A polícia de Hong Kong informou, nesta sexta-feira, a detenção de um homem depois que espectadores vaiaram o hino chinês e entoaram palavras de ordem a favor de Hong Kong, enquanto assistiam aos Jogos Olímpicos de Tóquio em um shopping no início da semana.
"Quando tocou o hino nacional no shopping, teve gente que ergueu aberta e deliberadamente a bandeira colonial de Hong Kong, e até encorajou outras pessoas a vaiarem, gritarem slogans e insultarem o hino", disse uma porta-voz da polícia à imprensa.
Segundo a polícia, um homem de 40 anos foi detido. Essas ações foram uma "incitação ao ódio e uma politização do esporte", acrescentou a porta-voz.
Espectador erguendo a bandeira colonial de Hong Kong. (Foto: Isaac Lawrence/AFP)
Hong Kong tem seu melhor desempenho em Jogos Olímpicos com a conquista da medalha de ouro na esgrima por Edgar Cheung, e as duas pratas, na natação de Siobhan Haughey.
O sucesso esportivo coincide com tempos difíceis para a ex-colônia britânica que foi reintegrada à China em 1997. A potência asiática colocou em prática uma violenta repressão aos dissidentes políticos em resposta às gigantescas, e muitas vezes violentas, manifestações pró-democracia de dois anos atrás.
“Somos Hong Kong”
Centenas de torcedores se reuniram em um shopping na noite da última segunda-feira para assistir à vitória de Cheung. Na cerimônia da medalha, alguns torcedores vaiaram o hino nacional chinês e gritaram "Somos Hong Kong", o que foi transmitido pela televisão.
"Somos Hong Kong" é uma canção comumente cantada pelos torcedores de futebol de Hong Kong. Muitos deles se identificam com a cultura cantonesa, em oposição ao mandarim falado na China continental.
As autoridades promulgaram novas leis no ano passado, proibindo qualquer insulto ao hino nacional e à bandeira chinesa, justificando-as com a atitude dos torcedores de futebol de Hong Kong.
A ex-colônia foi devolvida por Londres a Pequim em 1997. O acordo pretendia garantir por 50 anos no território liberdades desconhecidas no restante da China. Graças a essa semiautonomia, a cidade foi durante muito tempo um símbolo da liberdade de expressão, ao contrário do restante do país.