Semifinalista em 99, Meligeni inspira sobrinho para Roland Garros juvenil
O cabelo comprido, o jeito descontraído, os golpes com a raquete e o estilo brigador no fundo de quadra tornam natural a comparação de Felipe Meligeni Alves a seu tio, Fernando Meligeni. Prestes a disputar a edição juvenil de Roland Garros pela primeira vez, o tenista de 18 anos de idade se inspira no sucesso do tio, que chegou à semifinal do Grand Slam em 1999.
Felipe tinha um ano de idade quando Fernando disputou uma vaga na decisão de um dos quatro torneios mais importantes do mundo. Fininho perdeu para o ucraniano Andrei Medvedev, que tinha superado Gustavo Kuerten na rodada anterior, mas a campanha em Paris, com vitórias sobre Patrick Rafter, Alex Corretja e Felix Mantilla, consolidou-o como um dos melhores tenistas da história do País.
“Tenho um espírito muito aguerrido dentro de quadra. Tive muitas situações difíceis neste último torneio, mas não desisti. Não consigo. É uma coisa minha, nossa, da família”, explicou Felipe. “Para mim é muito bom jogar o mesmo torneio que meu tio, mesmo que no juvenil. Quem sabe consiga no profissional um dia”, completou.
O jovem atleta brasileiro se garantiu em Roland Garros ao vencer o Campeonato Sul-Americano juvenil, realizado na última semana em Mar del Plata. Com o título na Argentina, ganhou 57 posições no ranking mundial – é o 35º - e se colocou na lista de tenistas com entrada automática na chave em Paris e também em Wimbledon.
Felipe nunca assistiu aos jogos da campanha de seu tio à semifinal em Roland Garros, mas sabe as histórias de sucesso de cor. Por isso, às vezes busca conselhos com o irmão de sua mãe, justamente como fez antes do Sul-Americano de Mar del Plata, do qual saiu com o troféu.
Felipe já usa o nome Meligeni nos torneios juvenis (Foto: Divulgação)
O tenista de 18 anos de idade vinha de resultados ruins, que atribui à pressão da busca por uma vaga em Paris. Levou a questão ao tio, que o aconselhou a relaxar e esquecer pontos e lugares no ranking quando fosse entrar em quadra. Funcionou e Felipe levou o título na Argentina derrotando na decisão o argentino Genaro Olivieri, então 15º do mundo. Ainda conseguiu superar a frustração da temporada passada, em que foi vice-campeão do torneio Rendez-vous à Roland-Garros, classificatório ao Grand Slam francês. Apenas o vencedor avançava na briga por um lugar no torneio
“Antes não tínhamos tanto contato, mas comecei a me soltar mais. Sempre que preciso, eu ligo para o meu tio. Depois do título ainda não o encontrei pessoalmente, mas nos falamos por mensagem”, explicou Felipe, irmão da também tenista Carol Meligeni. Fininho demonstrou publicamente o orgulho e utilizou o Instagram, em que tem mais de 40 mil seguidores, para parabenizar o sobrinho pelo título e a classificação a Roland Garros.
Durante o torneio em Mar del Plata, Felipe teve sua postura em quadra e fisionomia comparadas às do tio, nascido no país vizinho. Os técnicos e jogadores anfitriões reconheceram um lado argentino no estilo aguerrido e de luta no fundo da quadra, que aos poucos vai se tornando marca registrada dos Meligeni.
Felipe gostou da comparação, mais uma prova de que já aceita com naturalidade a herança familiar. Quando mais jovem, não gostava de utilizar o sobrenome famoso nas chaves dos torneios pela atenção e expectativas geradas sobre seu desempenho em quadra.
“Eu falava que isso aliviava a pressão, mas já não me importo muito. Podem me chamar do que jeito que quiserem”, disse o próximo Meligeni a tentar fazer história em Roland Garros.