Com Lucas Pinheiro Braathen, o carnaval brasileiro chega a Milão-Cortina

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Foto por ANDREAS RENTZ / POOL / AFP

Chegou o grande dia para o Brasil e a América Latina: o esquiador alpino Lucas Pinheiro Braathen, grande esperança de uma medalha histórica para a região nos Jogos Olímpicos de Inverno, competirá no slalom gigante em Milão-Cortina, no sábado, no Passo Stelvio, perto de Bormio.

Esta será a primeira de duas provas programadas na Itália para o popular esquiador, nascido há 25 anos em Oslo, mas que representa o país de sua mãe desde 2024. A outra será o slalom, na segunda-feira, no mesmo local.

Pinheiro Braathen chega a estes Jogos após uma temporada muito consistente, na qual frequentemente se classificou entre os primeiros colocados, ocupando atualmente a 2ª posição no ranking do slalom. Ele também fez história para o Brasil em novembro passado ao vencer o slalom de Levi, na Finlândia, garantindo a primeira vitória do país sul-americano em uma etapa da Copa do Mundo de Esqui Alpino.

Ruptura com a Noruega

Mas por que esse esquiador, um produto esportivo praticamente 100% norueguês, decidiu competir pelo Brasil?

O ponto de partida é um conflito com a poderosa Federação Norueguesa de Esqui, motivado principalmente por uma questão de direitos de imagem.

"Para transmitir minha mensagem e expressar meu verdadeiro propósito, eu precisava de liberdade. Agora eu a sinto, em cada competição. Tenho essa liberdade que me permite ter um desempenho melhor, com o orgulho e a alegria que este esporte me traz", explicou o próprio atleta em uma coletiva de imprensa no início destes Jogos.

Em 2023, seu anúncio de que iria se aposentar surpreendeu a todos. E alguns meses depois, ele retornou vestindo as cores verde e amarela do país onde passou parte da infância após o divórcio dos pais, trazendo um toque incomum de calor e cor tropical ao esqui.

Fenômeno midiático

Além dos bons resultados desta temporada, o status de celebridade de Pinheiro Braathen nos esportes de inverno é muito alto devido ao seu carisma pessoal.

No circuito de esqui alpino, ele é frequentemente visto em seu papel de showman, DJ, participando de eventos e provocando uma inesperada "Pinheiromania" que lhe rendeu fãs ilustres.

O ex-jogador de futebol alemão Bastian Schweinsteiger, campeão mundial em 2014, justamente no Brasil, posou recentemente com orgulho em uma camisa autografada por Pinheiro durante a prova de downhill em Kitzbühel, na Áustria.

Na publicidade, ele lançou sua própria linha de produtos para cuidados faciais e é o rosto de marcas de luxo como a Moncler, que o vestiu na última sexta-feira na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, onde Pinheiro foi o porta-bandeira. A Moncler também o escolheu para uma campanha para estes Jogos Olímpicos, que fez com que o rosto do esquiador brasileiro agora adornasse edifícios icônicos ao redor do mundo, como um banner gigante na Ópera Garnier, em Paris.

Um Encontro com a História

Nos Jogos Olímpicos, quando competia pela Noruega, ele desistiu do slalom gigante e do slalom nas edições anteriores, em Pequim 2022. Ele também não possui medalhas no Campeonato Mundial de Esqui Alpino.

Mas suas conquistas no circuito de 2025-2026 aumentaram as expectativas.

O melhor resultado histórico do Brasil é o nono lugar de Isabel Clark no snowboard cross em Turim 2006, e a América Latina nunca chegou perto de um pódio olímpico de inverno, com a única exceção do quarto e quinto lugares conquistados por duas equipes argentinas no bobsled em St. Moritz 1928, quando a modalidade ainda estava em seus primórdios e longe do que é hoje.

"Honestamente, a pressão é imensa. Eu represento mais de 200 milhões de brasileiros. Sou um atleta que tem essa oportunidade, de ganhar uma medalha. É uma responsabilidade que carrego todos os dias", admitiu Pinheiro Braathen na semana passada.

*com conteúdo da AFP

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