Motor/Fórmula 1

“Minha vida está ligada a Ayrton Senna”, diz Alain Prost

São Paulo , SP
30/04/2019 09:42:03

Em: Fórmula 1, Motor

A rivalidade entre Ayrton Senna e Alain Prost marcou vários anos da Fórmula 1, se encerrando em 1994, no Grande Prêmio de San Marino, em Ímola, com a morte do piloto brasileiro em um acidente. Mas nem mesmo 25 anos depois do fatídico dia, o tricampeão da categoria deixou de fazer parte da vida do ex-piloto francês. Muito pelo contrário. As marcas seguirão para sempre.

Em entrevista concedida à AFP, Prost foi enfático ao resumir sua relação com Senna. “Não apenas minha carreira, mas também minha vida está ligada a Ayrton Senna”, afirmou o ex-piloto, na semana em que a morte do brasileiro completa 25 anos, dia 1º de maio.

Dois dos principais pilotos da história da Fórmula 1, Senna e Prost venceram sete dos campeonatos entre 1985 e 1993 e marcaram época por conta da rivalidade dentro e fora das pistas, mesmo no período em que foram companheiros de equipe. Em 1988, o brasileiro se juntou a McLaren, que já contava com o francês, bicampeão mundial.

Ayrton Senna e Alain Prost protagonizaram uma das maiores rivalidades da Fórmula 1 (Foto: AFP)

“Esta rivalidade foi incrível mas estava também ligada a toda a cena e, infelizmente, a morte de Ayrton a deixou congelada. Na realidade, eu só corri dois anos com ele na mesma equipe, e só quatro ou cinco anos no total (com os dois lutando pelo título). Fiz muitas coisas, ganhei muitas corridas e campeonatos sem ele, mas nossa história está completamente ligada. Não há um momento em que, se você fala de Prost, não mencione Senna e vice-versa. Não só minha carreira, mas também minha vida está ligada a ele. Vivo com isso há cerca de 30 anos”, disse Prost.

Durante o período em que os dois disputaram títulos na F1, Senna e Prost protagonizaram diversos episódios. Um dos mais marcantes, inclusive, aconteceu em Portugal, quando Ayrton fez um movimento para cima de Alain, o empurrando contra a parede. Depois, no Japão, em 1989, com a decisão do título em jogo, o brasileiro foi pole, mas colidiu com o francês, que conquistou o tricampeonato.

“São coisas que podem ser explicadas. Não há um só dia em que não se fale disso. Nas redes sociais todos os dias há praticamente alguma coisa, é fenomenal. Deixamos uma marca, não nos demos conta completamente na época. Resumindo: passamos de um mundo de especialistas da F1 a um mundo totalmente aberto. Aí vimos chegar os grandes meios de comunicação, porque existia essa batalha humana entre dois pilotos de carisma, cultura e educação diferentes”, analisou.

“Quando corríamos um contra o outro havia, ‘a grosso modo’, uns 50% das pessoas que te adoravam, e uns 50% que te odiavam. Era realmente incrível. Depois que deixei a F1 em 1993 já foi diferente. Felizmente houve seis meses quase de amizade a partir do momento em que larguei a F1 até o acidente. Isso mudou por completo a relação. E depois da morte de Ayrton, eu diria que os fãs de Senna – claro que não todos, porque sempre há os irredutíveis, mas a grande maioria – se uniram por uma história em comum, não ao Prost contra Senna, e isso é bonito”, completou Prost.