Bié celebra indicação a melhor do mundo após ano "inesquecível"

Camila Del Manto Bomtempo* - São Paulo,SP

10-03-2017 10:00:40

A temporada de 2016 ficará marcará para sempre na história do futsal do Corinthians. Além de faturar o bicampeonato da Liga Paulista, a equipe levantou o troféu inédito da Liga Nacional. Em ambas conquistas, o Alvinegro foi comandando por André Bié, ex-técnico da base do time e atual comandante da Seleção Brasileira sub-20, que assumiu o Timão em julho de 2016. Os títulos colocaram o treinador em evidência nacional, sendo eleito melhor técnico da LNF e concorrendo a melhor do mundo, motivo de orgulho para o técnico.

"É uma sensação de muita felicidade. É muito gratificante saber que você está crescendo na sua profissão em um curto espaço de tempo, então isso só te faz aprimorar, estudar cada vez mais, buscar um conhecimento maior para colocar em prática", declarou com exclusividade à Gazeta Esportiva.

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Corinthians conquistou a Liga Paulista e a Liga Nacional em 2016 (Foto: Camila Del Manto Bomtempo/Gazeta Press)

O comandante, inclusive, não esconde a alegria pelas conquistas do último ano, mas exalta que não deixará de evoluir e buscar novos aprendizados para dar continuidade ao seu trabalho. "O ano de 2016 foi um ano maravilhoso, inesquecível. O que temos que fazer agora é trabalhar cada vez mais. Sempre falo para os meus jogadores que temos que ir em busca da excelência", continuou.

Agora, o Corinthians se prepara para a estreia na Taça Brasil, primeira competição do ano, que será realizada em Francisco Beltrão, no Paraná. O primeiro jogo do Timão acontece no próximo dia 12, às 19 horas, contra o Goiás. Bié exaltou que a equipe está preparada, mas não deixou de destacar as qualidades do rival.

"A expectativa é a melhor possível. Sabemos que o Goiás é uma equipe bem organizada. Vai ser um jogo bem competitivo e esperamos fazer com que tudo que a gente vem treinando seja colocado em prática nos dias dos jogos da Taça Brasil", declarou o comandante.

Confira abaixo a entrevista completa com André Bié, técnico de futsal do Corinthians:

Gazeta Esportiva: Da última temporada para cá aconteceu uma remontagem do time, já que muitos jogadores saíram. Mesmo assim, você está satisfeito com sua atual equipe? Acha que ela está pronta para 2017?

André Bié: Muito satisfeito. São jogadores que foram monitorados por nós, e possuem a nossa característica de jogo. Todos sabiam que é natural, quando você contrata jogadores, leva um tempo até você adequar ao seu modelo. Mas todos têm muita qualidade e competem muito. Estou muito feliz.

Gazeta Esportiva: Qual o objetivo para a temporada que está prestes a começar? Repetir os feitos de 2016?

André Bié: O ano de 2016 foi um ano maravilhoso, inesquecível. O que temos que fazer agora é trabalhar cada vez mais. Sempre falo para os meus jogadores que temos que ir em busca da excelência, só que a gente sabe que muito difícil encontrá-la, então o quanto mais perto chegar, melhor. Até porque sou muito exigente, muito crítico no trabalho, no dia a dia. O que falo muito para os meus jogadores é a questão de sempre dar o melhor de si. Para o ano de 2017 a gente espera coisas boas. Quando você faz um novo projeto e cria uma nova equipe, tem que ter paciência e sustentar a autoconfiança do time, mesmo ainda não sendo o ideal do modelo de jogo que entende e determina. Tem que ter paciência, equilíbrio e fazer com que esses jogadores aceitem. Na verdade, tenho que aceitar o tempo deles de construção e de adaptação, de se adequar ao meio que vive. O que espero do ano de 2017 é tudo de bom e do melhor para todos nós. Difícil repetir o feito de 2016? Difícil, mas não é impossível. Quero a excelência, mas é quase impossível chegar a ela, então vou dar o melhor de mim, e tenho certeza de que os jogadores darão o melhor deles para que encontre essa sinergia e se crie essa atmosfera de equipe vencedora como foi ano passado.

Corinthians conquistou o título inédito da LNF (Foto: Rodrigo Coca/Ag. Corinthians)
Corinthians venceu o Sorocaba na final da LNF (Foto: Rodrigo Coca/Ag. Corinthians)

Gazeta Esportiva: Qual o diferencial para as conquistas de 2016?

André Bié: Acho que foi o respeito, a lealdade, a experiência com a juventude. Esse equilíbrio só aconteceu porque teve respeito tanto dos mais experientes e vencedores quanto dos mais jovens e também vencedores. No início do ano, todos achavam que nossa equipe era de operários. Mas, com os treinamentos e o nosso passo a passo, fomos desenvolvendo um projeto no qual todos passaram a se olhar, a se respeitar e visualizar coisas positivas para o grupo. Na verdade, quando houve essa sinergia, a atmosfera ficou maravilhosa entre respeito, admiração, lealdade e comprometimento. E, atrelada à disciplina, foi onde começou a andar e a fazer a diferença, e os resultados apareceram. Os mais experientes puxaram os mais novos, os mais novos acreditaram nos experientes e, com a intensidade dos mais jovens, por serem garotos que ganharam 90% dos títulos que disputaram nas categorias de base, eles também estavam preparados para decisões, e se adequaram ao meio do adulto com o tempo, porque é uma transição agressiva. Quando houve respeito e entendimento, por parte dos experientes, de que a transição é agressiva, foi quando tudo começou a andar.

Gazeta Esportiva: Algum título foi mais especial?

André Bié: Eu costumo falar que todos os títulos são importantes. O da Liga Nacional tem um gostinho especial, porque todos nós do clube, tanto da comissão, do elenco, os sócios, a diretoria e os funcionários, esperávamos esse título, e da forma que ocorreu foi muito gratificante a todos nós, através de várias adversidades, principalmente até pelo formato, de desacreditados ao título. Acho que isso foi o combustível e a coisa que mais chamou nossa atenção, sendo mais gratificante o êxito. Então fico extremamente feliz com tudo que aconteceu e buscaremos para 2017 as mesmas conquistas.

Gazeta Esportiva: O primeiro objetivo é a Taça Brasil. O Corinthians vem forte para a competição?

André Bié: O time está bem mudado, são jogadores experientes também, atrelados à juventude. Eu acredito muito nessa equipe, ela tem uma qualidade individual técnica que vamos transferir para qualidade coletiva, e aí acharemos esse equilíbrio e sinergia e tem tudo para dar certo.

Gazeta Esportiva: Como você avalia a estreia contra o Goiás?

André Bié: A expectativa é a melhor possível. Sabemos que o Goiás é uma equipe bem organizada, temos algumas informações sobre, já jogamos até o sub-20 contra eles, conhecemos os profissionais do outro lado. Vai ser um jogo bem competitivo e esperamos fazer com que tudo que a gente vem treinando seja colocado em prática nos dias dos jogos da Taça Brasil.

(Foto: Divulgação)
Bié se destacou no comando do Corinthians em 2016 (Foto: Divulgação)

Gazeta Esportiva: As conquistas fizeram você se destacar como treinador, inclusive sendo eleito o melhor técnico da LNF. Agora, qual a sensação de concorrer a melhor do mundo?

André Bié: É uma sensação de muita felicidade. Tinha acabado sair da base, conquistei muitos títulos lá, e a diretoria optou por me dar uma chance, gerar uma oportunidade para quem era da casa e acabou dando certo. É muito gratificante saber que você está crescendo na sua profissão em um curto espaço de tempo, então isso só te faz aprimorar, estudar cada vez mais, buscar um maior conhecimento para colocar em prática. Com tudo isso que está acontecendo, você vai acabar sendo cobrado, cada dia mais, então tem que se preparar para isso. É muito bacana, eu fico extremamente feliz de saber que está acontecendo tudo isso na minha vida, mas não é porque está acontecendo que tenho que entrar numa zona de conforto. Pelo contrário, tenho que procurar estudar cada vez mais para melhorar meu acervo de treino, meu acervo de vestiário, de informações aos meus atletas. Porque sei que, cada vez mais estando em ascensão, a cobrança vem. Não tem jeito, é inevitável.

Gazeta Esportiva: Com todo esse destaque, você recebeu alguma proposta para deixar o Corinthians?

André Bié: Sempre tem sondagens, mas hoje meu objetivo é permanecer por muito tempo aqui. Tenho um carinho enorme pelo Corinthians, e vou me preparar para que um dia eu possa ir para fora do País. É esse o meu sonho, dirigir uma equipe fora do País, mas a longo prazo. A curto prazo, estou no Corinthians, sei que posso não estar amanhã, mas tenho um carinho enorme por tudo que o clube já me proporcionou e pelas pessoas que eu tenho no meu dia a dia aqui, como todos os funcionários, atletas, dirigentes. A atmosfera é muito bacana, gosto muito de onde estou, tenho um carinho enorme e não penso em sair, essa é a verdade.

Gazeta Esportiva: Após a campanha ruim no Mundial, como você avalia o atual momento da Seleção Brasileira? E a escolha do PC Oliveira passa assumir a equipe?

André Bié: Quando fui chamado para a Seleção, fui convocado para o sub-20. A CBFS estava indo atrás de treinador, não conseguiu acertar no ano passado e aí me fizeram convite como interino e eu aceitei. Sabia que eram só aqueles dois jogos, já estava pré-estabelecido isso. O que posso falar é que hoje o Brasil está em boas mãos. Sou muito fã do PC Oliveira, espero que ele consiga organizar e preparar a nossa Seleção, porque potencial ele tem, e sei que, tecnicamente falando, ele vai organizar o time. Eu quero que nosso País esteja onde sempre esteve, entre os melhores, é isso que eu peço.

Gazeta Esportiva: Você tinha a expectativa de assumir a Seleção Brasileira?

André Bié: Não teve sondagem para que eu ficasse no adulto, até porque eu acredito que tenha que ser passo a passo, não gosto de atropelar as coisas. Sou um profissional muito consciente e não gosto de dar um passo maior do que a perna. Fiz os dois jogos, achei que foi muito bacana como experiência e crescimento profissional, foi muito interessante essa oportunidade.

Bié assumiu a equipe principal do Corinthians em julho de 2016 (Foto: Divulgação/LNF)
Bié assumiu a equipe principal do Corinthians em julho de 2016 (Foto: Divulgação/LNF)

Gazeta Esportiva: Falando no PC Oliveira, ele assumiu o time de campo da Ferroviária recentemente. Se recebesse o convite, você aceitaria?

André Bié: Eu nunca pensei nessa possibilidade. No caso do PC, ele já estava acompanhando, era o coordenador das categorias de base do futebol. Acho que isso é fundamental, então ele tem credibilidade para atuar no campo porque já estava na base e era auxiliar da equipe profissional. É bem diferente do meu caso hoje, pois eu não faço parte de nenhuma categoria de base do futebol, e quero deixar bem claro que são duas modalidades extremamente diferentes. Então, da forma como ele foi convidado, sim, com certeza. Da forma como hoje eu seria convidado, talvez eu pensasse muito antes de ir, mas eu deixaria em aberto porque é uma coisa que me interessa, mas nunca atuei.

Gazeta Esportiva: O Neto vem atravessando problemas de saúde, tendo que ser submetido a uma cirurgia para retirada de um tumor no cérebro. Você mandou alguma mensagem para ele?

André Bié: Falei com ele, o Neto é meu amigo pessoal. Ele está acreditando bastante, como todos nós acreditamos. Estamos orando bastante para a sua recuperação e o futsal agradece por tudo que ele fez.

Gazeta Esportiva: Desde 2011, você atuou nas categorias de base do Corinthians. Como foi a transição para o profissional? Assim como a dos atletas, é complicada?

André Bié: Também é dura. Você tem que se especializar cada vez mais, é outra linguagem, tem que estudar como liderar, como gerir. Querendo ou não, é uma empresa, e você tem que tratar todos como funcionários, mas com total respeito e lealdade. Quanto está errado, está errado para todos, e quando está certo também serve para todos. O certo é certo mesmo que ninguém faça, o errado é errado mesmo que todo mundo faça. Tem que deixar bem claro isso para eles, mas o que eu mais deslumbro no meu dia a dia é o ambiente: a minha lealdade, o meu carinho, o meu respeito, o meu trato com eles, e falar a verdade, mesmo que seja a pior verdade, é melhor do que a mentira. Então, ganho muito nessas questões, de compreender que o atleta é um ser humano também. E aí eu digo: eu compreendo tudo, então espero ser compreendido também. Essa sinergia é muito bacana entre nós, e o respeito e a lealdade é tudo que eu peço no nosso dia a dia. O ambiente tem que ser sempre positivo, até nas derrotas, porque só nós podemos sair delas juntos. Tem que ser resiliente a cada momento de adversidade, sempre juntos. Mas isso tudo só se dá com o ambiente positivo, com respeito, e sendo verdadeiro sempre.

Gazeta Esportiva: Como está o trabalho na Seleção Brasileira sub-20?

André Bié: Agora deu uma pausa, até por essa transição que ocorreu e por não ter competições no primeiro semestre. Estou aguardando para ver qual vai ser a sequência, as competições, o feedback da CBFS. Estou fazendo meu trabalho e agora minha atenção está toda voltada ao Corinthians.

Gazeta Esportiva: Seis atletas do sub-20 do Corinthians foram efetivados para o profissional e, recentemente, o sub-18 conquistou o Mundial após vencer o Barcelona na final. A que você atribui a força da base do Timão?

André Bié: Isso tudo que acontece é porque o clube acredita nesse trabalho de base. Nossa base é muito forte, tem uma ótima estrutura. Nossos jogadores do sub-20 e do sub-18, que é uma nova faixa etária agora, têm a mesma estrutura do adulto, então isso faz com que o Corinthians saia na frente. O trabalho é muito competitivo, são excelentes profissionais tanto na área técnica como na gestão. Os elencos são selecionados e monitoradas por todos nós, por nossa equipe. Então o trabalho é muito profissional, muito sério e por isso que sai à frente.

*Especial para a Gazeta Esportiva

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