Cláudia Tourinho Bittencourt venceu primeira disputa feminina da 9 de Julho (Foto: Acervo/Gazeta Press)
A primeira edição da Prova Ciclística 9 de Julho aconteceu em 1933, um ano após a Revolução Constitucionalista na qual presta homenagem. Entretanto, o cenário da competição foi dominado por homens até 1985, quando, pela primeira vez, mulheres puderam participar da disputa, realizada no Autódromo de Interlagos.
Aguardando 51 anos por uma oportunidade de participar, as competidoras tiveram sua ansiedade noticiada pelo jornal A Gazeta Esportiva, à época: “E ainda, o que é mais importante, haverá a participação, pela primeira vez, de mulheres.”
“Durante 51 anos a prova teve apenas competidores masculinos. Mas as mulheres, que vêm conquistando seu espaço em todas atividades, também estarão presentes. Assim, neste domingo, Interlagos estará vivendo mais uma página histórica da famosa competição, com cerca de uma dezena de simpáticas e hábeis ciclistas de equipes cariocas, que certamente darão um colorido todo especial à prova”, prosseguiu a publicação.
A premiação feminina foi definida antes da disputa no circuito. A primeira colocada recebeu um troféu da Secretaria Municipal de Esportes e uma churrasqueira, enquanto que o vencedor da prova masculina faturou 4 milhões de cruzeiros (moeda vigente no Brasil à época) em prêmios, um troféu da Secretaria Municipal de Esportes e uma medalha.
A trajetória da prova tinha um total de 60 quilômetros, a serem percorridos em exatas vinte voltas no Autódromo de Interlagos, com início marcado para a manhã do dia 7 de julho de 1985, um domingo.
Cláudia Tourinho Bittencourt foi declarada a grande vencedora da primeira disputa feminina da 9 de Julho. A ciclista de 26 anos cruzou a linha de chegada 34 minutos e três minutos depois do campeão masculino, Aílton Souza. Além de Cláudia, Cleonice Deloni e Ana Rita Machado figuraram no pódio, todas competindo por equipes cariocas.
A superioridade do Rio de Janeiro na modalidade explica-se: de acordo com a própria primeira colocada na disputa, a Federação de Ciclismo do Rio de Janeiro, na figura de seu presidente (Comandante Borges) investiu no ciclismo feminino já que, em São Paulo, “o ciclismo masculino era mais forte”.
Novata no esporte, já que praticava ciclismo há apenas 18 meses antes de sua vitória na 9 de Julho, Cláudia conciliava a prática com um trabalho de meio período em uma empresa e sonhava alto: queria disputar o Mundial daquele ano, na Itália. “Seria uma oportunidade muito boa para se ganhar experiência”, afirmou à época para A Gazeta Esportiva.
O pouco tempo de experiência na modalidade era um padrão, pelo menos no pódio. Cleonice Deloni, segunda colocada, tinha somente 20 anos à época e praticava ciclismo há nove meses. Já Ana Rita Machado, terceira, acumulava quatro meses de prática.
A partir de 1985, a Prova Ciclística 9 de Julho conta com a categoria feminina em todos os anos de competição. A 41ª edição da disputa, portanto, representa um marco para o ciclismo nacional e, principalmente, feminino, que têm nomes como Janildes Fernandes (campeã em 1998, 1999 e 2000), Luciene Ferreira (conquistas em 2005, 2007 e 2012), Camila Coelho (2008, 2014 e 2015) e Débora Gerhard (2006, 2009 e 2010) de principais ícones na modalidade brasileira.
Confira as 5 primeiras colocadas na 41ª Prova Ciclística 9 de Julho:
1º - Cláudia Tourinho Bittencourt - Capemi
2º - Cleonice Deloni
3º - Ana Rita Machado - A. A. Portuguesa
4º - Yeda Cristina Martins - A. A. Portuguesa
5º - Miriam Pereira Lobo - Presidente Prudente
* Especial para a Gazeta Esportiva