Internacional (IPC) tenha autorizado atletas russos e bielorrussos a competirem com suas bandeiras e hinos nacionais nos Jogos Paralímpicos de Inverno de Milão-Cortina (6 a 15 de março).
Seis atletas russos e quatro bielorrussos foram admitidos no evento, informou o IPC à AFP na terça-feira. A decisão representa mais um passo na reintegração dessas duas nações, que estão banidas do cenário internacional desde a invasão da Ucrânia por Moscou, em fevereiro de 2022, com o apoio de Minsk.
Reação do governo ucraniano
"A decisão dos organizadores (...) de permitir que assassinos e seus cúmplices participem dos Jogos Paralímpicos com suas bandeiras nacionais é decepcionante e ultrajante", declarou o Ministro dos Esportes da Ucrânia, Matvii Bidny, na plataforma de mídia social X.
"As bandeiras da Rússia e da Bielorrússia não deveriam estar presentes em eventos esportivos internacionais que defendem a igualdade, a integridade e o respeito. São as bandeiras de regimes que transformaram o esporte em uma ferramenta de guerra, mentiras e desprezo", acrescentou.
"Na Rússia, o esporte paralímpico se tornou um pilar para pessoas que Putin enviou à Ucrânia para matar e que retornaram da Ucrânia feridas e incapacitadas", acrescentou o ministro.
"Dar-lhes uma plataforma significa dar voz à propaganda de guerra", denunciou.
Veja também:
Todas as notícias da Gazeta Esportiva
Canal da Gazeta Esportiva no YouTube
Siga a Gazeta Esportiva no Instagram
Participação confirmada das delegações
O Comitê Paralímpico Russo (RPC) recebeu vagas para participar dos Jogos de Milão-Cortina em três modalidades: duas no esqui alpino (um masculino e uma feminina), duas no esqui cross-country (um masculino e uma feminina) e duas no snowboard (dois masculinos).
A Bielorrússia, por sua vez, terá quatro representantes, todos no esqui cross-country (um masculino e três femininas).
Posicionamento do IPC e da Ucrânia
Um representante do IPC, Craig Spence, disse à AFP na terça-feira que os atletas da Rússia e da Bielorrússia serão tratados como "os de qualquer outro país".
Isso significa que eles poderão desfilar na cerimônia de abertura como qualquer outra delegação, carregar sua bandeira e ouvir seu hino nacional caso conquistem o ouro.
O presidente do Comitê Paralímpico Ucraniano, Valery Sushkevich, disse à AFP na terça-feira que estava "indignado", mas rejeitou qualquer apelo ao boicote do evento.
*Conteúdo produzido pela AFP