“Este ano consegui finalmente estar em um lugar que mereço”, afirma Drugovich

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(Foto: Divulgação)

Por Maria Clara Castro

Campeão da Fórmula 2 antecipadamente, Felipe Drugovich realizou um teste à bordo do Aston Martin AMR21, no templo britânico de Silverstone, marcando a primeira vez que guiou um carro de Fórmula 1 em sua carreira. Agora, no Grande Prêmio de São Paulo, o novo piloto reserva da Aston Martin acompanha a equipe e se mostra bastante entusiasmado com as oportunidades que se desenham em sua carreira.

Neste sábado (12), o maringaense conversou com os jornalistas brasileiros no hospitality da equipe britânica e compartilhou como se deu seu primeiro teste em um F1.

“A hora que eu saí do box foi um momento incrível. Primeiramente passou um filme na minha cabeça, passei a vida inteira buscando chegar ali, sonhando com a Fórmula 1. E, depois disso, eu fiquei surpreso com a quantidade de downforce [força aerodinâmica] que o carro tem, não esperava que fosse tanta. Não sabia como iria sentir toda essa força no corpo. O teste aconteceu com a pista meio molhada, algo sem ser 100% representativo para o final de semana de corrida, mas só de sentir o downforce foi muito bom”, contou Felipe.

Porém, aqueles que pensam que basta vestir o macacão, calçar as sapatilhas, colocar a balaclava, capacetes e luvas, e, assim, entrar no carro, estão muito errados. Drugovich passou em torno de quatro a cinco dias utilizando o simulador e estudando o carro.

“No simulador, há muita coisa para aprender. Desde como ligar o carro, até as funções que há no volante para compensar algum erro de balanço que o carro tem. Existem várias ferramentas no Fórmula 1, já no Fórmula 2, por exemplo, não tem isso. No final das contas, o guiar em si é parecido com o F2, mas todos os procedimentos são bem diferentes, o piloto é bem mais ativo”, esclareceu o piloto.

Quando perguntado se já se sente pronto para acelerar um carro de F1, Felipe foi bem franco em sua resposta, deixando claro que precisa de mais preparo, porém não negaria caso precisasse substituir um outro piloto.

““O “estar pronto” é relativo. Acho que quanto mais dias de treino, melhor, afinal você sempre vai melhorar em alguma coisa. Lógico, se me pedissem para substituir alguém agora, eu substituiria. Já estou bastante familiarizado com os procedimentos, mas, ao mesmo tempo, eu me sinto melhor com mais preparo, não só com os 300 km que eu andei. Acredito que depois deste teste e o treino livre 1 de Abu Dhabi, vou poder dizer que estarei me sentindo bem mais confortável”, confessou.

Sobre o futuro, Drugovich se mostra animado e confia no programa de pilotos da Aston Martin.

“Para o ano que vem, eu serei reserva e acompanharei o desenvolvimento da equipe, seguindo por muitas etapas, todos os meetings [encontros}, todas as reuniões e também, claro, fazer o papel de piloto reserva. A expectativa é tentar aprender o máximo possível, para que no futuro eu tenha uma oportunidade de subir no lugar principal. Esta experiência que vou ganhar vai ser crucial. Acho que, como piloto, logicamente, queria estar como oficial no ano que vem, mas esta oportunidade como reserva pode ser valiosa”, disse o maringaense.

Muitas mudanças em um ano. No mês de janeiro, Felipe foi o pole position das 500 Milhas de Kart, hoje é campeão da Fórmula 2. É de se esperar, portanto, uma transformação na pessoa de Drugovich. Ele afirma que não.

“Olha, eu continuo sendo eu mesmo. A personalidade, eu tento não mudar, ou melhor, não vou mudar. Eu me sinto o mesmo, o que mudou foram as coisas em volta, o ambiente que estou agora é muito diferente do que eu estava antes. Bastante gente me dá atenção, muito mais do que eu tinha antes e estou contente com isso. Realmente, este ano, eu consegui demonstrar o meu potencial. Depois do ano passado, achei muito ruim que eu não tinha conseguido dar tudo que tinha para demonstrar e este ano consegui fazer o que eu queria e finalmente estar em um lugar que mereço”, afirma Drugovich.

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