No dia 9 de julho de 1933, iniciava-se o que seria uma das principais competições sobre bicicletas do país: A Prova Ciclística 9 de Julho. Idealizada pelo jornalista Cásper Líbero, foi criada para homenagear a Revolução Constitucionalista, eclodida no Estado de São Paulo, na data-título do ano anterior.
Após três anos de paralisação, a tradicional prova está de volta às ruas da capital paulista, reunindo os principais atletas e equipes do País. Marcada para o próximo dia 9, a corrida terá um novo percurso: os 28km serão iniciados e encerrados na Avenida Lineu de Paula Machado, em frente ao Jockey Club de São Paulo, passando pela Cidade Universitária, Ponte Cidade Jardim, Avenida Juscelino Kubitschek, Avenida República do Líbano, entre outras.
Organizada pelo jornal A Gazeta, a disputa inicialmente reunia competidores de todos os estados do País. Na prova inicial, 334 ciclistas foram inscritos, mas 223 pedalaram nas ruas da capital paulista. De acordo com a publicação, grande parte dos atletas desistiu de participar da competição por conta das chuvas que dificultaram o acesso à cidade.
José Ricardo Magnani, do E.C.Brasil, foi o primeiro a vencer a Prova 9 de Julho - Credito: Gazeta Press
E foi com esse clima que, naquele domingo, o paulistano José Ricardo Magnani, do Esporte Clube Brasil, cruzou a linha de chegada sob “terrível e violento temporal”, seguido por seu irmão Antonio, entrando para a história como o primeiro vencedor da “maior prova cyclistica do Brasil”, como noticiava o jornal.
José Magnani colocou seu nome entre os principais do ciclismo nacional após percorrer os 38km da primeira edição da 9 de Julho em 1h06min08, apenas três segundos à frente de seu irmão Antonio. O percurso se dividia entre São Paulo e Santo Amaro, à época município independente, com largada e chegada na Avenida Paulista.
Vencedor ainda nos anos de 1934 e 1940, José Magnani, falecido em julho de 1966, é um dos integrantes do seleto grupo de tricampeões da mais tradicional prova do ciclismo brasileiro. Além dele, Rolando Montesi, Ailton Souza e Wanderley Magalhães foram ao lugar mais alto do pódio em três oportunidades.
Prêmios e brindes
Segundo A Gazeta, cada competidor que completasse a prova ganharia de brinde “seis latas do afamado óleo ‘Oilit’, para bicycletas”. Já o campeão da prova inaugural, José Magnani, levou para a casa uma bicicleta “Bianchi”, oferecida pela Casa Luiz Caloi.
Na ocasião, até o lanterna da classificação não voltou de mãos vazias para a casa. Último a cruzar a linha de chegada no Trianon, na Avenida Paulista, Adelino Pincelli foi presenteado com uma medalha de prata.
A primeira edição da tradicional prova ocorreu sob forte temporal na capital de São Paulo - Credito: Gazeta Press
Seis tombos e a oitava colocação
Um dos destaques da inédita Prova Ciclística 9 de Julho foi Carlos Campos, representante da Federação Carioca de Ciclismo. Diante do temporal paulista, o atleta do Rio de Janeiro caiu seis vezes com sua bicicleta, porém recuperou-se e conseguiu terminar a disputa na oitava posição, com o tempo de 1h11min53, sendo o melhor entre os não paulistas.