Após etapa com Evo, brasileiro usou durepoxi para concluir Dakar

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O brasileiro Jean Azevedo foi para o Rali Dakar de 2015 confiante em sua experiência na prova, afinal disputaria a 17ª edição do evento. No meio da competição, no entanto, se surpreendeu ao ver o presidente da Bolívia, Evo Morales, dar largada a uma das etapas e, logo na sequência, foi obrigado a fazer um remendo com resina plástica no radiador de sua moto.

O Rali Dakar ocorre desde 2009 na América do Sul e nos últimos dois anos teve a Bolívia em sua rota. O governo local cogitou declarar feriado durante a curta passagem dos competidores pelo país, mas não levou a ideia à frente. Mesmo assim, o presidente Evo Morales compareceu ao Salar de Uyuni para dar a largada da oitava etapa da competição.

Os pilotos do Dakar tiveram estadia curta na Bolívia. Iniciando a segunda metade da competição, saíram de Iquique, no Chile, a Uyuni, e já no dia seguinte fizeram o caminho de volta. Os competidores não puderam mexer em seus veículos na noite que passaram no Salar porque se tratava de uma etapa maratona, em que as máquinas ficam em um parque fechado.

“Quando a gente chegou à Bolívia tinha muita gente lá na cidade. No dia seguinte, fomos largar, a uns 30km de distância, e apesar da chuva e do frio, tinha de novo muita gente e o Evo Morales dando a bandeirada de largada”, recordou-se Jean. “Na Bolívia é novidade, foi só o segundo ano que passou pelo país e o presidente está lá na largada. Tem uma divulgação muito grande e as pessoas acabam se ligando mais no esporte”, avaliou.

Rali Dakar passou rapidamente pela Bolívia, mas levou público às ruas para acompanhar a prova

Rali Dakar passou rapidamente pela Bolívia, mas levou público às ruas para acompanhar a prova - Credito: Divulgação/Vipcomm

O momento de maior dificuldade de Jean na edição de 2015 ocorreu justamente no retorno de Uyuni a Iquique, em que o sal do deserto entupiu o radiador de sua moto. Usando um canivete, limpou o equipamento, retirando blocos de sujeira, mas não foi o suficiente.

Com a altitude de quase 4 mil metros, a moto perdeu potência e Jean Azevedo foi obrigado a acelerar mais do que o usual, deixando o motor mais quente. Este calor excessivo fez com que a tampa de plástico do radiador, presente apenas em sua moto, explodisse. Seus companheiros nas equipes da Honda tinham a peça feita em alumínio e não sofreram com o problema.

Jean então parou no meio do caminho e utilizou uma resina plástica que levava no bolso para moldar uma nova tampa para o radiador. Reparo feito, foi em ritmo lento até o fim da etapa para então poder trocar todo o equipamento.

“A sorte é que estava com o durepoxi. Desmontei o radiador, remodelei aquela parte e fui devagar morrendo de medo porque não sabia o quanto aquela gambiarra ia aguentar. É uma gambiarra, né? Ainda tinha que percorrer mais uns 650km porque estava voltando para o Chile, tinha que passar a fronteira. Mas cheguei”, afirmou.

O espanhol Joan Barreda não teve a mesma sorte de Jean Azevedo na viagem de ida e volta entre Iquique e Uyuni. Piloto da equipe de fábrica da Honda, ele liderava o Dakar, mas sofreu um acidente em que o guidão de sua moto quebrou. Como não podia fazer reparos, pegou a peça do argentino Demian Guiral, integrante do time sul-americano da montadora japonesa.

“Foi combinado que se houvesse algum problema naquela etapa maratona, o último classificado Honda entregaria o guidão. E ele era um piloto da nossa equipe. Não teve problema nenhum”, disse o brasileiro. “O rali tem muitas variáveis, a estratégia vai se readequando conforme as coisas vão acontecendo e algumas cabeças são sacrificadas. Sempre”, confirmou.

Mesmo utilizando o guidão da moto do argentino Demian Guiral, Barreda viu suas chances de lutar por seu primeiro título no Dakar acabarem com o acidente. Ele encerrou a disputa, vencida pelo espanhol Marc Coma, em 17º, cinco postos à frente de Jean Azevedo.

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