Isaquias Queiroz mostrou um potencial de recuperação acima da média para buscar mais uma medalha nos Jogos Olímpicos. O brasileiro levou a prata na final do C1 1000m desta sexta-feira depois de iniciar a prova em ritmo bem abaixo dos principais adversários. O canoísta revelou as dificuldades que teve em sua trajetória e ficou bastante emocionado com o seu resultado em Paris.
“Não me senti muito bem aqui nas Olimpíadas, estava muito bem lá no Brasil. O ritmo caiu um pouco, mas mesmo assim, o tempo aqui foi bem rápido, o que fiz, mas de sensação assim, 100%, acho que não foi exatamente o que eu queria, mas poder sair aqui com a medalha de prata já é gratificante. Principalmente poder não sair daqui de pescoço pelado, porque esse é o nosso dilema, sair de pescoço pelado não dá. Então é uma coroação de um trabalho que vem sendo feito. Vocês mesmos sabem, 2023 não foi um ano especial para mim (esportivamente). Foi um ano especial para mim, de poder estar com minha família, poder passar por um momento que eu nunca tinha passado e poder ver as pessoas que realmente estavam do meu lado, me apoiando, me incentivando, cuidando de mim. Acho que essa medalha coroou essa situação toda que tive”, afirmou.
Assim como em outras corridas, Isaquias manteve a estratégia de colocar sua força máxima na reta final. O brasileiro deu mais uma arrancada espetacular nos últimos 250 metros e saltou da quarta posição para a segunda, terminando com tempo de 3min44seg33, um segundo a menos que Martin Fuksa. O tempo feito por Queiroz lhe daria o ouro em todas as outras edições. Ele, inclusive, também bateria o recorde olímpico, caso o tcheco não tivesse tido um desempenho histórico.
Isaquias também elogiou seu adversário, explicou seus movimentos na prova e revelou que a prata foi tão importante quanto o ouro.
“Essa medalha de prata tem gosto de ouro para mim, eu estava muito atrás na prova. Eu tentei sair rápido, mas o Martin foi mais rápido ainda, acho que passou com 1,48 ou 1,47 por 500 metros, que é uma passagem muito rápida, só que eu não podia fazer isso porque senão eu podia me atrapalhar no final. E a subida minha, eu acho que eu tirei gás da onde não tinha ali. Eu estava muito atrás, estava mais ou menos quase em quinto lugar. Vi que o Zakhar Petrovi estava na frente em segundo, olhei para o lado um pouquinho rapidamente e vi que o Brendel e o Tarnovschi estavam bem… Aí falei, cara, não tem como passar mais ninguém aqui. Falei, vou subir, vou arriscar tudo, fui subindo, subindo, subindo, acho que dá", disse.
"Aí quando chegou nos 100 metros finais, se eu passar o Petrovi, eu estou na medalha. E aí quando passei, eu senti que eu estava na frente do Tarnovschi. Então falei, agora é segurar até o final. E como Jesus falava e que o Pina falava também, no final só solta a rimada, não tem mais força, não tem mais braços, é só soltar a rimada e deixar o barco andar. Então acabei soltando bastante no final aqui e consegui a medalha de prata, que para mim já é um grande feito já”, concluiu.
É PRATAAAAA PARA O BRASIL!!! 🥈
Isaquias Queiroz conquista a prata no C1 1000m da canoagem velocidade e chega a sua quinta medalha olímpica, entrando de vez para o hall dos maiores vencedores do nosso esporte! 🇧🇷
Mais um feito histórico desse gigante que JAMAIS saiu de uma… pic.twitter.com/oLqdNGw9Fo
— Time Brasil (@timebrasil) August 9, 2024
Com a prata, Isaquias igualou os velejadores Robert Scheidt e Torben Grael na vice-liderança entre os brasileiros com mais medalhas nos Jogos, com cinco cada, atrás apenas de Rebeca Andrade, que tem seis.
Isaquias Queiroz conquistou um ouro, três pratas e um bronze. Robert Scheidt ganhou dois ouros, duas pratas e um bronze. Já Torben Grael dois ouros, uma prata e dois bronzes. Enquanto Rebeca soma dois ouros, três pratas e um bronze.
Isaquias ganhou a prata no C2 e no C1 de 1000 m, no Rio de Janeiro, em 2016, além do bronze no C1 de 200 m. Já em Tóquio, em 2021, o canoísta levou o ouro no C1 de 1000 m. Agora, conquistou a prata do C1 de 1000 m dos Jogos de Paris.
Anteriormente, Isaquias, ao lado de Jacky Godmann, disputou o C2 500m na atual edição das Olimpíadas, mas não conseguiu a medalha. Os brasileiros terminaram na oitava posição no geral.