Nesta segunda-feira, a Assembleia Geral da ONU pediu, por maioria absoluta, que todos os países do mundo respeitem a trégua olímpica. O ato é uma tradição que ocorrerá em virtude dos Jogos Olímpicos de Paris em 2024.
A decisão, adotada por 118 votos a favor e nenhum contra — com abstenções de Rússia e Síria —, insta os Estados-membros a "observarem a trégua olímpica individual e coletivamente". O ato deve acontecer entre sete dias antes do início das Olimpíadas de Paris e sete dias depois da final dos Jogos Paralímpicos.
O texto, elaborado pela França e assinado por mais de 60 países, ressalta também a "importância da cooperação entre os Estados-membros para aplicar os valores da trégua olímpica no mundo".
O chefe do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Paris, Tony Estanguet, comentou sobre na tribuna da ONU: "Os Jogos são a melhor personificação do poder do esporte porque difundem os seus valores de partilha, a tolerância e o respeito por todo o mundo".
Ele também falou sobre o momento da geopolítica mundial: "Combinam os valores do esporte e a diversidade do mundo, são universais. No contexto atual de conflitos e tensões que vivemos, estamos mais convencidos do que nunca de que precisamos dos Jogos".
Inspirada na antiga tradição grega da "Ecequeria", que impôs o cessar de todas as hostilidades durante os antigos Jogos Olímpicos, a "trégua olímpica" foi reintroduzida pela ONU em 1993, na sequência de uma iniciativa do Comitê Olímpico Internacional. Geralmente adotada por consenso a cada dois anos antes dos Jogos Olímpicos de Inverno e de Verão, esta trégua nem sempre é respeitada.
Um exemplo deste caso é a invasão da Ucrânia pela Rússia em 24 de fevereiro de 2022, considerada pelo COI como uma violação da trégua olímpica ligada aos Jogos de Pequim de 2022. Portanto, recomenda que as federações internacionais proíbam suas competições em território russo, bem como todos os símbolos oficiais deste país, como hinos e bandeiras.