Hamilton expõe suas marcas do racismo e revela pilotar por algo "muito mais profundo"

São Paulo, SP

05-06-2020 21:17:26

Desde o dia em que o americano George Floyd foi asfixiado por policiais brancos nos Estados Unidos, o piloto Lewis Hamilton se tornou uma das principais vozes a favor das manifestações realizadas ao redor do mundo em defesa da igualdade racial. Entretanto, o inglês ainda não havia exposto os impactos do racismo em sua vida pessoal e carreira profissional.

Nesta sexta-feira, Hamilton fez uma publicação em suas redes sociais mostrando as dificuldades que vivenciou por conta da cor de sua pele. Único piloto negro da Fórmula 1, o hexacampeão mundial destaca que a luta acontece desde cedo, em um cenário no qual preferia guardar suas mágoas para si e responder dentro do carro.

 

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I’ve been reading every day to try to stay on top of everything that’s been happening in our fight against racism, and it’s brought back so many painful memories from my childhood. Vivid memories of the challenges I faced when I was a kid, as I’m sure many of you who have experienced racism or some sort of discrimination have faced. I have spoken so little about my personal experiences because I was taught to keep it in, don’t show weakness, kill them with love and beat them on the track. But when it was away from the track, I was bullied, beaten and the only way I could fight this was to learn to defend myself, so I went to karate. The negative psychological effects cannot be measured. This is why I drive the way I do, it is far deeper than just doing a sport, I’m still fighting. Thank God I had my father, a strong black figure who I could look up to, that I knew understood and would stand by my side no matter what. Not all of us have that but we need to stand together with those who may not have that hero to lean on and protect them. We must unite! I have wondered why 2020 seemed so doomed from the start but I’m starting to believe that 2020 may just be the most important year of our lives, where we can finally start to change the systemic and social oppression of minorities. We just want to live, have the same chances at education, at life and not have to fear walking down the street, or going to school, or walking into a store whatever it may be. We deserve this as much as anyone. Equality is paramount to our future, we cannot stop fighting this fight✊🏾, I for one, will never give up! #blacklivesmatter #endracism #nevergiveup #wewinandwelosetogether

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"Eu tenho lido todos os dias para tentar ficar por dentro de tudo o que está acontecendo em nossa luta contra o racismo, e isso trouxe de volta tantas lembranças dolorosas da minha infância. Memórias vívidas dos desafios que enfrentei quando criança, como tenho certeza de que muitos de vocês que sofreram racismo ou algum tipo de discriminação já enfrentaram", escreveu o inglês.

"Falei muito pouco sobre minhas experiências pessoais porque fui ensinado a mantê-las, não demonstrar fraqueza, as combater com amor e responder na pista. Mas quando estava fora da pista, fui intimidado, espancado e a única maneira de lutar contra isso foi aprender a me defender, então fui para o karatê. Os efeitos psicológicos negativos não podem ser medidos", completou.

Hamilton ainda destaca que a forma como pilota é resultado de tudo o que enfrentou ao longo de sua vida. Uma forma de superar seus medos, inspirar outros negros e orgulhar seu pai, além de explicitar que a causa é muito mais profunda do que a paixão pelo esporte.

"É por isso que eu dirijo da maneira que faço, é muito mais profundo do que apenas praticar um esporte, ainda estou lutando. Graças a Deus eu tinha meu pai, uma figura negra forte que eu podia admirar, que eu sabia que entendia e ficaria ao meu lado, não importa o quê. Nem todos temos isso, mas precisamos estar juntos com aqueles que podem não ter esse herói para se apoiar e protegê-los", declarou.

O piloto conclui pedindo união, reforçando que os direitos fundamentais deveriam ser proporcionados a qualquer um e que nunca desistirá da luta pela igualdade perante a sociedade.

"Nós devemos nos unir! Eu me perguntei por que 2020 parecia tão condenado desde o início, mas estou começando a acreditar que 2020 pode ser apenas o ano mais importante de nossas vidas, onde finalmente podemos começar a mudar a opressão sistêmica e social das minorias. Nós apenas queremos viver, ter as mesmas chances de educação, de vida e não ter medo de andar na rua, ou ir à escola, ou entrar em uma loja, seja ela qual for. Nós merecemos isso tanto quanto qualquer um. A igualdade é fundamental para o nosso futuro, não podemos parar de combater essa luta, eu nunca desistirei!".

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