Djokovic vence a primeira batalha judicial e quer jogar o Aberto da Austrália

AFP - São Paulo,SP

10-01-2022 17:05:51

Novak Djokovic declarou nesta segunda-feira que espera participar do Aberto da Austrália, poucas horas depois de sua vitória contra o governo e de sua libertação pelos tribunais do país.


Um juiz anulou nesta segunda-feira o cancelamento do visto do jogador de tênis pelas autoridades australianas e ordenou sua saída do centro de detenção de migrantes onde estava desde a chegada em Melbourne na quinta-feira, por não ter sido vacinado contra a covid-19, conforme exigido pela Austrália para entrar em seu território.

"Apesar de tudo o que aconteceu, quero ficar e tentar participar do Aberto da Austrália. Vim aqui para jogar um dos torneios mais importantes para espectadores incríveis", escreveu Djokovic em sua conta no Twitter.

Mas, uma semana antes do início do primeiro grande torneio do ano (17 a 30 de janeiro), Christopher Tran, um dos advogados que defendem os interesses do governo australiano, alertou que o Executivo ainda pode expulsar a estrela do tênis, o que implicaria também a proibição de entrada nesse país por um período de três anos.

O juiz Anthony Kelly também decidiu que as despesas judiciais do tenista de 34 anos, que alegou ter contraído covid-19 no dia 16 de dezembro para justificar seu pedido de isenção médica de vacinação, sejam reembolsadas, o que no final deve pesar no bolso dos contribuintes australianos.

Em Belgrado, sua família celebrou a decisão em entrevista coletiva, acreditando que a justiça havia sido feita com o tenista número 1 do mundo.

"A maior vitória de sua carreira"

“Para mim, é a maior vitória da carreira dele, maior do que todos os Grand Slams” que ele conquistou, declarou a mãe do tenista, Dijana Djokovic.

"A justiça finalmente chegou, a verdade prevaleceu", disse Djordje, irmão da estrela. "Finalmente mostramos ao mundo inteiro que Novak é um homem honesto, um homem extraordinário", acrescentou ele, observando que Djokovic usou suas primeiras horas de liberdade para treinar.

Djokovic aspira conquistar o 21º título do Grand Slam em Melbourne, quebrando o empate com Rafael Nadal e Roger Federer na disputa para ser o tenista que venceu mais 'grands' na história (os três somam 20 cada).

O que aconteceu "vai lhe dar força adicional", disse o pai do tenista, Srdan Djokovic.

"Eles não perceberam o que fizeram. Agora ele vai ganhar mais dez Grand Slams. Ele se sente muito bem. Tem tanta força mental que isso não o perturbou em nada", acrescentou.

“Novak, Novak, Novak”, aclamaram dezenas de fãs do sérvio em Melbourne quando ouviram a decisão do tribunal, marchando, batendo tambores, em frente ao tribunal federal onde foi realizada a audiência.

De acordo com as conclusões do tribunal, o tenista, que para entrar na Austrália apresentou isenção médica obtida graças à federação australiana de tênis, organizadora do torneio, não teve a possibilidade de se opor aos argumentos antes que as autoridades invalidassem o visto.

No dia seguinte à sua chegada, Djokovic foi informado que tinha até às 8h30 para apelar do possível cancelamento do visto. Porém, às 7h42, a permissão já havia sido cancelada.

Para o juiz, se as autoridades tivessem lhe dado tempo, Djokovic “poderia ter consultado outras pessoas e apresentado seus argumentos para explicar por que seu visto não deveria ser cancelado”.

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'Novax'

Djokovic, agora conhecido pelo apelido de 'Novax' (termo em inglês que define antivacinas), foi mantido no antigo Park Hotel, um prédio de cinco andares que abriga cerca de trinta migrantes presos, alguns deles há anos.

Um dos maiores rivais de Djokovic nas quadras, o espanhol Rafael Nadal estimou que, após a decisão do tribunal, "o mais justo" é que Djokovic possa participar do Aberto da Austrália: "A justiça falou", declarou à rádio Onda Zero.

Embora não tenha influenciado no processo, o fato de Djokovic ter testado positivo no dia 16 de dezembro gerou polêmica, já que no dia seguinte ele compareceu a uma cerimônia de premiação para jovens tenistas em Belgrado sem máscara protetora.

A tenista tcheca Renata Voracova deixou a Austrália no sábado, após ter seu visto cancelado. O chefe da federação australiana, Craig Tiley, defende sua organização contra as críticas por ter informado mal os jogadores sobre os requisitos para entrar no país. Segundo ele, o governo "se recusou" a verificar a validade dos exames médicos antes da chegada dos tenistas.

Grande parte da Austrália reforça restrições sanitárias para combater a onda de contágio causada pela variante ômicron do coronavírus. O estado de Victoria, cuja capital é Melbourne, registrou 44.155 novos casos no domingo.

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