Apesar do retorno, a presença de russos e bielorrussos nos Jogos Paralímpicos de Milão é incerta

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Foto: John MACDOUGALL / AFP

A pouco mais de cinco meses para os Jogos Paralímpicos de Inverno marcado para o dia 6 de março de 2026), o Comitê Paralímpico Internacional (CPI) concordou em reintegrar Rússia e Belarus como membros plenos, mas sua presença em Milão-Cortina ainda está longe de ser garantida.

A maioria dos membros da assembleia geral do CPI, reunida neste sábado em Seul, rejeitou a suspensão total da Rússia e de Belarus e manteve a suspensão parcial em vigor desde a invasão da Ucrânia pelo exército russo, com a ajuda da Belarus, iniciada em fevereiro de 2022.

Em um texto enviado à AFP, o ministro ucraniano do Esporte, Matvii Bidnii, acusou o CPI de ter traído "os valores olímpicos".

"Apelamos aos nossos parceiros europeus, que sediarão os próximos Jogos Paralímpicos de Inverno, para que não permitam que a bandeira de um Estado agressor seja hasteada em um espaço livre e democrático enquanto a guerra de agressão continua", acrescentou.

A suspensão parcial desses dois comitês foi decidida no outono de 2023, e os atletas paralímpicos russos e bielorrussos foram autorizados a participar dos Jogos Paralímpicos de Paris-2024 sob uma bandeira neutra e em conformidade com rigorosas condições de neutralidade.

O Comitê Paralímpico Russo saudou a decisão, que descreveu como "justa" e "um exemplo de como os direitos dos atletas devem ser protegidos sem discriminação com base em nacionalidade ou considerações políticas".

 

Sem bandeira russa desde 2014

Em teoria, esta decisão abre caminho para a presença de atletas paralímpicos russos e bielorrussos nos Jogos Milão-Cortina (6 a 15 de março), embora as federações internacionais dos esportes programados para o evento paralímpico precisem dar a aprovação final. Até o momento, a suspensão foi mantida.

Para ser elegível para os Jogos Paralímpicos, cada atleta deve ter uma licença ativa para a temporada 2025-2026 de sua federação internacional. Neste caso, da FIS (esqui), da IBU (biatlo) e da WPIH (hóquei no gelo), que até agora excluíram atletas russos e bielorrussos do processo de classificação, e da World Curling, que atribui uma cota por país em vez de por atleta, e cujo processo de classificação já foi encerrado.

No entanto, a presença das bandeiras russa e bielorrussa em Milão, enquanto a guerra continua na Ucrânia, está longe de ser garantida.

A bandeira russa não é hasteada em um evento olímpico desde os Jogos de Inverno de Sochi, em 2014.

No Rio-2016, o CPI suspendeu o comitê russo após um amplo escândalo de doping orquestrado pelo Estado russo. O mesmo motivo foi aplicado nos Jogos de Pyeongchang-2018 e Tóquio-2021, onde atletas russos competiram sob bandeira neutra.

O CPI então excluiu os comitês paralímpicos russo e bielorrusso dos Jogos de Inverno de Pequim-2022 em 3 de março daquele ano, na véspera da cerimônia de abertura, após a invasão da Ucrânia pelo exército russo, apoiado por Belarus, iniciada alguns dias antes, em 24 de fevereiro.

Se o CPI finalmente autorizar as bandeiras russa e bielorrussa, seriam os ucranianos que estariam ausentes do evento, já que um decreto de 26 de julho de 2023 proíbe atletas ucranianos de participarem de competições "onde a Federação Russa ou a República de Belarus estejam representadas".

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