A retomada da parceria entre McLaren e Honda, que fez tanto sucesso no fim dos anos 80 e início dos anos 90 com os títulos de Ayrton Senna e Alain Prost, não começou exatamente como o esperado. Após muita empolgação nos últimos meses, a equipe e a montadora precisaram baixar as expectativas após o pífio desempenho na pré-temporada – apenas 380 voltas em 12 dias testes –, a falta de confiabilidade e o acidente de Fernando Alonso.
Na manhã deste sábado, no teste de classificação para o GP da Austrália, que abre a temporada 2015, a escuderia decepcionou mais uma vez e teve a pior marca em seus 50 anos de história: os carros de Jenson Button e Kevin Magnussen registraram os piores tempos do Q1, e como a Marussia não deve alinhar no domingo, a McLaren vai largar na última fila pela primeira vez. Diante do episódio, o diretor esportivo da honda, Yasuhisa Arai, justificou o péssimo desempenho, dizendo que a Honda optou por utilizar os motores com potência reduzida por motivos de segurança.
“Nossos ajustes estão muito conservadores neste fim de semana. Esta é a razão de termos tão pouca potência na unidade. O problema de calor não é apenas no motor, mas também no MGU-K (sistema de recuperação de energia cinética). Nós reduzimos a potência para que a unidade resista a várias corridas”, esclareceu.
Para Éric Boullier, diretor do time de Woking, não há previsão para a equipe voltar a ser competitiva. Considerando que a Malásia, palco da segunda etapa do Mundial no dia 29 de março, apresenta temperaturas médias cerca de 15° C mais altas que na Austrália, os problemas não devem ser solucionados tão cedo. “Há uma correção em andamento e estamos trabalhando para resolver de forma definitiva. Mas não posso dar um prazo. Só queremos nos recuperar o mais rápido possível”, projetou o francês.
Campeão em 2009 pela Brawn GP, Button não quer criar expectativas para o GP australiano, mas não se preocupa com o mau começo e está confiante na melhora do desempenho da equipe nas próximas semanas, projetando em longo prazo uma possível competição com a Mercedes pelas primeiras posições.
“Não tenho muitas expectativas para esta primeira corrida, estou pensando em longo prazo. Todos estão pensando em longo prazo. Seria bom para o esporte alguém desafiar as Mercedes. Sabemos que poderemos um dia, mas temos um longo caminho pela frente. O carro é bom de dirigir. Mas temos que evoluir em muitas áreas. No futuro creio que este será um carro muito importante para a McLaren-Honda em termos de direção. Há muito a se trabalhar, mas a base do carro é boa. Isso pode ser algo grande no futuro”, avaliou o piloto.
De acordo com a Honda, o péssimo desempenho da McLaren se deve aos motores com potência reduzida por motivo de segurança - Credito: AFP
Para piorar a situação da esquadra, o retorno do bicampeão mundial para a prova em Sepang não está confirmada. Questionados sobre a situação do espanhol, a McLaren disse que o retorno não depende da equipe e que a decisão cabe aos médicos, que “tomarão uma decisão baseada em exames mais detalhados”. Ou seja, a esperada reestreia de Alonso pode ser adiada mais uma vez.
A escuderia de Ron Dennis também informou que as causas do acidente ainda são desconhecidas.
"Não se sabe exatamente por que o acidente ocorreu. Depois de conduzir uma detalhada análise, estamos confiantes de que o acidente não foi causado por um mal funcionamento do carro de nenhuma natureza. E da mesma forma, os testes de monitoramento a que Fernando foi submetido não revelaram qualquer anormalidade", afirmou um assessor de imprensa da equipe à mídia britânica.