Dobradinha brasileira da Benetton completa 32 anos: França pode repetir feito em 2023 com Alpine

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Foto: Divulgação

Por Maria Clara Castro e Rodrigo França

Suzuka, Japão. 21 de outubro de 1990. Um dia que marcaria o Brasil. Há 32 anos, o circuito nipônico foi pintado de verde e amarelo. Ayrton Senna conquistava o bicampeonato de Fórmula 1, Nelson Piquet vencia o Grande Prêmio do Japão e Roberto Moreno cruzava a linha de chegada em segundo lugar. Pela primeira vez na história da F1, dois companheiros de equipe brasileiros dividiam o pódio.

Galvão Bueno dava voz ao momento narrando: “Nelson Piquet do Brasil! Nelson Piquet três anos depois! Agitadas as bandeiras brasileiras de verde e amarelo! Festa da Benetton na dobradinha! [...] Nelson Piquet torna mais alegre este GP do Japão, o GP do título mundial de Senna, porque ele é bicampeão mundial! Roberto Moreno em segundo, Suzuki em terceiro, a festa é brasileira!”.

Hoje, essa até então inédita dobradinha de brasileiros da Benetton completa 32 anos. E uma história semelhante pode acontecer no ano que vem. Porém, com uma outra nacionalidade – troca-se o Hino Nacional e se engatilha La Marseillaise.

No início do mês, a Alpine anunciou Pierre Gasly como o piloto titular e companheiro de equipe de Esteban Ocon. Trata-se, portanto, de uma equipe francesa com dois pilotos franceses, uma configuração que há 28 anos a F1 não via, sequer Gasly e Ocon eram nascidos. Aos curiosos, a última vez foi com Olivier Panis e Éric Bernard pela Ligier.

O jejum de pilotos franceses correndo por uma equipe francesa foi quebrado. Resta acontecer um pódio francês, algo que, quando o assunto é memórias, a França tem uma quantidade significativa.

Por exemplo, o pódio do Grande Prêmio da África do Sul de 1980, em Kyalami, formado por, respectivamente, René Arnoux da Renault, Jacques Laffite e Didier Pironi, ambos da Ligier. Ou, o GP da África do Sul de 1982, vencido por Alain Prost e, em terceiro, Arnoux, o companheiro de equipe do professor na Renault.

Anos depois, algo similar se sucederia, como o segundo e terceiro lugar, respectivamente, de Olivier Panis e Jean Alesi, no Grande Prêmio da Espanha de 1997, ambos, no entanto, defendendo equipes diferentes.

O exemplo mais belo, ou melhor, icônico, marcante foi o Grande Prêmio da França de 1982.

Paul Ricard, Le Castellet. 25 de julho. René Arnoux conquistara a pole position e largaria na posição de ouro. Prost, mais bem colocado no campeonato que seu companheiro de equipe, começaria em segundo. Antes das luzes ficarem verdes, a Renault ordenara: Arnoux deveria deixar Prost passar para subir na tabela do Mundial de Pilotos.

O que fez Arnoux? Recusou-se a desacelerar. Vitória de um piloto francês, equipe francesa em um circuito francês. Mais, os pilotos que completaram o pódio também eram de casa. No lugar mais alto, subiu Arnoux, em segundo lugar Prost e, em terceiro, Pironi.

Na temporada seguinte, em 1983, por conta da “desobediência”, Arnoux saiu da Renault e assinou com a Ferrari.

A pergunta que fica, entretanto, é: viveremos no ano que vem mais um capítulo marcante para o automobilismo francês?

Diga-se de passagem, Gasly e Ocon formam dupla bastante mercadológica e interessante, haja visto o potencial destes desportistas. Sem falar que estabelecem a tônica perfeita para aqueles que gostam de uma boa história… dois meninos de 1994, ambos nascidos na região da Normandia, com o mesmo sonho: tornarem-se pilotos de F1, anos depois, além de realizarem o sonho, viram companheiros de equipe. Lindo, não? História à lá enredo de filme.

Gasly conquistou sua primeira vitória no GP da Itália de 2020, em Monza. A vez de Ocon chegou no GP da Hungria de 2021. E em 2023, ou nos próximos anos, compartilharão um pódio juntos? Quem estará na frente? Qual será a ordem da Alpine?

Perguntas que só o tempo responderá. Porém, existe uma única certeza: assim como, em plena madrugada, o brasileiro cantou orgulhosamente o hino nacional há 32 anos olhando para a televisão, caso o dia chegar para Gasly e Ocon, o cidadão francês encherá o peito de orgulho para cantar La Marseillaise. Mais, esboçará um sorriso ao vocalizar: o dia da glória chegou (“le jour de gloir est arrivé).

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