O surfe brasileiro viveu uma verdadeira explosão nos últimos anos. Liderada por Gabriel Medina, primeiro brasileiro a conquistar um título mundial, a chamada Brazilian Storm revolucionou a modalidade e abriu caminho para muitos atletas. Entre eles está Ítalo Ferreira, que saiu de Baía Formosa, no Rio Grande do Norte, para alcançar o topo do esporte ao conquistar o título mundial em 2019.
Ítalo estreou na elite do Circuito Mundial da World Surf League (WSL) em 2015, ainda nos primeiros anos da tempestade brasileira. Desde então, consolidou-se como um dos principais nomes do surfe mundial.
Agora, aos 32 anos e diante do envelhecimento da geração que dominou a modalidade na última década, o campeão mundial demonstra preocupação com o futuro do Brasil no cenário internacional.
"Nos últimos 10 anos, o surfe brasileiro tem transformado o cenário internacional, seja pelas manobras radicais, pelo estilo de competição mais agressivo ou pela ambição de conquistar títulos, vencer etapas e deixar seu nome na história do esporte. Estamos vivendo um momento incrível para o surfe brasileiro. Ao mesmo tempo, vejo uma nova geração chegando, mas com poucos nomes que, na minha avaliação, têm potencial para alcançar o nível que essa geração alcançou", disse em entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva.
Foto: Hannah Anderson/World Surf League)
Nível elevado
Na avaliação do potiguar, o Brasil ainda produz talentos, mas enfrenta uma concorrência cada vez maior de outros países, que também têm investido na formação de novos atletas.
"Se você analisar o cenário atual, consegue apontar alguns talentos que realmente podem bater de frente com os melhores, até porque os atletas de outros países também estão investindo muito na formação de novos competidores. Acho que esse é um ponto importante para ser observado e trabalhado no Brasil", completou.
Em meio a este cenário, Ítalo apontou caminhos para que o país mantenha o alto nível competitivo que o levou ao protagonismo no surfe mundial.
"Hoje, com as piscinas de ondas, é possível acelerar muito a evolução no surfe. Quem tem acesso a essa estrutura e consegue investir em viagens e experiências competitivas ganha uma vantagem importante na preparação para o circuito mundial. No fim, tudo depende dos objetivos e da ambição de cada atleta. Mas a geração brasileira que conquistou praticamente tudo nos últimos anos tinha uma característica muito forte: era extremamente ambiciosa", analisou.
Não pare de remar!
Ambição, aliás, é a palavra-chave para o surfista. Na avaliação de Ítalo, os novos talentos não podem esperar que as oportunidades apareçam. É preciso correr atrás para seguir os passos da geração que colocou o Brasil no topo.
"Vejo uma geração muito dedicada, com atletas que realmente querem conquistar grandes títulos, marcar seus nomes no esporte e alcançar feitos importantes. Isso acaba impulsionando todo o cenário. No fim das contas, depende muito de cada atleta, da ambição que ele tem e do quanto está disposto a se dedicar para alcançar seus objetivos. Não é fácil. Você precisa abrir mão de muitas coisas, pensar à frente e fazer acontecer", analisou.
"Até pode surgir uma oportunidade em um momento ou outro, mas se manter por muito tempo disputando resultados e brigando por grandes objetivos é realmente desafiador. Por isso, acredito que a nova geração tem uma grande oportunidade. Ela conta com referências de atletas que conquistaram títulos e marcaram seus nomes na história do esporte. Isso abre portas, dá uma direção e serve como inspiração para quem está começando e quer seguir esse caminho", ampliou.
(Foto: Matt Dunbar/World Surf League)
Tem mar pela frente
Mas engana-se quem pensa que Ítalo Ferreira já pensa em diminuir o ritmo. Com o avanço da medicina e do próprio surfe, o brasileiro acredita que ainda pode continuar competindo em alto nível e, quem sabe, conquistar mais uma medalha olímpica em 2028, nos Jogos de Los Angeles.
O potiguar entrou para a história ao conquistar o ouro em Tóquio, em 2021, justamente na estreia do surfe como modalidade olímpica.
"Ainda vejo aquele momento como algo muito especial. Foi uma oportunidade de marcar meu nome na história de um esporte que amo tanto. Claro que ainda tenho grandes objetivos e muitos sonhos pela frente. Estou chegando a uma fase da vida em que parece que finalmente estou entendendo melhor várias questões relacionadas à performance, ao meu corpo, à alimentação e à importância de me manter conectado ao meu propósito", disse.
"No passado, eu seguia esse caminho movido por muita vontade, sem pensar tanto nos detalhes. Hoje existe mais estratégia, mais planejamento, uma compreensão maior dos momentos e uma conexão mais profunda com aquilo que faço. Por isso, sigo mirando uma nova Olimpíada e ainda tenho objetivos importantes dentro do circuito mundial. Essa motivação continua muito viva dentro de mim", finalizou.
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Ciclo olímpico
A ISA (International Surfing Association) alterou o sistema de classificação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. Serão 48 atletas, divididos igualmente entre homens e mulheres. O novo modelo mantém o Championship Tour (CT) da WSL e os Mundiais da ISA como principais caminhos para a Olimpíada, mas reforça a importância dos eventos continentais e das competições por equipes. Pelo regulamento, os oito melhores surfistas elegíveis de cada gênero no CT de 2028 e os sete melhores do Mundial da ISA do mesmo ano garantirão vaga olímpica, enquanto outras vagas serão distribuídas por torneios continentais.
Cada país poderá ter até dois representantes por gênero, com a possibilidade de conquistar uma terceira vaga por meio do desempenho coletivo nos Mundiais da ISA de 2026 e 2027. Além disso, o sistema prevê lugares reservados ao país-sede, os Estados Unidos, e vagas de universalidade para ampliar a representação global da modalidade.
Foco no Mundial
Antes de pensar nas Olimpíadas, no entanto, Ítalo Ferreira luta pelo título mundial desta temporada. Ítalo Ferreira é o líder da WSL e chega em Fiji, oitava etapa do circuito, com 39.930 pontos, 5.000 a mais que o italiano Leonardo Fioravanti, atual segundo colocado.
A etapa Cloudbreak, em Fiji, começa nesta terça-feira e vai até o dia 4 de setembro. Ítalo estreia no Round 2, contra o vencedor do duelo entre os sul-africanos Luke Thompson e Matthew McGillivray.
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