Mineirinho chegou ao Brasil com programação intensa de eventos para celebrar o título (Foto: DJalma Vassão/Gazeta Press)
Nem bem conquistou pela primeira vez o Circuito Mundial de surfe (WCT), Adriano de Souza, o Mineirinho, já pensa no que terá que fazer para tentar defender o título na próxima temporada. A fama criada pelos resultados deste ano e o consequente assédio de fãs e imprensa são tratados pelos surfista brasileiro como dificuldades extras para sua trajetória em 2016.
Mineirinho conquistou o WCT na etapa de Pipeline, no Havaí, a última da temporada, ao conquistar a vaga na final do evento e ver o australiano Mick Fanning cair na semifinal. Para coroar, ele ainda se tornou o primeiro brasileiro a vencer o campeonato, derrotando o compatriota Gabriel Medina na decisão.
Os dois são os primeiros atletas nacionais na história a vencer o WCT, elite do surfe mundial. No último ano, Medina garantiu o título também em Pipeline, em que foi vice-campeão. Neste ano, ele chegou a brigar pelo título, mas teve que se contentar com a Tríplice Coroa Havaiana, dada ao surfista com melhor resultado na somatória das etapas de Haleiwa e Sunset do WQS, segunda divisão, e a de Pipeline do WCT.
“Já tem um caminho a ser traçado, em 2016 vou lutar até o fim do ano. A dificuldade vai ser o assédio, conseguir me concentrar. Não sou mais o cara que vai em busca, vou defender o título. Vou precisar ter uma abordagem diferente, fazer outro tipo de treinamento para voltar ao meu equilíbrio. Dificuldade a gente sempre vai ter, depende da fase que você vive”, explicou Mineirinho em sua primeira coletiva de imprensa no Brasil após o título.
A programação do atleta paulista em seu retorno ao País é intensa. Ele chegou ao Aeroporto Internacional de Guarulhos no fim da manhã desta terça-feira já com uma festa preparada por patrocinadores, familiares, amigos e torcedores. No começo da tarde deu entrevista coletiva em São Paulo e depois rumou ao Guarujá.
Lá o surfista será recebido pela prefeita Maria Antonieta de Brito e andará em carro aberto pela cidade em que cresceu. Na rota está o pobre bairro Santo Antônio, onde o melhor surfista do mundo foi criado.
“Não sei nem o dia de amanhã. Quero mesmo é viver intensamente a oportunidade de hoje, saborear o meu troféu, estar em casa, dormir na minha cama. É o que me faz feliz. Passado isso vou voltar a me comportar como no início de 2015”, explicou o Mineirinho paulista.
As comemorações do surfista no Brasil quase foram adiadas. Mesmo depois de conquistar o WCT, ele cogitou estender sua permanência no Havaí para treinar, a exemplo do que fez o veterano norte-americano Kelly Slater, dono de 11 títulos mundiais.
“Eu tenho uma taça. O Kelly, 11. E quem ficou no Havaí para treinar foi ele. Vi aquilo e pensei que queria treinar. Se alguém tem algo a melhorar, sou eu e não ele. E o cara ficou lá, é um exemplo para mim. Queria muito ficar, mas precisava voltar para casa, dar esse apoio ao Brasil e trazer o troféu para cá”, sorriu.