Confusão entre Alpine e Oscar Piastri incendeia dança nas cadeiras da F1

Redação - São Paulo,SP

02/08/22 | 17:53

Por Leonardo Marson e Rodrigo França

A Silly Season é o momento da temporada da Fórmula 1 em que as equipes se movimentam no mercado visando as próximas temporadas. E neste ano, este período começou com lances inacreditáveis para quem passou a acompanhar a principal categoria do automobilismo mundial recentemente.

Nesta terça-feira (2), a Alpine anunciou Oscar Piastri, atual campeão da Fórmula 2, como titular do time para 2023. Mas, pouco mais de uma hora depois, o australiano negou a assinatura de contrato.

Para falar de Piastri e Alpine, é necessário voltar à quinta-feira da última semana, quando Sebastian Vettel anunciou a aposentadoria da Fórmula 1 ao final de 2022. A Aston Martin, time que o alemão defende neste ano, agiu rápido a anunciou a contratação de Fernando Alonso, espanhol que defende a Alpine desde 2020, na segunda-feira.

Com a saída do bicampeão do mundo do time francês, parecia que o anúncio de Piastri era uma questão de tempo, o que ocorreu nesta terça-feira, em um horário incompatível com o fuso horário da Austrália e sem declarações do piloto. Pouco tempo depois, o campeão da F2 revelou não ter assinado contrato algum com o time, e que não pilotaria para o time do grupo Renault.

“Eu entendi que, sem meu consentimento, a Alpine emitiu um comunicado à imprensa no final da tarde de que eu pilotarei para eles no próximo ano. Isso está errado e eu não assinei contrato com a Alpine para 2023. Eu não vou pilotar para a Alpine no próximo ano”, disse Piastri, através de suas mídias sociais, após a publicação da equipe francesa.

Informações de jornalistas que estiveram em Hungaroring, onde foi disputado o GP da Hungria no último domingo, dão conta de que Piastri teria um pré-contrato assinado com a McLaren, e que por isso não aceitaria correr com a Alpine no próximo ano. O time inglês conta atualmente com Daniel Ricciardo e Lando Norris como pilotos titulares.

A McLaren, aliás, está envolvida em outra polêmica muito semelhante a essa, mas na Indy. Na categoria americana, a Chip Ganassi anunciou a renovação de contrato com Álex Palou, que negou ter assinado um novo vínculo, sendo anunciado pela operação do time inglês pouco depois. A Ganassi diz ter acionado uma cláusula para fazer a renovação automática, e o caso corre na justiça americana.


Por mais surreal que a situação de Piastri com a Alpine pode parecer, ela não é inédita na F1. Em 2015, Giedo van der Garde entrou com ação na justiça da Suíça contra a Sauber para garantir um lugar como titular, e ameaçou sequestrar os carros da atual Alfa Romeo caso Felipe Nasr e Marcus Ericsson saíssem para os treinos livres do GP da Austrália. A situação foi resolvida no sábado, e o holandês jamais voltou a correr na categoria.

Em 1990, Jean Alesi, então um promissor piloto da Tyrrell, assinou contrato com a Williams para a temporada de 1991. Porém, o anúncio, inicialmente previsto para o final de semana do GP da França, não ocorreu. A Ferrari, que também queria contar com os serviços do piloto, revelou através do diretor Cesare Fiorio que o anúncio não ocorria por conta do desejo dos ingleses em contar com Ayrton Senna.

Alesi peitou a Williams e exigiu ser anunciado até o GP da Inglaterra, e assinou contrato com a Ferrari, por onde acabou pilotando em 1991. A Williams ficou com Nigel Mansell, que acabou conquistando em 1992 seu único título mundial. Já a Tyrrell disputou aquela temporada com Satoru Nakajima e Stefano Modena, e recebeu uma indenização da Ferrari.

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