Conheça o brasileiro escolhido como diretor de provas na estreia do surfe nas Olimpíadas

São Paulo, SP

29-07-2020 15:58:05

O surfe inicia uma nova era no próximo ano com a estreia nos Jogos Olímpicos de Tóquio e já é certo que o Brasil tem um nome marcado nessa trajetória. Com mais de 30 anos de palanque, o santista Marcos Bukão foi o escolhido para ser o diretor do campeonato que definirá os primeiros medalhistas olímpicos na modalidade.

O importante cargo na disputa é resultado de muita bagagem em mundiais - 46 no total, desde que a “caminhada olímpica” do surfe foi iniciada, em 1996, em Huntington Beach, Califórnia, quando o Comitê Olímpico Internacional (COI) reconheceu o esporte. De lá para cá, Bukão esteve no comando de todas as competições da International Surfing Association (ISA), responsável por transformar o surfe em esporte olímpico, muito pelo empenho do argentino Fernando Aguerre.

Desde que Aguerre foi eleito presidente da entidade, em 1994, Bukão é o diretor de provas em todos os mundiais e também participou do processo de elaboração do formato de disputas do surfe para Tóquio. “Difícil explicar com exatidão o sentimento”, falou o dirigente sobre a emoção de ser confirmado no cargo.

“É o tipo de sentimento que você acredita que vai, espera ir, mesmo antes da confirmação, mas não se permite considerar dentro, até para não se frustrar. Quando a confirmação oficial vem, não é exatamente surpresa, mas claro, é uma alegria e um sentimento de realização enormes”, disse Bukão.


Ele também lembra da confirmação do surfe nos Jogos Olímpicos durante a reunião do COI em 2016 no Rio de Janeiro. Até aquele momento a emoção era muito mais pelo fato de o surfe se tornar olímpico do que a possibilidade pessoal de ser escolhido. “A alegria foi grande quando me confirmaram para ser diretor no evento teste no próprio local dos Jogos”, relatou.

“Fazendo uma analogia é como eu fosse um alpinista e ano passado sendo Contest Director dos Pan-Americanos de Lima eu tivesse subido o Aconcágua. E ano que vem em Tóquio será como escalar o Everest. Dentro da minha função é o máximo que alguém pode atingir”, relacionou.

Por outro lado, ele fala da responsabilidade de tudo correr perfeitamente bem, sem contratempos, polêmicas. “Enfim, ser um grande sucesso será de vital importância para a continuidade do surfe a longo prazo como esporte olímpico. Nesse ponto, é importante frisar que o termo estar à frente não é exatamente o que ocorre nos Jogos. Existe um grupo muito competente e preparado, além dos organizadores japoneses que nos disponibilizam toda e qualquer estrutura e o corpo técnico de juízes do mais alto nível”, complementou.

(Foto: Divulgação)

Aos 64 anos, Marcos Bukão é engenheiro mecânico por formação, mas foi no surfe que construiu uma carreira. Começou a pegar ondas em 1972, aos 17 anos. Em 81 teve o primeiro contato com campeonatos na Associação Surfe de Santos e dois anos depois, passou a organizar eventos, junto com os amigos Ika Cangiano e Fábio Botuão, o Jacuí. Em 88, era o presidente da antiga Associação de Surfe da Baixada Santista (ASBS), hoje a Federação Paulista, e quando foi criada a Abrasa – Associação Brasileira de Surfe Amador, que depois se tornaria a atual Confederação Brasileira de Surfe, foi convidado para ser diretor de provas da entidade, por seu perfil técnico. Desde então, é ele o responsável pelas etapas nacionais.

A estreia do surfe como modalidade olímpica terá 40 atletas nos Jogos de Tóquio em 2021, sendo 20 no masculino e 20 no feminino. O número foi definido pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). Marcos Bukão participou do processo de elaboração do formato de disputas.

Para Bukão, o adiamento dos Jogos para 2021 devido à pandemia do novo coronavírus não afetará em nada a parte técnica. “Ano passado, durante o Test Event em Tsurigasaki, já estávamos 100% prontos para fazer o evento, assim como estamos agora e estaremos daqui a um ano. Na parte organizacional, estrutura, logística, vai depender de como esse adiamento pode impactar o Comitê Organizador Local”, afirmou.

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O surfe nos Jogos Olímpicos, segundo ele, é resultado direto da obstinação de Fernando Aguerre, que sempre acreditou que o esporte chegaria lá. “Um trabalho de décadas, com constantes reuniões junto ao COI e seus delegados, um trabalho muito forte no sentido de se trazer o maior número de países possíveis para a ISA, assim como ajudar essas nações a terem o surfe reconhecido por seus respectivos Comitês Olímpicos Nacionais”, argumentou.

“Foi um longo caminho”, completou o diretor de provas, que terá a companhia de outros dois brasileiros na parte técnica, o catarinense Luli Pereira, hoje um dos principais juízes da World Surf League (WSL) e o gaúcho Marcel Miranda, como juiz de prioridade.

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