Patrocínios, chances de competir em grandes torneios e ter a possibilidade de viver do surfe. Para o atual e primeiro brasileiro campeão mundial, Gabriel Medina, o retorno do Super Surf, principal evento do Circuito Brasileiro, é “fundamental” para que um jovem surfista consiga atingir tais objetivos.
Na tarde desta quinta-feira, em São Paulo, o paulista de Maresias lançou livro que leva seu nome. Escrito pelo jornalista Tulio Brandão, a obra conta a trajetória de Medina no esporte até a conquista do Mundial, em dezembro do ano passado. Em coletiva de imprensa, o jovem atleta revelou a importância de um torneio que fomente a base do surfe nacional.
“É muito importante. Tem vários surfistas brasileiros bons que sonham em competir lá fora, muitos deles não têm dinheiro, não têm condição de ir lá pra fora, então ter um Circuito Brasileiro acho que dá pra eles buscarem bons resultados para que as marcas possam ver e serem patrocinados um dia”, explicou o surfista de 21 anos, que não chegou a disputar o Super Surf.
Atual campeão do mundo, Gabriel Medina lançou livro que conta sua trajetória no surfe - Credito: Djalma Vassão/Gazeta Press
Organizado pela Associação Brasileira de Surf Profissional (ABRASP), o Super Surf voltou a ser realizado em julho, com a primeira etapa disputada na praia de Maresias, em São Sebastião, litoral norte de São Paulo, e vencida pelo paulista Flavio Nakagima no último final de semana. A competição foi criada em 2000, mas seria interrompida em 2009 por falta de patrocinadores, deixando a categoria de base do surfe nacional órfã por cinco anos.
Durante a etapa do Rio de Janeiro do Mundial deste ano, em maio, a GE.Net revelou, através de uma série de reportagens, o sucateamento do Circuito Brasileiro de Surfe, o qual sofreu boicote das principais federações do País, como a carioca, paulista e catarinense devido à má gestão da Confederação Brasileira de Surfe (CBS), presidida por Adalvo Argolo. Dessa forma, o calendário ficou esvaziado e empobrecido, prejudicando o processo de revelação de novos talentos.
“Quando eu era criança, meu sonho era competir no Super Surf, que é o campeonato que voltou nesse ano. Queria ser profissional, ter um patrocínio e isso me incentivou bastante a competir e eu acho que isso é bom pro Brasil, porque a gente estava sem um circuito, então eles estavam sem fazer nada e não tinha a oportunidade de competir, porque não tinham dinheiro pra ir ao exterior e hoje eles têm um campeonato no Brasil que fica mais fácil, então é fundamental”, acrescentou Gabriel, campeão de uma etapa do Mundial com apenas 15 anos.
A segunda etapa do Super Surfe 2015 está marcada para acontecer entre os dias 12 e 16 de agosto, na Praia Grande de Ubatuba, litoral norte de São Paulo. Em São Sebastião, mais de 160 surfistas de 13 estados do País caíram no mar de Maresias.
Na atual temporada do Circuito Mundial de Surfe (WCT), Gabriel Medina figura no modesto 15º lugar, com 16.150 pontos, 17.050 a menos que o líder do Mundial, o compatriota Adriano de Souza, o Mineirinho. O próximo desafio será em Teahupoo, no Taiti, onde a janela de competições estará aberta entre 14 e 25 de agosto.
Governador pede autógrafo, mas é vaiado por fãs de Medina
Durante a sessão de autógrafos desta quinta-feira, o governador Geraldo Alckmin foi prestigiar o evento no Shopping Iguatemi, localizado na zona sul da capital, e saiu de lá com um livro autografado por Gabriel Medina.
No entanto, Alckmin foi recebido aos gritos de “quero água” e vaias da multidão que aguardava a fila andar para assegurar a rubrica do jovem surfista. O protesto se referiu à crise hídrica que o estado de São Paulo sofre há mais de um ano.
