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Ecclestone quer ajuda de fãs e “rasgar regulamento” para reformar F1

São Paulo , SP
19/10/2015 11:51:04

Em: Fórmula 1, Motor
Chefe da F1, Bernie Ecclestone quer "repensar completamente" a categoria (Foto: Andrej Isakovic/AFP)
Chefe da F1, Bernie Ecclestone quer “repensar completamente” a categoria (Foto: Andrej Isakovic/AFP)

Dono dos direitos comerciais da Fórmula 1, Bernie Ecclestone está disposto a reformar a principal categoria do automobilismo mundial. Para tanto, o britânico de 84 anos quer ouvir os conselhos dos fãs de F1, além de promover mudanças nas regras a fim de tornar o campeonato mais atraente e competitivo.

Em uma entrevista conjunta com o ex-presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Max Mosley, para a televisão alemã ZDF, Ecclestone não hesitou ao afirmar que pensa em “rasgar o regulamento, reunir algumas pessoas competentes e reescrever o livro de regras da F1”.

“Nós não podemos esquecer que estamos no negócio do entretenimento, por isso devemos ter regras que satisfaçam o desejo do público. Temos que perguntar ao público: ‘O que você não gosta na F1 atualmente?’ e ‘o que você gosta da F1 de antes?’. As pessoas vão dizer ‘Ecclestone, você está ficando velho demais. As crianças e jovens de hoje são um pouco diferentes’, por isso temos que repensar completamente”, explicou o chefão da F1, comparando a categoria ao tradicionalismo da Era vitoriana, deflagrada no século 19, no Reino Unido.

“Com estas regras, é como uma antiga casa vitoriana, onde as pessoas continuam fazendo as mesmas coisas. Precisamos reiniciar novamente”, esbravejou o britânico, que completará 85 anos no próximo dia 28.

Na última semana, uma reunião entre a FIA e chefes de equipes definiu que os times poderão desenvolver os motores durante toda a temporada e liberou a utilização de versões mais antigas das unidades de potência. No entanto, o real desejo de Ecclestone é trazer de voltas os motores V8, mais potentes e barulhentos que os atuais V6.

Em relação ao barulho, os fãs de F1 já têm uma boa notícia. Foram aprovadas pelo Conselho Mundial de Automobilismo da FIA alterações no escape para tornar o barulho dos motores mais alto para 2016.

Outra preocupação de Ecclestone é a dependência que os pilotos têm de seus engenheiros. Segundo o dirigente, os condutores devem guiar por “conta própria” e sem tanta interferência de suas equipes.

Após citar o francês Alain Prost como o melhor piloto da história, Ecclestone acrescentou: “Os condutores vão para o grid de largada e há um engenheiro que começa a corrida. Eles devem guiar por conta própria quando as luzes se apagam. Eles não precisam de alguém como co-piloto. É um campeonato de engenheiros. Não estou dizendo que Lewis (Hamilton) não é um superpiloto, mas ele está infernal com tanta ajuda”, prosseguiu.

“Eu gostaria de vê-lo em um carro da GP2 com os pilotos da GP2. Não estou dizendo que ele não venceria, mas seria interessante”, encerrou Ecclestone.