Ítalo Ferreira, o campeão olímpico que começou surfando com uma tampa de isopor

São Paulo, SP

27-07-2021 07:47:13

Ítalo Ferreira, primeiro campeão olímpico do surfe, começou a domar as ondas usando como prancha uma tampa de isopor da caixa térmica em que seu pai guardava os peixes que vendia.

O atleta de 27 anos também conquistou a primeira medalha de ouro do Brasil nos Jogos de Tóquio-2020 nesta terça-feira, nas ondas de Chiba, a 100 quilômetros da capital japonesa, que aparentemente não tinha nada para intimidá-lo.

As ondas de Chiba são menores, com vento e às vezes "mais lisas" do que as de outros locais de competição e semelhantes às de Baía Formosa, sua cidade natal no Rio Grande do Norte, disse Ítalo em entrevista à AFP antes dos Jogos. "Para mim não muda muito, já tenho experiência e malícia para surfar nessas condições”, afirmou.

Desde a infância, as pranchas melhoraram em qualidade e os troféus se acumularam.

"Um dia um primo me deu uma prancha quebrada, mas era suficiente e melhor do que isopor. Aí meu pai me comprou uma prancha, ele pagou com um peixe e o resto em dinheiro. A partir daí comecei a surfar um pouco mais", lembra o surfista.


"Viemos de lugares onde temos que nos superar. Cada vitória dá muita garra, muita perseverança, isso nos torna mais profissionais, nos dá mais vontade de vencer", disse ele.

Até a adolescência, ele via o que agora é sua profissão como um hobby. Mas passou a disputar torneios locais, aos quais às vezes entrava pedindo dinheiro em mercados e farmácias, e Luiz "Pinga" Campos, renomado descobridor de surfistas, notou seu talento.

"Foi quando percebi que poderia ir mais longe se me dedicasse totalmente e, assim, cada vez que vencesse um campeonato, poderia ajudar meus pais”, lembrou Ítalo.

As expectativas se confirmaram: aos 10 anos, venceu um torneio local, aos 14 se tornou bicampeão mundial Pro Junior, em 2014 foi campeão brasileiro, em 2015 foi admitido na World Surf League (WSL) e em 2019 se tornou o terceiro brasileiro a conquistar o título mundial, depois de Gabriel Medina (2014 e 2018) e Adriano de Souza (2015).

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