Rivalidade Rio-SP ajudou carioca a ser 1ª campeã da 9 de Julho

Imagem ilustrativa para a matéria

Durante 51 anos ou 41 edições, apenas homens tinham a oportunidade de pedalar na tradicional Prova Ciclística 9 de Julho, idealizada pelo jornalista Cásper Líbero e inaugurada em 1933 como forma de homenagear a Revolução Constitucionalista, eclodida na data-título do ano anterior, no estado de São Paulo. Em 1985, porém, a organização da corrida abriu inscrições para que as mulheres disputassem a principal competição sobre bicicletas do Brasil.

Naquele ano, elas correram a 9 de Julho junto aos homens na categoria “estreantes”, em uma preliminar da prova principal. O percurso foi de três voltas no Autódromo de Interlagos, totalizando 18km.

A carioca Cláudia Tourinho Bittencourt entrou para a história da prova ao ser a primeira mulher vencedora da 9 de Julho. Com 26 anos à época, ela cruzou a linha de chegada após 34 minutos de pedaladas, apenas três minutos depois do primeiro homem “estreante” atingir o ponto final do percurso.

A carioca Cláudia Tourinho, então com 26 anos, tornou-se a primeira mulher campeã da 9 de Julho

A carioca Cláudia Tourinho, então com 26 anos, tornou-se a primeira mulher campeã da 9 de Julho - Credito: Gazeta Press

Completando o pódio feminino, estavam as também cariocas Cleonice Deloni e Ana Rita Machado, no segundo e terceiro lugares, respectivamente. De acordo com a campeã da prova, o domínio das ciclistas do Rio de Janeiro nas primeiras edições femininas da 9 de Julho foi motivado pela rivalidade com os atletas paulistas, então hegemônicos na prova masculina.

"O ciclismo feminino no Brasil ainda está em sua fase inicial. E no Rio de Janeiro concentram-se a maioria das praticantes", informava A Gazeta Esportiva de 1985.

“Isto se deve ao comandante Borges (presidente da Federação de Ciclismo do Rio de Janeiro). Como o ciclismo masculino é muito forte em São Paulo, ele achou que, pelo menos nas competições de mulheres, o Rio poderia ficar na frente”, contou Cláudia Tourinho, à época, ao diário esportivo, organizador do evento.

Praticante do ciclismo havia apenas 18 meses antes de se tornar a primeira mulher campeã da 9 de Julho, Cláudia ainda contou que sua jornada de treinos consistia “em média de 70 a 80 quilômetros por dia”, mesmo trabalhando meio período em uma empresa do ramo agropecuário. A carioca se tornaria bicampeã da tradicional prova logo no ano seguinte, em 1986, melhorando seu tempo em cinco minutos (29min55) em relação à marca da edição anterior.

A pista do Autódromo de Interlagos foi o palco da primeira vitória feminina na Prova 9 de Julho

A pista do Autódromo de Interlagos foi o palco da primeira vitória feminina na Prova 9 de Julho - Credito: Gazeta Press

Disputada em 26 edições, a Prova Ciclística 9 de Julho feminina tem como maior vencedora a mineira de Belo Horizonte Cláudia Carceroni Saintagne, campeã em 1991, 1992, 2002 e 2004. Naturalizada francesa para ter melhores condições na prática da modalidade, foi 16 vezes campeã mundial e pedalou nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992, e Sydney, em 2000.

Realizada pela última vez em 2011 no Autódromo de Interlagos, a tradicional prova está de volta às ruas da maior cidade do Brasil, reunindo os principais atletas e equipes do País. Marcada para o próximo dia 9, a corrida terá um novo percurso: largada e chegada acontecerão na Avenida Lineu de Paula Machado, em frente ao Jockey Club de São Paulo, passando pela Cidade Universitária, Ponte Cidade Jardim, Avenida Juscelino Kubitschek, entre outras. Os homens darão duas voltas, completando um total de 53,6km, enquanto as mulheres darão apenas um giro de 28,3km.

Conteúdo Patrocinado