Argentino abriu caminho para estrangeiros vencerem a 9 de Julho

Imagem ilustrativa para a matéria

A tradicional Prova Ciclística 9 de Julho foi inaugurada em 1933, idealizada pelo jornalista Cásper Líbero em homenagem aos paulistas que lutaram na Revolução Constitucionalista, eclodida naquela data do ano anterior. Inicialmente, a competição era disputada apenas entre brasileiros e tinha uma média de pouco mais de 300 participantes. Após um hiato entre 1941 a 1946 - época em que ocorreu a Segunda Guerra Mundial -, a corrida passou a receber ciclistas uruguaios e argentinos, sendo os primeiros a desafiar os atletas da casa.

Após três anos de interrupção, a tradicional prova está de volta às ruas da capital paulista, reunindo os principais ciclistas e equipes do País. Marcada para o próximo dia 9, a corrida terá um novo percurso: os 28km serão iniciados e encerrados na Avenida Lineu de Paula Machado, em frente ao Jockey Club de São Paulo, passando pela Cidade Universitária, Ponte Cidade Jardim, Avenida Juscelino Kubitschek, Avenida República do Líbano, entre outras.

A edição de 1947 bateu o recorde de competidores, com 482 ciclistas inscritos, e fez o nome da disputa mudar para Prova Ciclística Internacional 9 de Julho. O percurso, de 34,2km, também teve mudanças, com a largada sendo feita na própria Avenida 9 de Julho, com passagens pelo bairro de Santo Amaro e pelo Largo 13 de Maio, antes da tradicional chegada no Parque Trianon, na Avenida Paulista.

Na ocasião, os atletas brasileiros foram superiores e dominaram o pódio, com Rolando Montesi liderando a dobradinha do Palmeiras, seguido por Atilio Bertolini e Luciano de Moraes. O uruguaio Christobel Trueba foi o primeiro estrangeiro a cruzar a linha de chegada, com o sexto posto.

A décima edição da “maior prova ciclística da América do Sul”, como exclamava A Gazeta Esportiva, superou os números da corrida de 1947, inscrevendo 758 ciclistas entre brasileiros, argentinos e uruguaios. Com o mesmo percurso do ano anterior, a 9 de Julho enfim teve um vencedor estrangeiro.

Com 758 inscritos, a décima edição da 9 de Julho ganhou importância no ciclismo internacional

Com 758 inscritos, a décima edição da 9 de Julho ganhou importância no ciclismo internacional - Credito: Gazeta Press

Assistido por cerca de 100 mil pessoas, segundo a publicação, o argentino Jorge Oliveira foi o primeiro a atingir o ponto final da prova, no Trianon, com o tempo recorde de 55min49, o menor até então da competição em 34,2km de pedaladas. A título de curiosidade, o atleta platino levou para a casa dez quilos de linguiça calabresa e dez caixas da bebida Cinzano entre os prêmios oferecidos ao vitorioso da segunda edição internacional da prova.

Oscar Mulero completou a dobradinha argentina, marcando 56min15, em uma corrida na qual trabalhou para manter o companheiro de equipe, Jorge Oliveira, na parte da frente do pelotão. Tricampeão (1937, 1938 e 1947) e pedalando pela última vez na 9 de Julho, Rolando Montesi foi o melhor brasileiro daquela disputa, 26 segundos atrás do ponteiro.

A partir de então, uma hegemonia estrangeira era instaurada na maior prova ciclística da América do Sul. Após o triunfo de Jorge Oliveira, o Brasil viu três portugueses, um uruguaio e um argentino vencerem a disputa. Somente em 1956, com Antônio Alba, o País voltou a ter um campeão na corrida.

De todas as 68 edições de uma das mais antigas competições do ciclismo brasileiro, 18 foram conquistadas por estrangeiros. O último a obter o feito foi o argentino Francisco Chamorro, campeão da prova em 2010 e que atualmente defende a equipe Funvic/São José dos Campos.

O argentino Jorge Oliveira entrou para a história da 9 de Julho ao ser o primeiro vencedor estrangeiro

O argentino Jorge Oliveira entrou para a história da 9 de Julho ao ser o primeiro vencedor estrangeiro - Credito: Gazeta Press

Conteúdo Patrocinado