Por Maria Clara Castro
Após visitar, na manhã da última quarta-feira (9), o projeto social Casa Amarela, no Morro da Providência, no Rio de Janeiro, o heptacampeão mundial de Fórmula 1, Lewis Hamilton, atendeu a uma conferência de imprensa, em São Paulo, promovida pela Petronas, parceira há 10 anos da equipe Mercedes de Fórmula 1, e conversou com os jornalistas brasileiros, algo já tradicional de se fazer na semana do Grande Prêmio de F1 no Brasil.
No evento, Hamilton cumprimentou com “boa tarde”, em português, agradeceu novamente o título de Cidadão Honorário, o qual recebeu oficialmente na segunda-feira (7), em Brasília (DF), destacou a importância da parceria Mercedes-Petronas e, por fim, respondeu às perguntas relativas ao momento atual de sua carreira.
Como será o futuro da Fórmula 1 sem Hamilton?
Em seu peito, Lewis tem marcado “powerful beyond measure”, que significa, em português, poderoso para além da medida, e vem de uma citação da autora estadunidense Marianne Williamson: “O nosso maior medo não é sermos inadequados. O nosso maior medo é de sermos poderosos para além da medida. É a nossa luz, não a nossa escuridão, que mais nos amedronta”.
Único piloto negro da Fórmula 1, por muitos anos, Hamilton evitou sequer falar de questões raciais ou de cunho social, no geral. Mas, com o movimento do Black Lives Matter – Vidas Negras Importam –, em 2020, o heptacampeão mundial de F1 ressurgiu como símbolo ativista do movimento negro. Antes, sua luz, seu poder o amedrontava. Hoje, sabe que é poderoso para além da medida e não tem receio de mostrar sua luz.
Com isso, Lewis traz mudanças para o esporte a motor, deixando um legado recheado por diversidade e sustentabilidade. Neste sentido, ao ser questionado pela Gazeta Esportiva sobre como, em sua opinião, a Fórmula 1 manterá o seu legado quando ele não mais fazer parte do grid, Hamilton respondeu:
“Gosto de pensar nos passos que venho dando e falando, utilizando a minha plataforma, espero que os pilotos que estão aqui hoje e os do futuro percebam que podem ser eles mesmos. Eles farão sua própria jornada, mas eles têm uma plataforma, têm voz, há muitas coisas pelas quais eles podem lutar e se preocupar”.
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E continuou: “acho que sempre farei parte do esporte. Faz parte de toda a minha vida desde os meus cinco [anos de idade], portanto, um dia, quando eu me afastar, acho que não me afastarei completamente. Acho que sempre manterei essas relações, continuarei trabalhando com Stefano [Domenicali] e sempre terei certeza de que ficaremos na reta, na direção que estamos indo agora, estamos fazendo a coisa certa. O esporte continuará ligado às questões reais”.
“Há pessoas realmente ótimas que obviamente se preocupam com essas questões. Haverá outro piloto? Acho difícil saber, há tantos bons pilotos aqui e eles estão em sua própria jornada, mas em algum momento eles descobrirão as coisas pelas quais são realmente apaixonados e terão tempo para falar sobre isso. Não é uma coisa fácil falar sobre as questões que eu falo e luto, mas tenho fé que continuará na direção que estamos seguindo e, no pior dos casos, eu voltarei para causar alguns problemas”, brincou Lewis.