Ex-velocista, filho de faxineira se aproxima da elite do beisebol

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O brasileiro Paulo Orlando está contando os dias para o fim de suas férias. Em fevereiro, retornará aos Estados Unidos para treinar com o Kansas City Royals em busca de uma vaga no elenco do time que disputa a MLB, principal liga norte-americana de beisebol. Filho de uma faxineira, ele chegou a participar do Campeonato Mundial júnior de atletismo antes de iniciar a carreira no esporte bem mais popular na América do Norte do que no Brasil .

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Paulo Orlando foi campeão das duas últimas edições da principal liga secundária do beisebol, a Triple A, defendendo o Omaha Storm Chasers, time filiado aos Royals. O desempenho do brasileiro, que participou até do Jogo das Estrelas de seu campeonato, chamou a atenção da equipe matriz e ele foi convidado para participar da pré-temporada de 40 jogadores. Destes, 25 serão escolhidos para jogar na MLB.

“O time foi campeão de tudo na Triple A e isso é uma vitrine para mim. Meu nome está sendo mais conhecido por isso. Agora é continuar, se esforçar ao máximo nos treinos para tentar chegar na MLB e representar, não só meu nome, mas também a bandeira do Brasil”, afirmou o atleta paulista, que treina no CT Yakult, em Ibiúna, com a Seleção Brasileira.

Paulo Orlando concorre a uma vaga no elenco do Kansas City Royals, da MLB

Paulo Orlando concorre a uma vaga no elenco do Kansas City Royals, da MLB - Credito: Fernando Dantas/Gazeta Press

Orlando, como é conhecido nos Estados Unidos, começou a jogar beisebol por causa de um médico do hospital em que sua mãe trabalhava como faxineira. Ele era presidente do Nikkey Santo Amaro e convidou o filho de sua funcionária a frequentar o clube e conhecer o esporte, popular no Brasil entre os membros da colônia japonesa.

O atleta paulista demorou alguns anos a aceitar o chamado, mas quando o fez gostou da modalidade. “Nem sabia que era assim, pensava que era tênis”, confessou. Só lamentou quando alcançou a categoria juvenil e não tinha mais equipe para defender porque a maioria de seus companheiros havia abandonado o esporte para dar ênfase aos estudos.

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O arremessador André Rienzo foi o segundo brasileiro a atuar na MLB. A presença de um atleta nacional em uma equipe profissional causava surpresa aos outros jogadores, que constantemente pediam para que o arremessador de Atibaia demonstrasse sua habilidade no futebol.

“Sempre jogavam a bolinha no pé e falavam para eu dar uma petecada. Era uma coisa diferente um brasileiro no time, mas não gerava muita especulação. Só a embaixadinha, mesmo. Eu até fiquei bom uma época de tanto pedirem para eu fazer”, recorda o arremessador.

Rienzo já se considera adaptado aos EUA, mas no início de sua carreira sofreu com a alimentação.

“De tanto hambúrguer e fast food fiquei até meio gordinho, estava difícil. Tive que aprender a cozinhar alguma coisa. Se dá vontade de uma comida mais caseira, vou atrás de um restaurante cubano porque também tem arroz, feijão e bife”, diverte-se.

Paulo Orlando então foi para o atletismo e teve relativo sucesso em provas de velocidade. Ele chegou a ser contratado pelo tradicional Esporte Clube Pinheiros e defendeu o Brasil no Campeonato Mundial júnior de 2004, em Grosseto, na Itália. Alcançou a final dos 400m e ficou com a oitava colocação.

O beisebol virou diversão em torneios amadores, até que um técnico o indicou ao olheiro cubano Orlando Santana por causa de sua velocidade. Responsável por levar o também brasileiro André Rienzo ao Chicago White Sox, ele fez com que Paulo Orlando fosse contratado pela mesma franquia para disputar as divisões inferiores. Jogou um ano na República Dominicana (em time ligado à franquia de Illinois), antes de chegar aos Estados Unidos.

“Primeiro tive que aprender a falar espanhol para conseguir entrar na aula de inglês e fui pegando, pelo menos, as situações de jogo para conversar com o técnico. Demorou bastante tempo para eu falar alguma coisa e até hoje dá uma machucada. A gente só treina, joga, quase não pega um livro”, explicou.

A temporada de 2015 será a décima de Paulo Orlando fora do Brasil. No início, dividia uma casa com outros cinco atletas para diminuir os custos. Hoje, tem apenas um companheiro de moradia e se orgulha de conseguir guardar dinheiro e sustentar também a mulher Fabrícia e a filha Maria Eduarda, de cinco anos, que moram no Brasil.

“A molecada daqui pensa que a gente está ficando rico, mas não é assim. O dinheiro de verdade está na MLB”, garantiu o atleta, que atua como outfielder. Nas últimas temporadas, ele utilizou as férias do beisebol norte-americano para atuar em ligas sazonais de Porto Rico, Panamá e Venezuela.

Se for selecionado para integrar o elenco dos Royals, Paulo Orlando se tornará apenas o terceiro brasileiro a jogar na elite do beisebol mundial. O primeiro foi o catcher Yan Gomes, criado nos Estados Unidos. O segundo, o arremessador André Rienzo, seu amigo e companheiro de Seleção.

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