Herói do título mundial de 2012, na Tailândia, quando marcou o gol de desempate faltando apenas 19 segundos para o fim da prorrogação contra a Espanha, Neto não foi convocado para a Copa do Mundo de futsal deste ano, na Colômbia, torneio que marcou a pior campanha da Seleção Brasileira em uma edição do evento. Eliminado nas oitavas de final para o Irã, o Brasil teve seus momentos conturbados nos bastidores – quatro trocas de comissão técnica e outras duas presidenciais, além do boicote de jogadores - refletidos em quadra e não conseguiu confirmar as expectativas de chegar, ao menos, entre os três melhores colocados. Ausente desta vez, Neto crê que o planejamento da Confederação Brasileira de Futsal (CBFS) mereceu o resultado sofrido na trágica campanha verde e amarela citando decisões inexplicáveis feitas pela entidade nos últimos anos.
Neto criticou fortemente o presidente da Confederação Brasileira de Futsal Marcos Madeira (Foto: Luciano Bergamaschi/CBFS)
“As coisas já começaram de maneira errada quando a Confederação Brasileira resolveu demitir todos os membros da comissão técnica da Seleção logo após conquistar a Copa do Mundo de 2012. Eu, Tiago e Falcão não fomos mais convocados pelo fato de a gente ter exigido ao diretor Edson Nogueira algumas melhorias aos atletas”, comentou o jogador em entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva. “Os atletas até hoje não receberam uma premiação por vencerem o Mundial de 2012. Quem levou a família teve que arcar com custos de hotel, alimentação e outras coisas, porque a CBFS simplesmente ignorou essas questões”.
Atualmente no Cazaquistão, onde defende o Kairat, Neto criticou fortemente o atual presidente da CBFS, Marcos Madeira. Apesar de ter assumido a presidência da entidade, ele não era o candidato preferido dos atletas após as saídas de Aécio Borba Vasconcelos e, posteriormente, de Renan Tavares neste último ciclo. Vencendo Nilton Romão, que possuía o apoio da maioria dos jogadores, o dirigente desagradou o fixo brasileiro durante o período em que comandou o futsal mineiro, onde Neto iniciou sua carreira. Conhecendo bem o trabalho do atual mandatário, Neto adotou um tom pessimista para projetar o futuro do esporte no país com Madeira no controle.
Neto defende atualmente o Kairat, do Cazaquistão (Foto: Reprodução/Instagram)
“Para falar do Marcos Madeira temos que voltar um pouquinho no tempo. Eu comecei minha carreira em Minas Gerais, sou de Uberlândia, joguei pelo Minas. O Marcos Madeira presidiu a Federação Mineira de Futsal por 30 anos. Um presidente que não conseguiu fazer o futsal mineiro se desenvolver vai conseguir elevar o padrão do futsal brasileiro? O campeonato mineiro é um dos piores do Brasil. Se ele não fez melhorias em um estado vai conseguir fazer em um país com 27 estados?”, pontuou.
Diante da necessidade da Seleção em retomar a soberania no cenário mundial e oferecer melhores condições aos atletas, Neto crê que apenas uma pessoa tem capacidade para guiar essa volta por cima verde e amarela: PC Oliveira. Campeão mundial com o Brasil em 2008, o treinador atualmente não está ligado a nenhuma função relacionada ao futsal e exerce o cargo de coordenador técnico da Ferroviária, clube pelo qual chegou a ser jogador de campo.
“Na minha opinião existe apenas uma pessoa capaz de corrigir o que está sendo feito no futsal brasileiro: PC Oliveira. Quando esteve à frente da Seleção ele criou uma disputa sadia entre os jogadores por um espaço no time, fazia com que os atletas sentissem vontade de serem convocados, ele sabe o que o atleta precisa. Já trabalhei com grandes treinadores, como o Miltinho, Ferretti, Jesús Candelas, mas acredito que o PC Oliveira é o melhor”, finalizou.
*Especial para a Gazeta Esportiva