Oscar Pistorius pode permanecer na prisão por mais tempo que o esperado. A poucos dias da liberação do atleta para cumprir o resto da pena em prisão domiciliar, a promotoria do caso anunciou que vai entrar com recurso para alterar o veredicto, pois está convencida de que o sul-africano assassinou a namorada Reeva Steenkamp deliberadamente e considerou a sentença inicial "assustadoramente inapropriada".
Pistorius foi condenado a cinco anos de prisão no ano passado por homicídio culposo (quando não há intenção de matar). O crime ocorreu no início de 2013, quando o paratleta disparou quatro tiros contra a modelo no banheiro de sua casa e argumentou que a havia confundido com um invasor.
De acordo com as leis da África do Sul, presos que não apresentam perigo e já cumpriram um sexto de sua sentença podem sair de trás das grades e ficar sob custódia supervisionada. Pistorius recebeu uma liminar da justiça que o permite passar o restante da pena em uma mansão com piscina que pertence a seu tio, localizada na área nobre da cidade de Petrória. O paratleta teria que usar tornozeleira eletrônia, mas estaria liberado para ir a compromissos comunitários e familiares.
Os pais da modelo, Barry e June Steenkamp, foram veementemente contra o regime semiaberto. "As estatísticas nos mostram que nossa sociedade está sob ataque contínuo de criminosos e assassinos. Encarceramento de 10 meses por tirar uma vida não é suficiente. Nós tememos que isso não passará a mensagem apropriada e nem servirá como elemento dissuasor como deveria", escreveram nas redes sociais.
A promotoria apresentará seus argumentos ao Supremo Tribunal de Recursos. Pistorius e seus advogados têm até o dia 17 de setembro para apresentar a defesa. Caso a Justiça decida contra o paratleta, sua pena passaria a ser de no mínimo 15 anos, sem possibilidade de condicional.