Pai de Bianchi lamenta situação "estagnada" do piloto: “É terrível”

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O Grande Prêmio de Mônaco tem um significado especial para a família de Jules Bianchi. Na última temporada, o circuito foi palco da melhor exibição do francês na Fórmula 1, onde ele angariou os primeiros e únicos pontos de sua carreira na categoria máxima do automobilismo. Cinco meses após o feito, o piloto sofreu o acidente no GP de Suzuki, no Japão, entrou em coma e está inconsciente desde então. Às vésperas de mais uma edição da corrida no principado, o pai de Bianchi relembrou o feito do filho e admitiu que sua recuperação não anda como o esperado.

“A primeira coisa é que Jules está vivo, esta é a coisa mais importante para nós, mas todo dia é uma dificuldade. A situação estagnou. O progresso neurológico de Jules não está como nós gostaríamos que estivesse. Quando nós acordamos toda manhã, nós pensamos na vida de Jules, mas também pensamos em sua morte. Nós temos que pensar sobre morte porque nós estamos em uma situação em que sabemos que muitas coisas podem acontecer. É terrível”, afirmou Philippe Bianchi em entrevista ao Canal+.

Jules sofreu o acidente no dia 5 de outubro do ano passado, quando o carro da Marussia que pilotava escapou da pista e se chocou com o guindaste que retirava o carro de Adrian Sutil, acidentado na volta anterior. O francês permaneceu em coma induzido no Hospital de Yokkaichi antes de ser transferido para Nice, sua cidade natal, em meados de novembro.

O GP de Mônaco foi palco dos primeiros pontos conquistados pelo francês Jules Bianchi na Fórmula 1

O GP de Mônaco foi palco dos primeiros pontos conquistados pelo francês Jules Bianchi na Fórmula 1 - Credito: AFP

“Eu acho que todos nós paramos de viver naquele dia, 5 de outubro. É algo que você nunca pode esperar. Não é o que o Jules quer, estar numa cama de hospital. Não é a vida dele, e não é o que nós queremos também. Mas temos que manter a esperança”, disse Philippe. “Ele está lutando com as armas que tem, mas em termos neurológicos eu não tenho certeza de que ele tem capacidade de fazer muita coisa agora. Ver sua luta dá muita esperança a seus entes queridos, e isso é importante para nós. Enquanto houver vida, há esperança, mesmo que depois de um tempo você passe a esperar por um milagre”, acrescentou.

O hospital em que Jules está internado fica a cerca de 20km do circuito em Monte Carlo. O pai relembrou a corrida em Mônaco, em que o francês cruzou a linha de chegada em oitavo lugar, mas teve acréscimo de 5s a seu tempo total de prova e acabou com o nono posto. Foi o melhor resultado da Marussia e representou os primeiros pontos conquistados pela equipe em sua história.

“Era o sonho de Jules marcar pontos na Fórmula 1 e ele realizou isso com a Marussia. Eu estava lá, e quanto Jules terminou a prova eu tive sorte o suficiente para ser a primeira pessoa a abraça-lo porque eu estava sozinho quando ele cruzou a linha. Aqueles foram momentos incríveis. Jules está aqui, apesar do choque pelo qual passou. Ele ainda está aqui e está lutando. Todas as pessoas que pensam nele lhe dão forças. Ele pode sentir e isso é bonito. Nós ficamos muito comovidos”, completou.

A pontuação conquistada por Bianchi em Mônaco deu à Marussia a décima colocação do último Mundial de Construtores, à frente da Caterham. A premiação em dinheiro pela conquista foi fundamental para que o time, agora com novos donos, continuasse disputando o Mundial de Fórmula 1 nesta temporada. Para homenagear o piloto, a equipe está distribuindo pulseiras a seus funcionários com os dizeres “Mônaco 2014. P8 #JB17”, em alusão ao resultado, as iniciais do nome e o número de seu carro.

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