Ministério do Esporte lança programa contra assédio a atletas brasileiras

São Paulo, SP

29-03-2018 17:12:59

O Ministério do Esporte e a Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres (SPM) lançaram, nesta quinta-feira uma iniciativa denominada Esporte Sem Assédio, cujo objetivo é prevenir e combater a violência e o assédio às atletas brasileiras, sejam elas amadoras ou profissionais.

Durante uma cerimônia realizada no Velódromo do Parque Olímpico da Barra, no Rio de Janeiro, o ministro do Esporte, Leonardo Picciani explicou que a medida tem como finalidade "chamar a atenção da sociedade para a violência e o assédio contra mulheres". A campanha conta com o canal de denúncias, o 180, para que as mulheres possam "denunciar, se informar e se proteger".

O Ligue 180 é a Central de Atendimento à Mulher da SPM, adotada como canal de denúncia tanto no Brasil como no exterior. Com o Esporte Sem Assédio, estão sendo realizados a capacitação dos atendentes para receber as denúncias de atletas, a criação e implementação de fluxo de assistência psicossocial e jurídica, o tratamento das informações recebidas por meio de indicadores padronizados e o monitoramento.

"Falar sobre o assédio é importantíssimo - e no esporte não poderia ser diferente. Um ambiente saudável no esporte é um ambiente com profissionais comprometidos com a ética e com seus valores. Os clubes precisam, também, demonstrar que têm uma política clara quanto ao assédio. Esse programa integra ações para unirmos mulheres, homens e toda a sociedade", disse a ex-ginasta Luísa Parente, que participou das Olimpíadas de Seul 1988 e Barcelona 1992 e membro da 2a Câmara do Tribunal de Justiça Desportiva Antidopagem, criado com o objetivo de julgar violações a regras internacionais antidopagem.

A nadadora Joanna Maranhão também esteve presente no evento e contou um pouco de sua experiência no combate aos abusos contra mulheres. "Fui vítima de abuso aos 9 anos pelo meu técnico da época e demorei muito para verbalizar. Estive em quatro Jogos Olímpicos, mas poderia não ter ido a nenhum se não tivesse o apoio psicológico e jurídico que tive. Muitas outras crianças não têm essa ajuda", contou.

"A iniciativa é super importante. Nos últimos anos, estamos abrindo portas para que as mulheres falem sobre o machismo e a violência que sofremos. Virão muitas histórias à tona. Ter coragem de verbalizar uma violência sofrida é viver ela de novo. Quando chegam pedindo provas e perguntando porque demorou tanto para falar, isso fere muito. É o momento de ter empatia pelas vítimas que têm coragem de contar suas histórias", concluiu a nadadora.

#EsporteSemAssédio

Com a hashtag #EsporteSemAssédio, a campanha também está sendo veiculada em redes sociais, com engajamento de várias atletas, ex-atletas e personalidades do esporte. "Temos mobilização de várias das principais atletas do país. As mulheres - e também os homens - podem contribuir muito para que esse tema entre na ordem do dia da nossa sociedade para que possamos erradicar essa mazela", disse Picciani.

No próximo domingo, as federações de futebol do Rio de Janeiro, São Paulo e Pernambuco e os times envolvidos nas finais dos campeonatos estaduais vão divulgar o programa, com atletas utilizando faixas e camisetas da campanha durante a entrada em campo.

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