Apesar do bom rendimento da Seleção Brasileira de handebol nos últimos mundiais, com o título feminino (2013) e as duas classificações para as oitavas de final no masculino (2013 e 2015), a situação da modalidade no país não é boa. Os times da liga nacional têm dificuldades, tanto em questões financeiras quanto em qualidade técnica, pois o nível é bem inferior ao europeu e muitos dos melhores jogadores atuam em outros países.
De acordo com o capitão Zeba, a situação está melhorando, mas ainda falta muito para chegar ao ideal. O camisa 3 da Seleção acredita que a criação de mais clubes e investimento nas categorias de base são os primeiros passos para mudar o panorama do handebol no Brasil.
“Para melhorar a questão da liga, seria importante terem mais clubes, principalmente em outros polos, porque tem muito concentração em São Paulo, no Sul, e com isso iriam surgir novos talentos para melhorar bastante a situação. Já vem evoluindo em comparação a ligas passadas de que participei, e se continuar assim, a tendência é que acabe sendo melhor para todas as categorias de base, que terão clubes em suas cidades para poder jogar”, afirmou o atleta do Taubaté em entrevista à Gazeta Esportiva.Net..
Zeba fez um paralelo entre a evolução do handebol e das modalidades que já tem competições nacionais mais tradicionais, como o vôlei com a Superliga, ou que vem se fortalecendo, como o basquete e o NBB.
“Você vê outras modalidades, como vôlei e basquete, com ligas muito mais fortes, mais bem organizadas, mas de um tempo para cá o handebol viu alguma evolução na estrutura, com quadras melhores, organização um pouco melhor, tabelas divulgadas mais cedo. Está em uma crescente, mas que ainda falta bastante, falta”, acrescentou.
Zeba vê evolução nas ligas nacionais de handebol nos últimos anos, mas acha que ainda há muito a melhorar - Credito: Sergio Barzaghi/Gazeta Press
“Precisamos continuar chegando às oitavas de final, porque a cada vez que a gente chega, tem passado mais perto. A questão é nos aprimorar cada vez mais, ir para a frente. Acho que a gente tem muita chance de ir para as quartas no próximo Mundial. E quando você chega nas quartas, pode ser igual as meninas, ir direto para a final, a gente nunca sabe o que pode acontecer. Jogamos com a atual campeã, a terceira e quarta colocadas e perdemos e um, dois gols de diferença. Mostra que gente tá num caminho bom e tem que manter daí para a frente”, projetou o camisa 3, julgando que os atletas que atuam no Brasil precisam melhorar o condicionamento físico para a competição.
“Em questão de calendário, no Brasil nós teoricamente jogamos o Mundial em época de férias, porque começamos a temporada em janeiro e terminamos em dezembro, enquanto no calendário europeu os atletas estão no meio da temporada. Essa questão física ainda pesa, porque jogamos cinco jogos e vamos para as oitavas de final contra equipes de porte físico muito mais forte que o nosso, e se melhorarmos isso, temos grande chance de evoluir”, analisou o capitão.
O capitão acredita em futuro promissor do esporte no Brasil e prevê classificação para quartas no próximo Mundial - Credito: Wander Roberto/Photo&Grafia
Com o fim do Mundial do Catar, a próxima meta do handebol brasileiro são os Jogos Pan-Americanos de Toronto, em julho deste ano. O torneio servirá de preparação para o maior objetivo da equipe: fazer história nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. O fato de muitos dos atletas nacionais jogarem fora do país é vantagem para o Brasil, segundo Zeba, pois com a experiência individual adquirida, quem se fortalece é a Seleção como um todo.
"Já temos muito para mostrar no Pan-Americano do Canadá e com certeza nosso maior foco são as Olimpíadas do Rio. Apesar de ser um time jovem, com média de idade de 26 anos, a maioria dos meninos jogam na Europa e isso já faz muita diferença porque eles atuam em uma liga muito mais forte. Jogam duas vezes por semana em alto nível e isso ajuda bastante na evolução deles, e quem tem a ganhar com isso é o Brasil", disse.
Aos 31 anos, Zeba não tem vontade de jogar na Europa e garantiu que nos próximos meses pretende focar inteiramente nos Jogos do Rio.
“Eu tive propostas quando era mais jovem, mas agora minhas prioridades são outras. Quero me manter muito bem até o ciclo olímpico em 2016. E a partir disso vou ver o que vai acontecer, se vou continuar com a Seleção ou não, mas agora meu foco é nas Olimpíadas”, encerrou.