A brasileira Tayane Porfírio teve a medalha de prata conquistada no Campeonato Mundial de Jiu-Jítsu da IBJJF anulada após testar positivo para um metabólito do THC, principal componente psicoativo da maconha. A decisão foi anunciada pela Agência Antidoping dos Estados Unidos (USADA) nesta quarta-feira.
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O exame foi realizado durante o Mundial disputado entre os dias 28 e 31 de maio, na Califórnia. A amostra coletada após a competição apresentou níveis de Carboxy-THC acima do limite permitido pelas regras da Agência Mundial Antidoping (WADA).
Apesar do resultado positivo, a USADA reconheceu que Tayane conseguiu comprovar que o consumo da substância ocorreu fora do período de competição e não teve relação com ganho de desempenho esportivo. Por isso, a atleta recebeu uma punição reduzida de três meses de suspensão, iniciada em 8 de julho, data em que foi provisoriamente afastada.
Segundo as regras antidoping, a sanção poderia cair para apenas um mês caso a brasileira participasse de um programa de tratamento aprovado pela USADA. No entanto, a atleta optou por cumprir a suspensão de três meses.
Medalha e resultados anulados
Além da suspensão, todos os resultados obtidos por Tayane na data da coleta da amostra foram anulados.
Com isso, ela perde oficialmente:
- A medalha de prata do Mundial de Jiu-Jítsu;
- Pontos conquistados na competição;
- Premiações e eventuais benefícios relacionados ao resultado.
A punição foi aplicada mesmo com a confirmação de que o uso da substância ocorreu fora do período competitivo.
Segunda infração antidoping
O caso marca a segunda violação antidoping da carreira da faixa preta brasileira. Em 2019, Tayane foi suspensa por quatro anos após testar positivo para nandrolona, substância proibida utilizada para aumento de desempenho.
O caso ocorreu em exames relacionados ao Campeonato Mundial de Jiu-Jítsu de 2018. Apesar da reincidência, a USADA explicou que não houve aumento da pena desta vez porque a utilização do THC ocorreu fora de competição e não teve relação com melhora de performance.
Em suas redes sociais, a atleta informou estar usando a substância com acompanhamento médico por conta da ansiedade antes das competições. A atleta também afirmou que entende a decisão e reconheceu a punição.
Comunicado oficial de Tayane
Quero esclarecer essa situação com transparência.
No exame realizado durante o Mundial, informei que havia utilizado um óleo de CBD alguns dias antes da competição. Eu tinha indicação e acompanhamento médico para o tratamento da ansiedade.
Eu já havia enfrentado crises de ansiedade e períodos de depressão e venho cuidando da minha saúde emocional há anos. A ansiedade antes das competições sempre foi algo que mexeu muito comigo, e foi buscando uma forma de lidar com isso que utilizei o CBD, acreditando que estava fazendo uma escolha segura.
Como atleta, entendo que também tenho responsabilidade sobre aquilo que consumo e, por isso, aceito a punição. Foi um erro cometido de forma inocente, sem qualquer intenção de trapacear.
Estou tranquila com a decisão porque sei exatamente o que aconteceu, nunca escondi o que usei e tenho a consciência tranquila. Vou cumprir a suspensão e seguir em frente, de cabeça erguida.